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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Bofetada de amor

Este mês é dedicado a criança, primeiro pelo Dia internacional da Criança, celebrado a 1 de Junho e pelo dia da Criança Africana celebrado a 16 de Junho. Este mês, tal como todos os outros, deve(ria) ser especialmente dedicado a demostração de afecto por todos que nutrem simpatias pelas "flores que nunca murcham".

Infelizmente, ao invés de se celebrar o mês com pompa e circunstância, so se ouvem relatos de pais que presentearam, os seus filhos com sopapos aplicados vilolentamente por razões diversas. A gestão de problemas pais-filhos é questionavel quando se aplica violência contra as crianças.

Ha quem diga que uma palmadinha não faz mal a ninguém, mas quando essas palmadinhas fazem com que as crianças tenham que ir ao hospital para ser tratadas das mazelas causadas e os seus pais a Esquadra para justificar seus actos, a coisa é muito feia.

Um miudo, sob pretexto banal, ficou na rua durante 15 dias porque seus familiares (tio e mãe) acharam que essa era a melhor solução para castigar o pretenso "pequeno gatuno". O bom do miudo é que nesse entretanto continuou a ir para a escola. Pena é que os vizinhos apesar de o alimentarem, deram uma esteira para que ele continuasse a dormir na rua...

Outro pai, com barba de impor respeito a qualquer um, espancou o seu filho porque supostamente "roubou" em uma loja. Outro pai ainda, fazendo uso da brutalidade de sua força fisica, maltratou a sua filha ao ponto de ser engessada porque "roubou" comida...

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Putizacao da juventude maputense*

Prostitutas sempre houve na nossa cidade. Era uma grupo relativamente pequeno, de moças e mulheres de parcos rendimentos, de familias pobres, que usavam o que Deus lhes deu e a ganância dos homens, para sobreviver economicamente. Ocupavam certos passeios, zonas de certos bairros e bares de certas ruas.
Mais recentemente, o grupo vem alargando-se, em número, em motivações, em métodos e em extractos sociais. E em género. As moças já não se prostituem só para não passarem fome. Prostituem-se para pagar a universidade. Para poderem comprar na Loja das Damas. Para poderem ir ao Coco´s. Já não trabalham só nas ruas, nos bairros da periferia ou nos bares da Rua de Bagamoyo. Passaram a ocupar mesas no Sheikh, no Mundo´s, no Lounge. Já não são pobres moças do subúrbio, são filhas da “classe média” que vivem em apartamentos pagos pelos Srs. Directores, conduzem carros pelos Srs. Directores, viajam à custa dos Srs. Directores.
Director aqui representa toda essa classe de homens bem-posicionados, para quem a prova de masculinidade passa pelo número de moças que vivem à sua custa. O facto de serem um bando de otários que acaba por sustentar não só a moça, a família da moça, mas também o namorado da moça, escapa-lhes, de tanto estarem deslumbrados pela sua recém-adquirida nova-macheza, irmã gémea da sua nova-riqueza.
Ao grupo das moças, juntou-se o grupo dos moços. São os que “servem” as kotas. As mulheres dos tais Directores. Abandonadas no lar familiar - os maridos estão sempre nas sextas-feiras do homens, bebem tanto que já são impotentes, e gastam o Viagra e o Enzoy apenas para provar às suas mocinhas que ainda são homens, e com extra cash com que os maridos compram a sua permanência no lar, saiem em busca dos moçoilos jovens, altos, fortes e sempre sedentos de cash para sustentar os vícios, as namoradas, os fins-de-semana, as roupas, os celulares da moda, etc. A kota paga cash, mas também paga o ginásio, os cursinhos, etc. Em troca, recebe a ilusão de satisfação e prazer. Uma minoria, mas crescente, desses moços já recebe carros, apartamentos e viagens ao estrangeiro.
Um fenómeno mais recente são os jovens que se vendem a sectores da comunidade gay. Este é o grupo mais prostituto. Pode argumentar-se que os outros fazem por dinheiro e benefícios materiais o que regularmente fariam na sua vida do dia-a-dia: sexo com o sexo oposto. A maioria dos jovens que se vende a membros da comunidade gay não tem apetências sexuais por homens.. Mas, hoje em dia, por dinheiro, pela quantia certa de dinheiro, vale tudo. If the price is right...
Alguns tentam manter uma risível aparência de dignidade masculina, dizendo: “eh, pá, eu só dou, não levo!”. Outros, pela quantia certa, entregam a boca e o c... e tudo o mais que o master quiser comprar. If the price is right... E até trazem outros bradas para a jaula do leão, se for preciso. Viram recrutadores. A troco de comissão. Viram os cafetinos de estimação. Têm direito a whisky, onde os outros só bebem cerveja. Têm direito a emprego, onde os os outros só recebem envelopes de dinheiro. Têm direito a cursinho, onde os outros só levam dinheiro para o fim-de-semana no Coco´s.
Infelizmente, esta minoria da comunidade gay que usa o poder do livro de cheques para adquirir a satisfação que é incapaz de conquistar por mérito próprio, essa busca interminável e inatingível do garanhão perfeito, está a criar não só um ambiente insustentável para o resto da comunidade, como emporca-lha a reputação da comunidade. Hoje em dia já é comum para qualquer caça-centavos desgraçado, qualquer aspirante a menino bem, chegar perto de alguém que ouviu dizer ser gay e perguntar: “ouve lá, pá, quanto é que me pagas para eu te f...?”! “És gay? Quanto pagas?”! Pagar o quê, para quê? Como se fosse a coisa mais óbvia que (1) todo o gay está tão desesperado por homem que f.. com qualquer um que lhe apareça à frente e (2) todo o gay paga dinheiro por sexo e só consegue sexo por dinheiro.
A situação está de tal modo, que até gays de condição económica inferior já começaram a fazer por dinheiro aquilo que sempre fizeram só por prazer. Basta que o outro gay tenha aparência de melhor posição sócio-económica. É a reprodução do modelo prostituto hetero dentro da comunidade gay. E assim vai a putização da nossa juventude!
*Autor desconhecido (artigo propagado por email)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Férias dentro de casa

Do nada, a sexta-feira foi "instituida" dia do homem. Dia esse em que os homens se dão a liberdade de sair do trabalho directamente para o txiling sem, sequer, uma passagem por casa, para um banho, mudança de roupa e satisfação a familia. Uns, os desportistas e verdadeiros adeptos da essência do dia do homem, aproveitam e bem para pegarem algumas de gargalo longo pelo pescoço, petiscam e cavaqueiam com amigos.

