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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Em nome da b'leza

A vaidade feminina já não mais tem limites! Vale tudo e mais alguma coisa. O mais importante é estar-se e sentir-se: mais linda, mais sexy, mais gostosa, mais ... A lista não acaba e cada mulher com a sua merecida razão! Os atributos, bonificados pela natureza e que sempre nos caracterizaram, não mais se apresentam como realmente são tanto na cidade como nos seus arredores pois o padrão de beleza transfigurou-se.

Já não se é nem se está 100% natural! Está-se é a caminho dos 100% artificial! Tudo, em nome da beleza. Essa que nos é mostrada pelas musas de inspiração, artistas e figurantes desnundas em video clips, trazida pelas manas da South, do Brasil, da China ou da India ou ainda vendida pelos estrangeiros com raízes firmadas cá na terra e que ditam a moda das damas.

Não mais nos apresentamos com tranças “tipo” xikwenheta ou s’três. O cabelo deve estar frisado ou com apliques de mexas, tissagens e extensões. As unhas, segundo dita a regra do momento, devem ser acrilicas ou de gel e sempre com a manicure em dia. Afinal, nail art é o que está a dar, vender e a lucrar... Parece que basta? Entra no pacote roupa e acessório que devem combinar na cor, formato e material.

E, não é tudo! Enquanto que umas tentam a todo o custo diminuir o peso, com chás adelgaçantes e dietas milagrosas, as curvas femininas de mulheres com posses são turbinadas com silicone e bisturi, no estrangeiro. Outras tantas mulheres preenchem suas “insuficiências” com soutiens almofadados e com a récem saída da fábrica calcinha-bumbum! Pois é, beleza é sacrificio no bolso, na mente e no corpo!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

14zinhas e o culto ao kota

Recentemente, em pleno chapa, acompanhei uma curta mas interessante conversa de duas quatorzinhas (aparentavam entre 16 e 19 anos). Txunadas e blingadas dos pés a cabeça, as moças falavam do kota que acabava de ligar para uma delas para um programa no principio da tarde, horário de expediente, num dos múltiplos motéis (?) que rapidamente floresceram dentro e na periferia de Maputo.

Kota é um termo provindo do vocabulário dos nossos irmãos "mangolés" e, conforme se diz, designa pessoas maduras ou mulheres confirmadas, entre nós, designam os nossos pais. No entanto, esta designação serve também parao homem, geralmente casado, o tal que gosta de quatorzinhas, com quem as jovens se relacionam para dessa relação adquirir dividendos em troca de favores sexuais.

A questão tem barba rija, mas um número significativo de mulheres, sobretudo as citadinas, tem tido como objectivo único apostar em relações das quais tirarão dividendos imediatos. À caça ao homem, passa pelo conhecimento do número das cifras que figuram na conta bancária da caça, do(s) carro(s) que possui, da casa onde vive, enfim, do status que tem e representa.

Não importa sequer se esse homem é casado! Se a caçadora é a 2ª, 3ª ou énesima mulher na vida do mesmo, o mais importante são os Mts que ele deixa aquando das sorrateiras visitas ou idas aos quartinhos, ou então a choruda mesada, o carro, a casa alugada e, em alguns casos, quando a moça é inteligente ou o homem extremamente atencioso, os estudos que pelo último são custeados. Quo vadis jovem moçambicana?

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O moçambicano de hoje

A imagem do homem citadino moçambicano, já não é o que era! MC Roger, Bang, Atanásio Marcos, Edson Macuacua, são alguns exemplos notáveis.

Mais arrojado, destemido na combinação de cores, vaidoso e preocupado com a sua imagem, o novo conceito, do moçambicano de hoje, é o que se plasmou chamar Metrossexual!


terça-feira, 9 de setembro de 2008

Manas

Mana é a forma respeitosa e carinhosa com a qual nos dirigimos às nossas irmãs, primas e cunhadas mais velhas ou outras mulheres pelas quais temos profundo respeito e que, portanto, gozam desse estatuto, ainda que não tenham relações familiares connosco pois, nos nossos hábitos e costumes, não se chamam os mais velhos pelo próprio nome.

