Que nenhum salário é suficiente, toda gente sabe e brande aos altos berros sempre que tem oportunidade. Que, para facturarmos mais algum, temos que nos matar em fatigantes e condenáveis turbismos de vária ordem que vão de biscatos a tricatos, também todos sabem.
É também de conhecimento geral que nem em todas as áreas de trabalho é possível facturar mais algum pois as margens de manobra são inexistentes (por exemplo, no trabalho doméstico, de guarda, de prestação de alguns serviços comerciais ou bancário) e que no final rendem quase nada senão muito cansaço e stress.
Curiosamente, ultimamente, pessoas de poucas posses têm conseguido construir habitações próprias com material convencional. Neste grupo, vinca-se a presença de mulheres (solteiras, divorciadas e viúvas) que, para além de assegurarem o estudo de seus filhos, têm lutado por ter uma habitação condigna e humildemente mobilada.
Sabe-se, e muito bem, que, apesar de se dizer que “a terra é propriedade do Estado”, ter um terreninho hoje em dia custa os olhos da cara do pacato cidadão moçambicano. Logo, pode-se concluir que os moçambicanos vivem de milagres ou, então, fazem milagres. Mas onde arranjarão as moçambicanas dinheiro para tais empreitadas?
O xitique tem sido a solução de muitos dos problemas pessoais como é o caso da construção de uma habitação, ainda que modesta, sobretudo do lado das mulheres. Professoras, dumba-nengueiras, mukheristas, empregadas domésticas, secretárias, empresárias, funcionárias bancárias, várias outras pessoas e de escalões sociais distintos, têm encontrado no xitique a forma de conseguir melhorar a qualidade de sua vida.
O xitique é um sistema de entreajuda e funciona de forma simples: um grupo de pessoas organiza-se, determina os valores, os períodos de cobrança ( de 1 a 5 de cada mês) e a forma de pagamento (semanal, quinzenal ou mensal). Se por exemplo existe um grupo de quatro pessoas (A, B, C e D) e se decidem pelo pagamento de 500Mt mensais então no 1º mês A acrescentará aos seus 500Mt mais 1500Mt. No mês seguinte, e outros subsequentes, recebem B, C e D.
Há xitiques com objectivos indeterminados, ou seja, a aplicação do bolo não é direccionado para um fim preciso, cada um é livre de fazer o que melhor lhe apraz com o dinheiro e há também xitiques com finalidades claras e inalteráveis, conforme o projecto que o criou:
O xitique está tão enraizado no nosso seio quanto o número de contas bancárias existentes, pelo menos no lado feminino. E, uma coisa é certa, tendo em conta que, o Fundo de Fomento para Habitação só satisfaz a alguns e poucos, o xitique é uma garantia de que Moçambique está a crescer.
No entanto, o xitique não é apenas prerrogativa dos habitantes da cidade de cimento. No campo, também se realiza este processo no qual o instrumento de entreajuda é braçal. Por exemplo, camponesas amigas se juntam e vão umas as machambas das outras ajudar na desbravação do mato ou no lançamento da semente.
É também de conhecimento geral que nem em todas as áreas de trabalho é possível facturar mais algum pois as margens de manobra são inexistentes (por exemplo, no trabalho doméstico, de guarda, de prestação de alguns serviços comerciais ou bancário) e que no final rendem quase nada senão muito cansaço e stress.
Curiosamente, ultimamente, pessoas de poucas posses têm conseguido construir habitações próprias com material convencional. Neste grupo, vinca-se a presença de mulheres (solteiras, divorciadas e viúvas) que, para além de assegurarem o estudo de seus filhos, têm lutado por ter uma habitação condigna e humildemente mobilada.
Sabe-se, e muito bem, que, apesar de se dizer que “a terra é propriedade do Estado”, ter um terreninho hoje em dia custa os olhos da cara do pacato cidadão moçambicano. Logo, pode-se concluir que os moçambicanos vivem de milagres ou, então, fazem milagres. Mas onde arranjarão as moçambicanas dinheiro para tais empreitadas?
O xitique tem sido a solução de muitos dos problemas pessoais como é o caso da construção de uma habitação, ainda que modesta, sobretudo do lado das mulheres. Professoras, dumba-nengueiras, mukheristas, empregadas domésticas, secretárias, empresárias, funcionárias bancárias, várias outras pessoas e de escalões sociais distintos, têm encontrado no xitique a forma de conseguir melhorar a qualidade de sua vida.