Outros, rabos de saia por excelência, e que não aguentam manter, fora de casa, o ziper fechado juntam o útil ao agradável: vão ao campeonato das loirinhas, acrescentam a isso o balançar do esqueleto numa discoteca qualquer ou ao som altissimo dos carros e depois partem para momentos de pura perdição com as garinas da banda esquecendo, algumas vezes, da importância da camisinha.

Ter um dia só de homem, é um direito, e deve também existir um dia só da mulher! Depois de uma cansativa e stressante semana laboral, aliada aos biscatos e tricatos infindáveis para facturar mais algum, uns copos, papo com os brothers, música do carro ou do bar, são uma forma de alivio e descompressão se se pensar que ao fim-de-semana o tempo será inteiramente dedicado a familia.

Mas a coisa tornou-se tão banal que muitas esposas e companheiras, desses homens, já nem sequer se preocupam com isso, até agradecem pois tem um tempinho só para si para a novela, sem o pressing do jantar, da roupa do dia seguinte, etc. Por outro lado, como a ocasião faz o ladrão, verdade seja dita, há mulheres que se aproveitam da ocasião para tirarem também uma lasquinha. Se há igualdade de direitos, também estão no seu direito, não é?

As marujas de primeira viagem, essas, com medo de perder o carapau, esforçam-se em mudar o cenário, tentando participar activamente nos meetings masculinos, mas, acabam duma ou de outra forma levando um KO, de tantas tampas, e entram no circulo vicioso das mulheres conformadas e relaxadas ou das inconformadas e das txiladoras que pagam pela mesma moeda.

Mas, ultimamente, parece que esta prática já não é suficiente para contentar os machões moçambicanos: agora inventaram as viagens dentro de casa. O que será isso? São viagens, geralmente de trabalho ou de negócio, inventadas pelos homens, para se instalarem confortavelmente durante um tempo nas Casas 2 sem para tal terem que dar satisfações a Casa 1.

Ou seja, os homens tiram dias de férias ou até continuam a ir ao trabalho, mas não retornam a casa no final do dia laboral! As artimanhas são tantas que até as costumeiras e poupadas ajudas de custo, que tanto ajudam nos projectos da familia, passam a não ser canalizados por aqueles "exploradores que nos matam de tanto trabalhar sem pagar nada", assim justificam.

Como se não bastasse, ainda retornam a casa com roupa suja como se os "habituais hóteis", de outros tempos, em que se hospedam a trabalho não mais lavassem roupa. Player com estatuto? Tenham dó!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Condimentos para o prazer

Chocolates, perfumes, morangos, óleo de amendoas e outros condimentos, ditos afrodisiacos, regados por um borbulhante espumante ou imitaçao (vale tudo!), por certo terão figurado no menu e/ou complimento duma de suas noites calientes. Certo? Se não, pelo menos no seu imaginário, alimentando por eróticas imagens cinematográficas ou fotográficas o(a) terão posto a sonhar nessa possibilidade.

Se até bem pouco tempo, por inerência das idas e vindas de moçambicanos ao Brasil e recentemente à China, o novo El dorado, tem sido fácil ter acesso a alguns itens que tem o condão de deixar alguns doidivanas e com os sonhos realizados pela diversidade, que o mercado oferece, os itens do prazer estão mais próximos do que se pensa.

Hoje, fantasias sexuais com (ou de) enfermeiras, médicas, secretárias, noivas, estudantes e mesmo prostitutas ou ainda de (ou com) advogados, policias (mas sem a farda cinza!) e bombeiros podem ser realizadas pois casas de especialidade em lingeries já oferecem esses itens na nossa praça para o striptease caseiro, masculino ou feminino, algo sui generis.

Calcinhas, cuecas e tapa-seios comestiveis, chicotes e algemas, dados eróticos com o jogo do beijo ou o do Kamasutra, géis de banho, óleos para massagens, guloseimas afrodisíacas, preservativos com sabor e que retardam a ejaculação e outros produtos/acessórios eróticos, talvez de todo desconhecidos ou nem por isso, já estão ao alcance das nossas inconfessáveis fantasias.

Decerto que a pergunta será: "Onde se não temos sex-shops?". Pois é, realmente não temos sex-shops, aliás a venda deste tipo de produtos por cá é proibido pelo que é feito “por detrás do balcão”. Na senda do negócio, estão, como não podia deixar de ser, nigerianos e as meninas que “empreendem” no Brasil e, claro ultimamente, na China.

Portanto, vulgares boutiques ou lojas de roupas, tem como outra vocaçao vendere condimentos para temperar os momentos à dois. Se as propostas à vista não lhe agradam, não hesite, encomendas via catalógo são aceites e, por favor, apimente os seus momentos de prazer a dois enriquecendo com inovações que só levam a melhor pois é um jogo onde o empate tem sabor a vitória...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

“Bater na rocha”, a última neura

O número de cantarinos (expressão copiada no Nullius in Verba), em particular na capital, cresceu como se de mosquitos do pântano se tratassem após uma copiosa chuva de verão. O sucesso fulgrante dos mesmos e a avidez do público em querer consumir um produto nacional e actual fez com que os primeiros atingissem pedestais de fazer inveja a muitos: grande parte da classe saiu directamente do anonimato para o estrelato.