Entretanto, ultimamente, este termo carinhoso e de muito respeito tem ganho outra conotação: Manas têm sido a forma como o pessoal do mundo gay, lésbico, bissexual, transexual e travesti, vulgo GBLT, mocambicano se têm chamado entre si. E, que a mão a palmatória seja dada, este grupo está a fazer furor no mundinho dos “normais” heterossexuais tanto pelo estorvo como pela admiração por tamanho desvio ou ousadia.

Recentemente, num programa de entretenimento, aquando do rescaldo do agitado fim de semana dos VIP’s da praça (entre eles cantarinos, DJ’s, apresentadores e outros) que enchem os ecrãs da TV e são alvos de mexericos que se circunscrevem em baladas ou ditos sociais (festas, discotecas, espectáculos, desfiles de moda, churrascos etc.) fomos brindados por uma celebração sui generis e que, segundo o apresentador do programa, as da filmagens não foram pacificas: uns estavam a favor e outros, evidentemente, contra.

A festa em questão, que era a celebração de um aniversário, tinha uma particularidade interessante, e não por ser um baile de mascarás ou qualquer outra festa temática. Entre os convivas estavam visivelmente marcadas as opções sexuais de alguns: por um lado uns aparentemente heterossexuais, logo os aceites pela sociedade, e por outro as “manas”, a pretensa escória da sociedade.

Uma dos convivas, que deu a cara, surpreendeu tanto pelo que disse como pelo aspecto visual de fazer inveja a muitas mulheres pelo txuning de alto a baixo (extensões capilares, piercing no umbigo, unhas de gel, calça txuna baby e sapato de salto altíssimo!). Entre os telespectadores, talvez pela questão colocada pelo apresentador, antes da reportagem, pairou a dúvida: enquanto que uns apostavam que o conviva era uma mulher, outros tantos duvidavam que tamanha beldade feminino escondesse um homem.

Quando a pessoa se apresentou usando cognome de mulher, Sheila, as dúvidas dissiparam-se: tratava-se mesmo de uma mulher. No entanto, as palavras do conviva deixaram meio mundo de boca aberta: “Sou uma mana!” Mana? O caldo entornou-se quando a “Sheila” afirmou categoricamente que muitos homens a procuravam, chegando ao extremo de metaforizar “todos os homens do Rovuma ao Maputo me conhecem”! O choque foi total: o que significará isso?

Na postagem Do armário para os palcos está patente que a exposição pública de Labiba e Lasanta não era pacífica e nem reunia consensos pois havia (e há) claramente muita gente contra e pouquíssimos a favor devido as opções sexuais contrárias a norma assumidas e divulgadas pela dupla. Longe de ser profetisa, pois está presente no artigo em referência, um dos impactos da ousadia da dupla seria na vida pública ou privada de todos GLBT moçambicanos pois a saída do armário já não seria (ou é) por uma fresta mas pela porta grande.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

VIP's dos chapas

Desde que no sector público o horário de trabalho é das 7h30 às 15h30 curiosos fenómenos ocorrem na nossa sociedade. A hora de ponta, é difícil de determinar pois as vias são inundadas por um mar de gente e pelo fluxo de carros por longos períodos de tempo. Isto se nos lembrarmos que há quem termine a jornada laboral entre as 17 e 18horas, e que o comércio que vai até as 19, e, em alguns lugares até mais tarde.

Tenho o privilégio de poder estar fatalmente na zona nobre e maldita da Polana Cimento, mais conhecida por Museu, por inerência da proximidade com o Museu de História Natural. Sim, na zona da terminal de chapas, das barracas, da (escola) Josina Machel, da (escola) Comercial, das Torres Vermelhas e da emblemática Ponta Vermelha.

Mas não é sobre alguns dos chef d’oeuvre da zona que me quero referir, mas sim ao terrível e penoso trabalho que é “apanhar” um chapa para casa nas horas de ponta ou nesse suposto periodo após um dia cansativo de labuta.

