Mostrar mensagens com a etiqueta Jovens e putos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jovens e putos. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 28 de março de 2011

Estórias de Maputo (39)

A opção de incluir no currículo moçambicano a cadeira de Noções de Empreendedorismo, ao contrário da disciplina de Agropecuária, particularmente na Grande Town, está, para jovens avisados o surtir algum efeito. Uma moda muito recente, aprendida das oficinas televisivas doutros exemplos de sucesso, está a fazer furor no seio da moçada e, quem a faz, esfrega as mãos de contente.

O tal negócio é o da criação de colares e de outros acessórios feitos com base em vestuário, de preferência de algodão, aparentemente sem nenhuma serventia. Por conta disso, muitos adultos se têm queixado do desaparecimento de camisetes e não se lhes conhecem o destino... Contudo, isso são outros quinhentos !

Ora, visto que as fontes de matéria caseira tendem a revelar-se insuficientes para tamanha procura, é habitual ver-se as meninas, entre pouco menos ou pouco mais de 15 anos, envoltas em fardos de segunda mão a procura de t-shirts das mais variadas cores para a produção do negócio que está a dar.

No local de aquisição do material, a compra é feita a preços irrisórios (5Mt/unidade) se bem que, desconfiados de que algo está a acontecer, os fornecedores tendem a duplicar o preço da matéria-prima, mesmo daquela que já era dada como perdida. Ora, com ou sem essa tendência, por sua vez os colares são vendidos no ambiente escolar a preço de 100 à 125 Mt ou só a mão-de-obra se de amigas se tratarem.

As manas dos salões de cabeleireiro, que nunca estão distraídas, compram esses produtos e revendem-nos duas ou três vezes mais o preço inicial que não é de todo barato. Evidentemente, por enquanto o negócio é bom ! Mas, para as artesãs dessa arte, fascinada pelos dividendos imediatos que o corte e o retorce dos panos traz, descuram outra obrigação e dever que lhes é fundamental : estudar !

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

"'Stá" a bater!

O ano lectivo está prestes a terminar. Pelos corredores das escolas constata-se uma azáfama incomum.

Dum lado, encontram-se os professores numa correria contra o tempo; a regularizar testes dos alunos faltosos, elaborar pautas, aprender a trabalhar a todo custo com Excel, participar em conselhos de notas, afixar… e, do outro lado, como formigas atrás do açúcar, os alunos cobrem as salas dos professores e os cercam no estacionamento, nas paragens de chapa, nas portas das casas de banho, nas cantinas, nas barracas mais próximas. Tudo isso a procura de valores para passar de classe ou admitir ao exame.

Nos corredores, o cheiro de urina das toilettes foi substituído por feromonas das alunas, que circulam semi-nuas, com andares suaves, dançantes, sorrisos pálidos, prontas a negociar o seu néctar com os professores pobres em moralidade e de zipes menos seguros.

Paira no ar a luxúria, o negócio, a cumplicidade, o sexo implícito, que por momentos confunde-se com a zona quente. Nos corredores, ouvem-se ecos de risos de hienas. Nos rostos dos professores predadores, brilham olhos cristalinos, feito comerciantes prestes a consumar um negócio.

Bocas com cheiro de fome foram substituídas por arrotos de satisfação, de esperança. Afinal a profissão de professor tem lá alguns benefícios….Há alegria pelo merecido troféu que enfim vai chegar, para terminar a obra que só se move nos finais de semestre, para comprar um carro de segunda mão, um fato sonhado, colorir a mesa da família ou ser o “paga bem” na barraca da zona.

Paira injustiça nos corações dos alunos menos afortunados de corpo e agrados, pois mesmo tendo se esforçado, vão repetir o ano. Paira esperança nos olhos dos alunos afortunados, dos alunos mais queridos, que anseiam ter no ano que vem professores negociantes como os do presente ano…. E assim se faz o ensino….

Texto da autoria de F. E. Changule, in Facebook

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Alerta vermelho

Qualidade e segurança são preceitos que contam bastante na escolha da escola na qual as crianças, adolescentes e jovens se (vão) forma(r)m. Na concorrência com escolas públicas, frequentemente as escolas privadas são eleitas por apresentarem, a par de outros aspectos não negligenciáveis, perfis com altos padrões de contrôle na segurança e na qualidade de ensino.

Verdade é que essas escolas transmitem tanta segurança que muitos pais se limitam, em grande parte dos casos, em manter em dia as mensalidades com alguns laivos de participação em reuniões para as quais são convocados, quando não enviam o filho, empregada ou guarda para os substituirem.