No entanto, ultimamente o espectro do insucesso apoquenta esta mesma vaga de músicos moçambicanos. Vulgarizada pelo “Puto mais fofo da Africa Austral”, Fred Jossias, a expressão “Bater na rocha”, que significa estar na mó de baixo, que é algo de que todos cantarinos fogem como se de uma seringa de penilicilina se tratasse, resume a nova neura.

Se até bem pouco tempo os pandza-dzukuteiros, alguns rappers e outros que não se afirmam em nenhum style, mas que passeam na mesma carruagem, afirmavam que a prata da casa era suficiente para assegurar um show, hoje as coisas parecem estar a mudar de rumo e a voltar ao que era antes: os estrangeiros é que chamam o people!

Voltando à vaca fria, o trauma da cabeçada ou de carregamento da rocha é uma questão verdadeiramente preocupante. Bate na rocha quem não se faz presente nos programas televisivos, com particular incidência, quem não lança hits, quem não está nos tops que fazem render as operadoras ou quem cujos espectáculos reúnem um número insignificante(?) de espectadores.

Bom ou mau, bater na rocha ou raiar a isso muitas vezes apoquenta músicos e labels que tem carisma e produzem beats de reconhecida qualidade (tanto na batida como no conteúdo construtivo) tudo porque quem os devia apoiar opta por propagar o vazio, o nudismo, consumismo, exibicionismo, snobismo e outros -ismos: editoras, produtores de espectáculos e patrocinadores.

Os cantarinos, esses, ao invés de amadurecerem, com as observações da sociedade e de músicos verdadeiramente esclarecidos, pelo vazio de seus hits, nada mais fazem do que aproveitar os momentos de luz, camera e acção e flashes à mistura, para “mandar para China” quem os contraria, critica ou aconselha a aproveitar o sucesso para fazer pandza sim mas com valores contrários aos que ouvimos/vemos actualmente.

Produzir um albúm de qualidade, nem pensar, o que vale é a quantidade de hits, presenças nos tops, nas Tv’s, nos shows em playback, enfim expôr-se ridicularmente de óculos escuros debaixo do holofotes! O pressing é tal e total que a todo custo não se quer correr o risco de bater na rocha ou então há bifes na área com cenas de pugilato à mistura!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

14zinhas e o culto ao kota

Recentemente, em pleno chapa, acompanhei uma curta mas interessante conversa de duas quatorzinhas (aparentavam entre 16 e 19 anos). Txunadas e blingadas dos pés a cabeça, as moças falavam do kota que acabava de ligar para uma delas para um programa no principio da tarde, horário de expediente, num dos múltiplos motéis (?) que rapidamente floresceram dentro e na periferia de Maputo.

Kota é um termo provindo do vocabulário dos nossos irmãos "mangolés" e, conforme se diz, designa pessoas maduras ou mulheres confirmadas, entre nós, designam os nossos pais. No entanto, esta designação serve também parao homem, geralmente casado, o tal que gosta de quatorzinhas, com quem as jovens se relacionam para dessa relação adquirir dividendos em troca de favores sexuais.

A questão tem barba rija, mas um número significativo de mulheres, sobretudo as citadinas, tem tido como objectivo único apostar em relações das quais tirarão dividendos imediatos. À caça ao homem, passa pelo conhecimento do número das cifras que figuram na conta bancária da caça, do(s) carro(s) que possui, da casa onde vive, enfim, do status que tem e representa.

Não importa sequer se esse homem é casado! Se a caçadora é a 2ª, 3ª ou énesima mulher na vida do mesmo, o mais importante são os Mts que ele deixa aquando das sorrateiras visitas ou idas aos quartinhos, ou então a choruda mesada, o carro, a casa alugada e, em alguns casos, quando a moça é inteligente ou o homem extremamente atencioso, os estudos que pelo último são custeados. Quo vadis jovem moçambicana?

domingo, 26 de outubro de 2008

De novo na rota da pedofilia?

Recentemente dois carros foram apreendidos com menores do sexo masculino provindos do norte com destino a Maputo, sob pretexto de serem escolarizados pelo/para o Islão.

Sendo a zona norte um local islâmico por excelencia porque sera que as criancas tem que ser deslocadas de uma ponta a outra do pais e, pior ainda, nas condições e formas como o processo é feito?

Sendo o nosso pais laico, qual e a importância de termos tantas criancas a serem formadas exclusivamente para essa orientacao religiosa?

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O moçambicano de hoje

A imagem do homem citadino moçambicano, já não é o que era! MC Roger, Bang, Atanásio Marcos, Edson Macuacua, são alguns exemplos notáveis.

Mais arrojado, destemido na combinação de cores, vaidoso e preocupado com a sua imagem, o novo conceito, do moçambicano de hoje, é o que se plasmou chamar Metrossexual!


quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Garotos de programa

A primeira vez que ouvi a expressão garoto de programa, que até foi na vertente feminina para se referir as Damas da rua vulgo prostitutas, foi numa das múltiplas novelas brasileiras de que há algum tempo atrás era admiradora. Actualmente, a expressão invadiu o nosso espaço.

A invasão dos chats na TV, pela via do SMS, abriu espaço para a publicitação da prestação de variados serviços sendo que alguns especialmente direccionados para a mulher e engana-se quem pensa em cursos de culinária ou bordado pois há uma inovação: os garotos de programa.