Não sei de quem foi a ideia, mas a iniciativa é de louvar, as terminais de chapa por zona, foram afastadas das fronteiras escolares, por sinal, vizinhas (Josina Machel e Comercial), se bem que a Comercial ressente-se a duplicar desse facto (todos chapas aglomeraram-se nas suas barbas, autocarros dos TPM incluídos).

Feliz ou infelizmente, alguns dos chapas, sobretudo os da rota da Matola, apostaram em instalar-se na avenida 24 de Julho, quase em frente a um restaurante emblemático e de digna referência. Também não é sobre isso que pretendo falar e sim sobre o longo período de espera que se perde na paragem, por sinal a primeira, por ser terminal.

Calma, também não é sobre isso que quero falar, isso é normal, como se diz vulgarmente. Pretendo é chamar atenção para as anormalidades (?) que ocorrem nas paragens. Não é nada sobre carteiristas, “bolsistas”, “celulistas” e outras queixinhas que costuma ver ou ouvir falar, ou que até sentiu na pele: é sobre as estudantes das escolas acima referidas que pretendo questionar.

Os chapas da rota da Matola, famosos Teniesse, de 15 lugares, dão o seu show na hora de ponta. Enquanto que uns batalham por um lugar na parte de trás do chapa, outros há que com agilidade disputam os 2 lugares da frente. Qual não é o espanto dos ágeis “pugilistas chapais” da parte frontal?

Os lugares da frente estão reservados a VIP’s que são nada mais nem nada menos do que as estudantes das escolas das redondezas! Sei que alguns operadores privados envolveram-se em chorudos negócios que consistem no transporte de crianças de e para as escolas. Iniciativa louvável, se fecharmos os olhos para o preço proibitivo e bofetadas para o Governo, que não condiciona o transporte escolar.

Mas, voltando à vaca fria: qual será o preço do privilégio de que gozam algumas das raparigas estudantes nos chapas? O mesmo que um Zé Ninguém desembolsa (7,5 Mt) pela mesma corrida? Se assim é, porque têm elas direito de não suar na luta pelos chapas? Porque os lugares são reservados para jovens com capacidades para viajarem desconfortavelmente em detrimento de mulheres grávidas, deficientes e idosos? E, porque só com as raparigas?

segunda-feira, 31 de março de 2008

Musas prostituidas

Nos últimos debates, na blogosfera, nos escritórios, cafés e lugares afins, muito se tem falado do Ziquismo, Fenómeno Ziqo ou seja da nova vaga de músicos moçambicanos pandza-dzukuteiros. Alguns, os defensores, dizem que ao menos a batida é boa (e é mesmo!) e outros, evidentemente os do contra, vão pela ladainha que já conhecemos e muito discutimos, por exemplo, na Oficina Ponto e Virgula e no Meu Mundo.

Tendo notado que nos debates acima citados pouco ou quase nada se falou doutros aspectos que circulam na esfera deste Fenómeno, refiro-me concretamente as donzelas (?) de curvas harmoniosas que se bamboleiam lascivamente nos
video-clips, encobertas por minúsculos retalhos de tecido onde quanto maior é o bambolear maior é a exposição ao “xilhamalisso”.

Paradoxalmente, os músicos não raras vezes, em fabulosos cenários de verão (digno das estrelas de Hollywood, afinal “Moçambique está sempre a subir”!) , na beira-mar ou mesmo em alto-mar (com direito a iates de sonho), apresentam-se vestidos com traje de Inverno: botas, casacos de cabedal, gorros e até cachecol. Um contraste verdadeiro à la mozambicaine!

Estas imaturas raparigas, que se alegram por terem (ainda) “tudo no devido lugar”, deixam-se aliciar por 1 minuto de fama ou por um punhado de meticais suficientes apenas para comprar um par de jeans txuna-baby, são musas prostituídas.

Corrompidas pelo piscar das luzes da ribalta, pelos sonhos de hoje (certamente pesadelos do amanhã), estas damas, não tem noção do quanto se expõe e que nada e nem ninguém salvaguarda(ra) seus direitos (períodos longos de exposição da sua imagem) pois não há contratos, tudo é na base da vontade e do momento.

Quo vadis jovem mulher moçambicana?