Naturalmente, o facto de estudarem em tais escola, em alguns casos, faz parecer que esses meninos são filhos de pessoas com muitas posses, o que não pode de toda a forma ser generalizado. Contudo, o meio de transporte, os casacos, o calçado e as pastas de marca, os leitores de música e telemóveis top gama, deitam por terra qualquer argumento nesse sentido.

Como há gente que não está cega a "esses argumentos", os meninos bonitinhos passam a meninos-vitimas pois outros meninos, mais vividos e "empreendedores", aproveitam-se desses sinais para os aliciarem, com sua amizade e compreensão dos problemas que caracterizam essa faixa etária, para caminhos obscuros onde impera sobretudo a poeira e o fumo.

A principio em pequenas doses, "só para experimentar" e pouco depois, quando já começa a animar, no "se quiseres mais traz lá tako, tuas sapas, algo da tua casa ou cenas do teu kota, pra gente biznar e dividir", os argumentos que reflectem o modus vivendi dos meninos bonitos transforma-os em isco do que todos sabem que existe por aí e esperam que não exista entre os muros escolares.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Fofos d'hoje, feras d'amanhã

Há algum tempo testemunhamos horrorizados, por via de imagens televisivas, reportagens jornalisticas e/ou em sites Internet, os feitos devastadores dos "pequenos bois" nas terras do samba : crianças, adultos e idosos, mordidos, alguns dos quais mortalmente. As razões de tamanha agressividade do animal foram exclusivamente imputadas aos donos, seus criadores.

Com a moda do copy and paste, os pit bull foram importados para a pacatez da nossa terra. E, muitos donos, ao invés de transmitirem essa serena pacatez à la mozambicaine, criam os bichos incentivando-os justamente a serem ferozes. Confiantes de que, por os alimentarem, são senhores e donos de tamanha punjança, pouco se importando com sua própria integridade física e dos que lhes são ou estão próximos.

Recentemente, em plena luz do dia e na via pública, ocorreu um espectáculo tão assustador até para pessoas ligadas ao ramo da veterinária e que habitualmente lidam com cães. Dois adolescentes, que mal conseguiam segurar com firmeza uma pitt bull, de 1 ano de idade, puseram-se a treina-la no sentido de activar os seus instintos assassinos.

A dado momento, dos treinos, um dos jovens subiu a uma acácia, segurando um objecto circular que as meninas usam para brincar ao hula hula. Ora, o jovem em referência, estava a mais de 2m do chão e o outro, que segurava a cadela, estimulava-a a saltar para alcançar tal objecto.

A principio, a infantil cadela nem percebia quais eram as pretensões do duo. Mas de tanta insistência, logo entrou na nova brincadeira. No entanto, como as regras de jogo ainda não eram conhecidas pelo animal, esta não largava o brinquedo e por isso era açoitada pelos adolescents. Cansada, a cadelinha não mais não fez do que atacar os mesmos.

Diante desse facto, estes largaram-na e esta, também assustada, pôs-se a corer gerando aflição aos trausentes. Valeu a proximidade de uma empresa de prestação de serviços de veterinária que tranquilizou a fera com um dardo. Mas a questão persiste... e amanhã como será ?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O rugir do leão

Nas nossas televisões, há algum tempo, tem corrido uma saga publicitária, ao estilo « bonecos animados », interessante e cómica, marcadamente moçambicana, protagonizada por um grupo de petizes, no qual se destaca o potente e invencível Pepito, que visa, na verdade, promover os feitos de um arroz de produção ( ?) e marca nacional, geralmente acompanhado por um feijão « que só a minha mãe sabe fazer », com poderes comparáveis às performances do rei da selva.

Com episódios, muitas vezes, relacionados com eventos políticos e sociais, como feriados nacionais (dia da celebração da independência, dia da mulher moçambicana, etc.) e datas especiais (jogos olimpicos, celebração do natal, dia dos namorados, por exemplo), a saga do Pepito e de seus companheiros, entre eles o Mandinho, é afincadamente acompanhada pelos demais petizes. É só olhar para as atitudes e formas de expressar dos mesmos !