Os garotos de programa, que florescem como mosquitos depois da chuva, ao contrário das Damas da rua, agem discretamente pois apenas anunciam, na telinha, que prestam esse tipo de serviços e deixam número para contacto, sem qualquer outro detalhe.

Aparentemente, este tipo de serviço tem tido sucesso se levarmos em conta que há muita mulher que procura a todo o custo alcançar o desconhecido, mágico e misterioso orgasmo que nem em casa, para as casadas, ou com o namorado, para as solteiras, o adquirem.

No caso de homens que apreciam outros homens, este é um meio para haver apenas contacto sexual sem que para tal haja necessidade de haver sentimentos a permeio ou de exposição à sociedade por serem figuras ou pessoas com cargos de chefia.

Como ouvir dizer não se escreve, coragem reunida e.. dedilhei um dos números anunciados. Do outro lado da linha, voz máscula e forte responde: _ Alô! O papo começa a rolar. Cumprimentos ultrapassados, e a palpitante curiosidade, de minha parte, em saber mais…

_ E aí, é verdade essa história de garoto de programa?
_ É sim! Não foi por isso que ligou?
_ Poderia ser gozo, não é?
_ Podia sim, mas não é! É assunto sério!
_ OK! E que tipo de serviços presta?
_ Todos relacionados com sexo.
_ Sério?
_ Sim.
_ Tudinho mesmo?
_ Tudo. Está interessada?
_ Humm… na verdade tenho mais curiosidade que vontade… Mas quem sabe?
_ Isso é normal e não é a primeira que acontece. Pode ser em sua casa ou se preferir num hotel. Sou discreto e muito carinhoso, você vai gostar.
_ Você atende homens também?
_ Eu não, mas o meu companheiro de quarto sim. Pretende algo com seu marido ou namorado?
_ Não, nada disso, apenas curiosidade. Me diga, porque você faz programas?
_ Bom sou estudante universitário, bolseiro… A bolsa não chega, a alimentação é uma seca… Fazendo isto posso alimentar-me bem, ter mola para as cópias, roupas e até mando algum para a família lá na província (…)

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Banco 1 e os arranjos familiares

Os filhos são a riqueza dos pais, portanto quanto maior for o número, melhor”! Quem não conhece este ditado ou dele nunca ouviu falar como justificação para proles enormes? Bom, cada um é livre de pensar como quer e de fazer o que para si acha elementar.

É paradoxal a forma como os progenitores encaram a vinda dos filhos de sexo determinado. Para uns, uma filha é sinónimo de problemas, a curto prazo, infelizmente desconheço as reais motivações, mas se vivêssemos em sociedades em que os casamentos dependem de dotes, a história poderia ter o seu sentido.

Para outros, ter uma filha é sinónimo de riqueza de seus progenitores pois são elas quem lhes garantem uma velhice tranquila e isso nem sempre ou poucas vezes é pela via da profissão que exercem e dos rendimentos que dela advém, mas sim pelo casamento.

É de conhecimento geral que muitos casamentos são delineados no seio da família e as motivações para isso também são diversificadas. Ora porque não se quer uma filha “encalhada”, ora porque o homem em vista “manda mola”, o Banco 1 (já que também existem Casas), e logo é um potencial genro a não perder sendo que esta prática não é só característica das cidades. Assim sendo, aquele sentimento profundo que povoa os nossos sonhos e que esperamos que dure eternamente, o amor, vai para o ralo.

No campo, não se foge a regra, as motivações para o casamento, principalmente prematuros (entre raparigas e homens adultos) são as mesmas: aliviar-se do peso que a rapariga representa e/ou manter a ideia machista e preconceituosa de que a mulher não precisa formar-se pois para as suas funções de dona-de-casa e mãe não precisa de nenhum canudo.

Outro aspecto que ressalta destes casamentos “arranjados” pela família, ao contrário dos antigos em que os pais prometiam seus filhos ainda crianças à outra família, tem o condão de ser poligâmicos. Ou seja, logo à partida a família da moça aceita/obriga a que esta se case com um homem que já tem outra(s) Casa(s), transformando-a oficialmente numa Casa 2. O mais importante, é o volume dos Mt’s com os quais o homem “bate a mesa” no final de cada mês!

Nesses casamentos poligâmicos, onde o homem, ou Banco 1, “bate a mesa” comme il faut, não há razões de queixa, no entanto, não há bela sem senão. No campo, algumas mulheres para evitarem a convivência com outras esposas, continuam a viver na casa dos seus progenitores mas gerando filhos. Como consequência deste aumento do agregado familiar, aumenta também a despesa e se o marido não colabora há rixas.

Na cidade, talvez porque mais avisadas e experimentadas, as famílias até incentivam que as filhas procurem outro “Banco”, o 2, desde que este comparticipe nas despesas da casa e outros. Aliás, estes genros são tão essenciais na dinâmica familiar que em cerimónias da família nada se faz sem a chegada deste, indo-se, por vezes, ao extremo de não enterrar alguém a tempo e hora porque o Banco pagador está ausente!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Segredos familiares

A noção de família, de acordo com a lei da Família (nº 10/2004 de 25 de Agosto), artigo 1 diz que: “ A família é a célula base da sociedade, factor de socialização da pessoa humana.” O artigo seguinte, refere que “ a família constitui o espaço privilegiado no qual se cria, desenvolve e consolida a personalidade de seus membros e onde devem ser cultivados o dialogo e a entre ajuda”.

No seio das nossas famílias, há aqueles segredos que só uns e em grupo restrito da família tem conhecimento. Exemplos disso, para os que acreditam, são as idas aos curandeiros por inúmeras razões: a existência de algum primo ladrão, de uma irmã débil mental, em suma, os frutos pobres são bem escondidos.