O xitique é um sistema de entreajuda e funciona de forma simples: um grupo de pessoas organiza-se, determina os valores, os períodos de cobrança ( de 1 a 5 de cada mês) e a forma de pagamento (semanal, quinzenal ou mensal). Se por exemplo existe um grupo de quatro pessoas (A, B, C e D) e se decidem pelo pagamento de 500Mt mensais então no 1º mês A acrescentará aos seus 500Mt mais 1500Mt. No mês seguinte, e outros subsequentes, recebem B, C e D.
Há xitiques com objectivos indeterminados, ou seja, a aplicação do bolo não é direccionado para um fim preciso, cada um é livre de fazer o que melhor lhe apraz com o dinheiro e há também xitiques com finalidades claras e inalteráveis, conforme o projecto que o criou:
- de poupança (para crianças valor que vai para a poupança ou compra de algo em beneficio das crianças);
- de bens: loiça ou de panelas, de capulanas ou de roupas de cama, de electrodomésticos (ferro de engomar, micro-ondas, geleira, etc.);
- de casamento ou de família, que visam ajudar no momento de alegria e de tristeza;
- de txiling: amigos quotizam valores para que no final de cada mês possam viajar ou organizar festanças entre eles;
- e, recentemente, de cimento que reagrupa outros tipos de material de construção.
O xitique está tão enraizado no nosso seio quanto o número de contas bancárias existentes, pelo menos no lado feminino. E, uma coisa é certa, tendo em conta que, o Fundo de Fomento para Habitação só satisfaz a alguns e poucos, o xitique é uma garantia de que Moçambique está a crescer.
No entanto, o xitique não é apenas prerrogativa dos habitantes da cidade de cimento. No campo, também se realiza este processo no qual o instrumento de entreajuda é braçal. Por exemplo, camponesas amigas se juntam e vão umas as machambas das outras ajudar na desbravação do mato ou no lançamento da semente.
Oi primosa,
ResponderEliminarEssa do xitique de cimento não conhecia!
Importa frisar que esta prática iniciou somente com mulheres, mas hoje, devido ao sucesso, atraiu também o público masculino. Já se vêm aí muitos homens a fazer xitique.
bjs
Ola amiga,
ResponderEliminarEu sou um dos homens que fazem xitiki.é que xitiki ajuda a minimizar os efeitos dos custos proibitivos do credito bancario. Xitiki é uma alternativa de acesso ao credito sem juros e sem burocracia.
E com muita festa Jorge!
ResponderEliminarJá notaram que para além do dinheiro, há espaço para um “social”, com direito a tchim tchim e entrega de mucumes?
Festa é o que não falta Yndogah:
ResponderEliminarSempre há um franguito a ser sacrificado e uma 2M a fazer companhia, claro!
Vejo que por ca o pessoal ja começou a fazer... blogtikes!
ResponderEliminarYndonhag, realmente existe o xitike do cimento ou aé mesmo do terreno.
Um grupo junta-se e vai contribuindo para que outros possam comprar um terreninho ou uns sacos a mais de cimento. Enquanto os caes ladram, a caravana passa...
Bom saber que o amigo Saiete faz xitike. Espero é que seja um xitike em beneficio da familia pois ha uns que fazem-no so para beber
ResponderEliminarO ser humano tem uma capacidade incruvel de contornar adversidades. Tenho estado a advogar a intervencao do governo, nesta questao de creditos a habitacao "suportaveis", no nosso sistema bancario. O xitique evidentemente e' uma reaccao a essa lacuna. Como o Saiete diz, sem juros e sem burocracia. Sao esses sistemas paralelos que tem permitido a tem permitido a muita gente por a sua vida a andar! Sera' este um procedimento "made in Mozambique" ou tambem pratica comum noutros lugares?? que tenho
ResponderEliminarHumm, nao sei se esta pratica é comum em todo os lugares, Jonathan.
ResponderEliminarDe Ricardo Cossa
ResponderEliminarOlá Ximbitane
Tenho lido teus comentários noutros blogs e gostei da forma forma como analiza várias opiniões em debate.
Isto convidou-me a procurar ver os teus textos e dar o meu comentário.
Conforme vê, estou lendo as tuas opiniões e constato que escreve tão bem e discute ideias pertinentes. Desde já, os meus parabens.
Quanto ao xitique,esta prática é muito boa, para todos, independentemente da área do trabaho. Mas é necessário seleccionar bem os elementos do grupo senão pode saborear amargura, sobretudo quando for ultima pessoa a receber.
Agradecida, Ricardo Cossa, e volte sempre
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