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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Estórias em Maputo (30)

A principio pequenos, insignificantes, quase que invisíveis, com o desenvolvimento da Grande Town, que ao mesmo ritmo se degrada, um contigente de seres nojentos, por todos ignorados, metamorfosea-se e, tal como muitos maputenses, multiplica-se e vive tranquilamente sem cumprir nenhuma postura camarária.

Senhores absolutos do subsolo de Maputo, os ratos ou melhor as ratazanas, alimentados pelo descaso dos legítimos habitantes desta terra, são talvez, nestes tempos de apertar mais um pouco o cinto, os únicos "citadinos" que, sem reclamar, engordam a olhos vistos.

Fossas cépticas rebentadas ou entupidas, dejectos a rolar pela cidade abaixo, lixo por tudo quanto é lado, tanto no interior como no exterior dos edificios e habitações que engalam Maputo, negligência dos citadinos e de "quem de direito", as condições para que esta população reine e impere, estão completamente garantidas.

Eleitos como cobaias, em centros de pesquisa, pela similaridade,em muitos aspectos com o ser humano, a convivência com estes seres asquerosos é prejudicial para a saúde humana pois estes são portadores de doenças transmissíveis ao Homem como, seja o Diabo surdo e mudo, a peste bubônica.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Estórias de Maputo (3)

De há uns tempos a esta parte, a cidade de Maputo tem sofrido alterações grandiosas. Algumas alterações são positivas, quanto a isso não restam dúvidas, e outras nem por isso e têm consequências profundas que, consoante a sua gravidade, se manifestarão a curto, médio e longo prazo.

Uma forma de observar o quão transformada ou em transformação está "a capital" é pelo preço de material de construção que subiu a olhos vistos, havendo até momentos em que escassea. Aliás, em termos de construção, torna-se cada vez mais dificil distinguir a zona de elite da do Zé Povão pois os primeiros tendem a florescer na periferia adentrando-se aos poucos para engolir os Zezinhos!

No centro da cidade, já é normal olhar-se para o céu e ver-se gruas ameaçadoras, maquinetas barulhentas e homens a trabalhar a todo o vapor. Espaços abandonados, já não existem e se existem têm dono. Que se tire a prova dos 9 colocando um bloco: em algum canto desse espaço está sinalizado, com tabuletas, ser propriedade de alguém e mesmo inexistente, o espaço tem dono.

Até em espaços que antes se acreditava, ou assim se propalava, não serem indicados para construção, hoje estão transformados em mansões dignas de cenas hollywodianas ou em blocos de escritórios que crescem, crescem e não param de crescer tal arranha-céus.

Nessa febre de construção citadina, muitas vezes com o intuito de pôr a render cada metro quadrado desse imóvel/edificio, não se olham a alguns pressupostos como a preservação dos espaços verdes. Por exemplo, o descampado lamancento defronte do campo do Maxaquene deu lugar a uma via pavimentada.

O Centro de Manutenção Repinga, aos poucos vai perdendo, não só as pistas e as estações de exercicio fisíco como também reduz, a velocidade alucinante, o emaranhado de eucaliptos e outro tipo de vegetação, que faziam deste um local aprazível de estar e exercitar. Em nome do modernismo, uma artéria do pulmão do centro da cidade esvai-se. Quo vadis, Maputo?

terça-feira, 24 de junho de 2008

Vira-latas

Em Maputo, é habitual ver-se pessoas a virarem e a revirarem latas de lixo. Alguns, a procura de restos de comida (algo quase impossível de encontrar tendo em conta o elevado custo de vida), outros de sacos e garrafas plásticas, de papel e de garrafas de vidro. De uma ou de outra forma, reconheça-se, estes vira-latas contribuem para a reciclagem de tais materiais.

O que irrita no exercício desta actividade, é que se misturam os diferentes tipos de lixo doméstico (de cozinha e casa-de-banho) e se espalham por tudo quanto é canto (sabido que na zona de pedra o lixo é acondicionado em sacos plásticos) e como o Conselho Municipal também joga o seu papel nesta história (não recolhe o lixo convenientemente), é o que se vê (moscas) e se sente (cheiro nauseabundo).

Aliás, já devia ser tempo de se colocarem latas de lixo especificas para cada tipo de lixo, não é? Mas já temos tantos problemas na recolha de lixo nas velhas, amolgadas e deficientes latas, algo que torna penoso o trabalho dos recolectores do lixo... o melhor mesmo é tentar gerir o que já temos.

Há também mamanas que andam de porta em porta à cata de garrafões de vinho de 5l para os trocarem por bacias plásticas, sendo a época festiva a mais rentável para este tipo de negócio. É também habitual ver-se gente a lavar garrafas de água mineral, de todos os tamanhos e feitios, na drenagem que separa a Avenida 24 de Julho da Avenida da OUA. Para que fim? Desconhecido! Talvez sejam essas mesmas garrafas que alimentam o negócio chorudo de venda de água gelada nos mercados, formais e informais.

Aparentemente, qualquer uma dessas formas de fazer dinheiro honestamente é rentável e a natureza agradece. Um exemplo disso é que cada frasco de perfume em vidro vale 2.5 Mt e um saco de garrafas do mesmo material (infelizmente apenas um certo tipo de garrafas) 50Mt.

Ora, numa 6ª feira, lá pelas bandas da Facim com a vista para o mar, facilmente se consegue encher 40 sacos, tal é o consumo de bebidas, o que representa um bom rendimento para quem as cata. Prova disso, é a disputa que ocorre na hora de consumo das 'pequenas' entre os catadores. E, ilustres, há até o risco de lhe arrancarem a 'exportação' da boca só para levarem a garrafa!

Importa referir o destino dado a tal produto? Não é apenas para o beneficio da natureza não, alguma indústria está por detrás desta 'febre dos vira-latas recicladores'. Espero é que não seja alguma indústria virada para a contrafacção...