Muitas vezes, quando se fala de casos de abuso sexual, constata-se que o violador é quase sempre alguém próximo da vítima, prova disso são os casos-padrão reportados em Inocência roubada ou Violador.

De há uns tempos a esta parte, amiúde são reportados casos de incesto que indignam toda uma sociedade, extravasando as nossas fronteiras de compreensão de actos hediondos pois na nossa cultura, a figura do pai é das mais respeitadas. Abalados ficamos com o acto incestuoso, abafado pela própria família, no qual pai engravidou a filha e desse acto resultou um rebento do sexo feminino.

Não satisfeito com o primeiro acto, já de si tenebroso, o mesmo individuo violou a rapariga resultante do primeiro acto incestuoso, ou seja, a sua filha-neta. A família, essa, como da primeira vez, continuou impávida e serena, afinal essa fruta podre é mais um segredo de família. Revoltada com o que lhe tinha acontecido, a filha-neta manifestou publicamente este acto impuro que em nada dignifica o verdadeiro sentido de família, logo de família moçambicana.

Acima da frustrante tentativa de reconstituição da arvore genealógica deste caso, está a vergonhosa atitude da família na pessoa da esposa do fulano (mãe e avó, das vitimas) e demais familiares que mais uma vez abafaram o caso em detrimento da salvaguarda da honra e bem-estar destas raparigas, logo, dos Deveres da família que visam:

a) Assegurar a unidade e estabilidade próprias;
b) Assistir os pais no cumprimento dos seus deveres de educar e orientar os filhos;
c) Assegurar que não ocorrem situações de discriminação, exploração, negligência, exercício abusivo de autoridade ou violência no seu seio;
d) Velar que age respeitados os direitos e os legítimos interesses de todos e de cada um dos seus membros.

Agora, os media reportam o caso de um pai de 60 anos que abusava sexualmente de duas filhas suas de 12 e 14 anos, em Inhambane. Teremos perdido a noção do papel da família? Por onde andam os valores que sempre regularam as famílias? Porquê desta inversão de papéis ou ainda que justificações existem para a troca de papéis nas nossas famílias?

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Assédio sexual: mal real ou ignorado?

Para muitos homens, e algumas mulheres, até hoje, mulher que trabalha e é bem sucedida no seu trabalho é sinonimo de envolvimento com os chefes. Felizmente, nos dias que correm, algumas mulheres têm sabido impor-se em meios de trabalho hostis em que se pensa que a mulher só pode lá estar para ser servente, recepcionista ou secretária. No entanto não tem sido assim com todas.

Falar de violência doméstica contra a mulher e a rapariga, na nossa sociedade, é já de si um assunto tabu. Denunciar alguém por assédio sexual, é uma missão espinhosa e praticamente impossível. As razões para tais atitudes covardes têm muitas explicações e no caso particular, do assédio sexual, decerto que a hierarquia do abusador e a chantagem em muito devem contar.

Quando uma mulher assediada, no seu local de trabalho, desabafa com alguém sobre a questão, o ouvinte associa o desabafo a vontade desta em querer ascender profissionalmente ou financeiramente negligenciando as qualidades, talento e competências da mulher como ser humano e profissional. A tendência do confidente é interpretar o desabafo como uma forma usada pela assediada para dar legitimidade a sua subida de posto ou ao mal estar no trabalho.

Nos locais de trabalho, a própria lei do trabalho não é difundida nem pelo empregador e muito menos pelos abutres dos sindicatos que nada fazem em prol da classe pela qual supostamente velam. Esperar acções de inspectores ou denunciar infractores é o mesmo que oferecer a outra face: a bofetada cai na cara da assediada.

As organizações femininas, essas fazem ouvidos de mercador, ou ignoram completamente, como se de um filme de ficção se tratasse, fazendo parecer que a nossa sociedade não se compadece de tais abusos. Aliás muitas das ONG’s femininas reúnem-se apenas para sessões de chá e de desfile dos últimos gritos da moda adquiridos aquando de viagens pelo mundo sob pretexto de que “vamos lá colher experiências para implementar por cá”.

Posto que o desconhecimento da lei de forma alguma ajuda e, se porventura, as mulheres se queixam à Liga, seguramente a única que se bate pelos direitos dos cidadãos, ao ritmo dos tribunais, no que tange a mulher, antes vale ficar calada e consentir ou simplesmente abandonar esse posto de trabalho sem as devidas indemnizações, das quais muitas vezes nem se têm conhecimento.

Se denunciar um marido violento é de si complicado, o que se pode fazer com um chefe que chantageia e humilha em troca de um mísero salário? Ou de um hipotético posto que tem como objectivo único garantir total serventia ou escravidão sexual por parte dessa mulher honesta e trabalhadora?

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Manas

Mana é a forma respeitosa e carinhosa com a qual nos dirigimos às nossas irmãs, primas e cunhadas mais velhas ou outras mulheres pelas quais temos profundo respeito e que, portanto, gozam desse estatuto, ainda que não tenham relações familiares connosco pois, nos nossos hábitos e costumes, não se chamam os mais velhos pelo próprio nome.

Entretanto, ultimamente, este termo carinhoso e de muito respeito tem ganho outra conotação: Manas têm sido a forma como o pessoal do mundo gay, lésbico, bissexual, transexual e travesti, vulgo GBLT, mocambicano se têm chamado entre si. E, que a mão a palmatória seja dada, este grupo está a fazer furor no mundinho dos “normais” heterossexuais tanto pelo estorvo como pela admiração por tamanho desvio ou ousadia.

Recentemente, num programa de entretenimento, aquando do rescaldo do agitado fim de semana dos VIP’s da praça (entre eles cantarinos, DJ’s, apresentadores e outros) que enchem os ecrãs da TV e são alvos de mexericos que se circunscrevem em baladas ou ditos sociais (festas, discotecas, espectáculos, desfiles de moda, churrascos etc.) fomos brindados por uma celebração sui generis e que, segundo o apresentador do programa, as da filmagens não foram pacificas: uns estavam a favor e outros, evidentemente, contra.

A festa em questão, que era a celebração de um aniversário, tinha uma particularidade interessante, e não por ser um baile de mascarás ou qualquer outra festa temática. Entre os convivas estavam visivelmente marcadas as opções sexuais de alguns: por um lado uns aparentemente heterossexuais, logo os aceites pela sociedade, e por outro as “manas”, a pretensa escória da sociedade.

Uma dos convivas, que deu a cara, surpreendeu tanto pelo que disse como pelo aspecto visual de fazer inveja a muitas mulheres pelo txuning de alto a baixo (extensões capilares, piercing no umbigo, unhas de gel, calça txuna baby e sapato de salto altíssimo!). Entre os telespectadores, talvez pela questão colocada pelo apresentador, antes da reportagem, pairou a dúvida: enquanto que uns apostavam que o conviva era uma mulher, outros tantos duvidavam que tamanha beldade feminino escondesse um homem.

Quando a pessoa se apresentou usando cognome de mulher, Sheila, as dúvidas dissiparam-se: tratava-se mesmo de uma mulher. No entanto, as palavras do conviva deixaram meio mundo de boca aberta: “Sou uma mana!” Mana? O caldo entornou-se quando a “Sheila” afirmou categoricamente que muitos homens a procuravam, chegando ao extremo de metaforizar “todos os homens do Rovuma ao Maputo me conhecem”! O choque foi total: o que significará isso?

Na postagem Do armário para os palcos está patente que a exposição pública de Labiba e Lasanta não era pacífica e nem reunia consensos pois havia (e há) claramente muita gente contra e pouquíssimos a favor devido as opções sexuais contrárias a norma assumidas e divulgadas pela dupla. Longe de ser profetisa, pois está presente no artigo em referência, um dos impactos da ousadia da dupla seria na vida pública ou privada de todos GLBT moçambicanos pois a saída do armário já não seria (ou é) por uma fresta mas pela porta grande.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Pare e pense !

De longe umas das publicidades nacionais mais bem concebidas, Pare e pense ! é o slogan da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC) que em parceria com outras instituiçoes/paises promove uma terapia de choque no combate ao HIV/Sida. Na versão televisiva, a publicidade, que é bem simples e muito bem idealizada, não traz nenhuns artifícios e salamaleques como têm sido hábito.

Quanto ao conteúdo, este está ao alcance de todos, tanto dos que fazem parte de redes, dos que dela pretendem fazer parte e dos que, como Diabo, fogem da doença prevenindo-se e evitando relações promíscuas. Puro exagero, na verdade, pela forma como nos é apresentado o conteúdo, qualquer sensibilidade pode ser abrangida.

A história é representada por um diagrama com diferentes personagens, sugerindo diferentes níveis sociais e faixas etárias e narra uma história do dia-a-dia. A história real dos intricados envolvimentos sexuais que viraram mania neste país, sobretudo no meio urbano.

Tudo começa com o senhor Sitoe, casado e director de uma empresa e que está sempre ocupado com várias reuniões (no caso jovens raparigas). Uma das raparigas, envolve-se, por sua vez, com outros tantos homens e assim a teia (vários parceiros) se vai esticando e a rede se instalando (o HIV/Sida).

Mas, eis a transcrição (incompleta e, talvez, infiel pois uma e outra palavra podera ter escapado) da publicidade, que com muito sentido de humor e ironia à mistura, relata a nossa realidade social (onde todos os grupos sociais e idades mais propensos à infecção saltam à vista) e mostra que o sucesso e a progressão na vida provém da explosiva equação = sexo + dinheiro, onde homens maduros e de posses, (...)
envolvem-se com mulheres, as vezes, bem mais novas do que eles.

Os jovens acreditam que são mais homens quando tem a namorada, a pita de sacar cenas, a coroa que banca... Yeah, são uns players!

Diz-se também que as moças, essas, para além do namorado, têm vários ministérios (homens com posses) que ajudam nas diferentes despesas. Enfim, vamos lá ver como isto funciona, afinal!

Este é o director Sitoe, casado com a dona Amélia. Ele é uma pessoa muito ocupada: são reuniões (jovens raparigas) para aqui, reuniões (outras jovens raparigas) pra lá. Para a Kátia e para a Nati, o director Sitoe é um ministério: o das Finanças!

Mas não chega! A vida tá difícil e porque a universidade esta muito cara... a Nati, que namora com o Nuno, precisa de um ministério da Educação: o senhor Namwaka, que é casado. A Kátia tem um
swing com o Jango que também namora a Nina.

O Jango é um player! Faz manutenção a dona Débora, coroa, que é o seu ATM. E que é esposa do senhor Smith, dono dum lodge, que põe pressão na Bia (e não beer) que trabalha no caixa do restaurante e que também solicita os préstimos da Terezinha.

Mas, paremos um pouco! Se todos estes relacionamentos implicam relações sexuais, isso significa que todos têm relações sexuais uns com os outros!

Imaginem se o Jango tiver HIV! Então, pode ter passado pra Nina, pra Kátia e pra Débora. Portanto, todos correm o risco de ser infectados pelo vírus já que fazem parte da mesma rede de relações sexuais.
E você? Pertence a alguma rede? Pare e pense!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Duas faces

Costuma-se dizer, e muito bem, que tudo nesta vida tem duas faces prova disso, são alguns dos depoimentos telefónicos apresentados de seguida:

“Legalizar a vergonha que acontece na rua?” (Mustafa)
“Sou contra a legalização da prostituição!” (Isaac)
“Legalizar é importante. É difícil mas há que organizar esta prática.” (Mário)
“Legalizar, sim. Determinando a idade, os locais para tais práticas e olhando para a questão da segurança social”. (Paulo T.)

Estes são os testemunhos de alguns participantes, todos homens, no debate sobre a legalização da prostituição, promovido pelo programa Espaço Público da STV e que foi enriquecido pela presença da Presidente da Liga Moçambicana de Direitos Humanos, Alice Mabote que salientou que agora não é oportuno legalizar a prostituição pois há necessidade de se fazer um estudo, sobretudo quanto à idade para exercer tal profissão.

No início da semana passada, profissionais (?) de sexo vieram a público expor à sociedade civil, ao Conselho Nacional de Combate ao Sida e ao Governo (Ministério da Justiça e da Mulher e Acção Social) as questões que as apoquentam no seu dia-a-dia laboral.

Denominada como a mais antiga profissão (?) do Mundo, a porta-voz do grupo das trabalhadoras de sexo denunciou que são discriminadas, desprezadas e maltratadas tanto nos centros de saúde como nos órgãos de assistência social, devido ao serviço que prestam.

Estas mulheres denunciaram também a Policia [polícias chulos? ou chulos polícias?] por perseguição, violência, extorsão e abuso sexual sob pretexto de que as mesmas exercem a sua prática em locais públicos [algo que me faz questionar: farão estas mulheres sexo sozinhas na rua ou com clientes? Porque estes não são também “punidos” pela Policia?] e à vista de todos.

Este grupo de mulheres solicitou as entidades presentes que criassem uma legislação especifica para o incremento da sua actividade e num espaço apropriado (bordéis) para a desenvolverem, condições sanitárias que vão do aconselhamento e despistagem ao tratamento de HIV/Sida tendo também reiterado o seu direito à segurança social, afinal nada é eterno.

Assunto tabu, pelo menos no nosso país e em alguns círculos, há entretanto prostitutas assumidas e outras que não o são mas que vivem uma vida de luxo e que ninguém questiona, afinal estão no seu direito. Agora que as damas do sexo vieram a público, uma questão se levanta: deve-se ou não legitimar a prostituição? Se sim ou se não, porque razões?

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Cumulo do charlatanismo

Audaz, destemido e cara-de-pau, é assim que se pode caracterizar o jovem Nelson Bata, mecânico de profissão (com passado criminal, no seu próprio local de trabalho, na Beira, onde é acusado de ter roubado o motor de um autocarro que deveria “tratar”) que até à ultima 2ª feira exercia a função de médico ginecologista no Hospital Geral José Macamo e no hospital Central, por sinal o de maior referência em Moçambique.

Denunciado por uma presumível paciente, Nelson Bata, protagoniza assim uma façanha de arrepiar os cabelos de qualquer um que recorre aos serviços públicos de saúde e não só. Bata, que confessa o exercício ilegal de Medicina ginecológica, disse que para as suas actividades contou com a ajuda de funcionários das unidades sanitárias que lhe facultaram, entre outros, a bata, o carimbo e a prerrogativa de constar na escala de médicos, nas unidades sanitárias acima referidas.

Desconhecido pela direcção do hospital, que pede tempo para investigar o caso mas que estranhamente enviou-lhe uma nota de culpa por excesso de faltas; repudiado pela classe médica, pela voz da sua presidente, pelo acto abominável e pelo ministro da Saúde, que apenas reconhece a existência de redes de venda de material cirúrgico e de medicamentos, o caso do jovem Nelson é a demonstração clara da vulnerabilidade do nosso sistema publico de saúde.

Recentemente, foi denunciado um enfermeiro por tentativa de violação de pacientes no centro de saúde do Porto. O caso ainda não esfriou, como se costuma dizer, e somos brindandos com mais esta "bomba".
Nesta altura dos acontecimentos, apenas nos interrogamos:
  1. Quantos mais médicos serao falsarios?
  2. Por onde anda a inspecçao médica?
  3. O que sera feito as pacientes atendidas pelo mecanico?
  4. Quem as ressarcira pelos possiveis danos e sequelas causados pela mão do mecanico?
  5. ...

terça-feira, 13 de maio de 2008

Homicidio: o extremo da violência doméstica

De forma alguma pretendia fazer do presente espaço um "fait divers", mas não consigo ficar imune as barbaridades que ocorrem com a mulher, no seu todo, e com as moçambicanas, em particular. Diz um velho ditado, sobre a explosiva reacção amor e violência: “quanto mais me bates, mais te amo”. Não se sabe se por amor ou por ódio, mas a verdade manda dizer que um cidadão, não identificado publicamente, espancou até à morte, na madrugada último domingo, a sua amante, que visitava nos finais de semana.

A jovem rapariga, de 21 anos, que vivia num quarto alugado pelo seu assassino, na zona de Cumbeza, e sem o consentimento dos pais, encontrou a morte após uma rixa aquando do retorno do casal duma barraca onde estivera na noite de sábado.

Desconhece-se o motivo da briga, mas a esposa do homicida, Isabel Afonso, reconhece que “sabia da existência da tal amante” e que no regresso a casa (após consumar o acto) o seu marido lhe pedira uma corda para se enforcar.

Fonte: Jornal da noite STV

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Enfermeiro abusador

Na ultima 2ª-feira, um grupo de três mulheres, não identificadas, mas que ousou dar a cara, denunciou publicamente um enfermeiro do Posto de Saúde do Porto, em Maputo, de molestação sexual.

Segundo as próprias, quando atendidas para consulta, o mesmo terá pedido que se despissem, e que isso incluía a roupa interior, para avaliação do seu estado de saúde e posterior diagnóstico. As vitimas ter-se-ão dado conta das intenções desonestas do enfermeiro quando este as perguntou se não se estavam a excitar pelo que ele lhes estava a fazer (acariciar os seios e introduzir os dedos nos órgãos genitais, com o agravante de o fazer sem luvas).

Posto isto, as vitimas denunciaram-no ao responsável do Posto, e como não quiseram que o assunto caísse em saco roto, fizeram-no também diante das câmaras da STV.

O Director da Saúde da Cidade de Maputo, António Paulino, terá dito, sobre este assunto, que afinal trata-se de quatro mulheres e sobre o enfermeiro em causa corre um processo disciplinar, que este já sofreu uma repreensão e que poderá ser expulso do Aparelho de Estado.

A Associação de Enfermeiros de Moçambique, pela voz da presidente Matilde Basílio, condena, e com muita razão, a atitude do colega. A Presidente avança como hipótese o facto de o referido individuo "poder estar doente".

A dado passo da sua alocução, a M. Basílio diz que averiguo que "afinal não se trata de um enfermeiro (?) mas de um qualquer(?)"! De seguida, a representante dos enfermeiros no pais, critica as senhoras por terem aceite efectuar “exames internos” sem que o profissional (?) estivesse dotado de luvas(?).

Francamente, não sei porque as pessoas quando estão no poleiro fingem que não estão a par das carências de seus sectores quanto a falta de material de trabalho. Acredito que as vitimas submeteram-se a esse risco por acharem que se encontravam perante um profissional tendo este o dever de acautelar-se de qualquer risco para ambos. Ademais, num exame ginecológico existe sim a possibilidade de se introduzirem os dedos nos órgãos genitais femininos.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Violador macabro

Cornélio Sitoi, encontra-se de detido e com o processo a caminho da PIC (Polica de Investigaçao Criminal) por ter violado duas idosas no bairro Nkobe, arredores da cidade de Maputo.
Segundo a primeira vitima, o jovem te-la-a violado por duas vezes e nao satisfeito com a sua performance, ter-se-a deslocado à casa da segunda vitima, a 50m da primeira onde partiu o vidro da janela para lograr os seus feitos. Apos o acto, como que com o consentimento da segunda vitima, C. Sitoi pegou num sono profundo do qual foi acordado pela Policia que de imediato levou-o aos calabouços.
Chamado a falar sobre este assunto, em particular, no Telejornal da TVM, o causidico José Caldeira disse que se tratava dum " crime grave que incorre à pena de 2 à 8 anos de prisao e que pode ser agravada devido ao risco de contaminaçao por doenças sexualmente transmissiveis".
O jovem pegue em flagrante delito, disse que nao sabia porque razao teria feito tais actos, refugiando-se no alcool como motivaçao visto que, como ele mesmo falou "tem uma namorada que vive no bairro de Maxaquene". De referir que as idosas estao a ser assitidas por uma associaçao local.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Sexo fragilizado

Mulher é sexo fraco ! Quantas vezes já ouvimos esta expressão? Ou até a utilizamos?

Pode até ser, pessoalmente discordo. A mulher não é um sexo fraco e muito menos tem um sexo fraco! Se o tivesse ou se o fosse, não seria ela quem poria no mundo crianças pela via do tal sexo fraco ou então não receberia nele muitos homens, no caso, em referência as prostitutas. Evidentemente a questão não passa pelo sexo entanto que órgão, mas pela percepção da figura da mulher na nossa sociedade.

Estereótipos deste género perseguirão a mulher por longo tempo sobretudo se mentes retrógradas não perceberem que a mulher é um ser igual ao homem em termos de capacidade e competências e isto se pode testemunhar no relato poetizado de Mamana Josina, uma mulher moçambicana.

Grande parte de homens, moçambicanos, porque não a maioria, precisa perceber que a mulher não é tão fraca como pensa. A sua fragilidade reside, em muitos casos, na falta de poder de negociação. Um exemplo concreto disso, é quando um homem regressa das minas da RAS e diante do pedido de sua mulher em fazer o teste do HIV, recusa-se em faze-lo ou em usar o preservativo alegando infindáveis desculpas e motivações que passam pela suspeita de infidelidade por parte da mulher. Diante duma atitude deste tipo, a mulher tem que se sujeitar a tal marido com os riscos evidentes de que tal acto pode causar.

Por outro lado, os ensinamentos adquiridos ao longo da infância e juventude, pela via dos ritos de iniciação e outros meios de transmissão de tradições que ensinam a mulher a submeter-se ao homem sem o questionar, são alguns dos factores que fazem com que a mulher seja considerada sexo fraco.

Este facto, é repisado por Olívia Massango que num trecho do artigo Incógnita social refere que “as pessoas do sexo feminino são orientadas para uma determinada postura social, diferente das do sexo masculino. Assim, sem poder de escolha, são ensinadas a gostar de bonecas, a brincar de cozinhar, de arrumar a casa, etc., tudo num claro propósito de logo cedo aprenderem a ser mulheres. Sim, porque, no meio em que vivemos, ostenta o título de mulher aquela pessoa do sexo feminino que sabe cuidar da casa, da família e, acima de tudo, que reconhece a autoridade do homem no lar, seja ele marido, tio, avô, irmão ou filho”.

Felizmente, sem bem que em número reduzido, a mulher tem pautado ultimamente pela sua auto-formação e formação, e como consequência disso, aprendem a brigar pelo que dignifica e faz bem, tanto para si como para seus filhos e toda a família. Esta afirmação da mulher, muitas vezes, é vista como uma atitude de desrespeito e até de humilhação por alguns homens que não vêem de bons olhos o crescimento da sua própria mulher/esposa. Como resultado, entre os outros factos, lares aparentemente sólidos são desfeitos e as mulheres ficam a mercê de si próprias na incansável luta pela sobrevivência.