Ora sabido quais são os « poderes » do rei da selva, no início da saga, a palavra de ordem pressupunha que ao consumir tal arroz ganhava-se força e energia. Com o andar dos tempos, viu-se o Pepito, a princípio um magricela, a ganhar massa corporea e a despender muita energia, como nos episódios em que jogava uma partida de ténis, ganhava corridas (apesar de todos os obstáculos que lhe eram colocados) ou no concerto pelo Natal, que de tão electrizante, ao estilo hard rock, se esparramou no chão.

Com o andar dos tempos, outros slogans foram construídos. O episódio mais recente, com slogan Estamos mais fortes !, mostra o Pepito e seu companheiro de brincadeiras, o Mandinho, contra dois outros rapazes, num jogo, que a princípio parece « cochet/coché ou morto », mas com bolas, de dimensão menor que as do andebol e maiores que as do ténis, que com toda força e energia, as lançam uns contra os outros até, claro, ao derrube dorido da equipe adversária.
Conhecidas que são as manias das crianças, grupo mais atento a esta saga, de tudo imitar, especial atenção deveria dar-se ao tipo de brincadeiras promovidos e a linguagem usada, senão grrrrrrrrrrrrrrr...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Estórias de Maputo (1)

6ª feira, 15h em grande parte das instituições públicas, espera-se impaciente pela hora H: 15h30, a hora de fechar as portas e partir para a gandaia, a famosa 6ª do homem. A estes junta-se um cortejo de outros tantos companheiros, bizneiros, trabalhadores de instituições privadas e estudantes nocturnos, que são "conectados" sobre o local da batida e aos poucos a turba se junta em malta.

Muitos, conforme o poder de pagamento do seu bolso, o período do mês ou do rendimento do xitique que a malta faz para o txiling, desembocam nos senta-baixo do bairro, nas barracas famosas por algum tipo de serviço qualquer que convém a malta (petisco, paga 1 leva 2, sistema de vale, etc.), nos bares, nas casas de pasto, nos bottle store e nas bombas de combustível.

Nos bottle store e nas bombas, poucos, para não dizer mesmo raros, são os que lá vão para abastecer as suas garrafeiras ou as suas viaturas, razão da existência desses lugares. E já lá vai o tempo em que se "abastecia" para uma batida na marginal! Hoje, bombas e bottles stores, tornaram-se pontos de encontro de uma malta específica e facilmente caracterizável: jovens proprietários de viaturas e seus acompanhantes.

Para além de garrafas e latas, maioritariamente de alcool, que nunca faltam nesses meetings, os beats dos "sabufas", que tocados em simultâneo, provocam mixes de fazer inveja a muitos Dj’s da praça e arredores, em alto e bom som animam a malta que globalmente não respeita as tabuletas "Não consumir bebidas neste local" ou "Alcool proibido a menores de 18 anos".

Aliado a isso, desrespeita-se completamente a postura camarária que postula que 21h é o tempo limite para excessos sonoros em espaços públicos, sob pena de se ser punido (?) nos termos dessa mesma lei. Junta-se a isso o facto de, ao perfilarem-se tantos carros, as viaturas que realmente pretendem abastecer quase que se devem "ajoelhar" aos primeiros para usufruirem desse direito.

Como se não bastasse, dizem alguns moradores das proximidades desses locais, sobretudo das bombas, que casais há que no pico da noite, refugiando-se na desculpa esfarrapada do alto(?) teor de alcool consumido, não se coibem em "comer e repartir o fruto proibido" sob o olhar impávido e sereno dos outros que aplaudem e comentam as performances do bacanal bombiano.

Por outro lado, nos bottle store, o cenário não se diferencia muito do primeiro pois até ao raiar do dia, extremamente alcoolizados, grupos de jovens se bamboleiam ao sabor do som dos carros. Aqui a coisa fede um pouco mais pois este tipo de estabelecimento a priori não oferece sequer uma das habituais e imundas toillettes nas quais seus clientes se possam aliviar dos litros de alcool consumido.

Como consequência disso, inconsciencializados pelas saborosas geladinhas, muitos perdem o pudor e a classe que tinham no início do meeting e aos olhos de qualquer um puxam da ferramenta para se aliviarem. O pior acontece quando as ladys baixam os txuna baby e mostram o inominável perdendo toda a posse de mademoiselle extensões e unhas de gel!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O preço da pedofilia

“Ele chamou me pelo portão e deise me para entra na casa dele para me dar chá. Estavamos na sala só nós dois, ele tirou as calças e mandou me chupar o pénis dele. Eu estava sentado e ele deitado. Ele gritou comigo para eu chupar rapidamente o pénis dele. Depois mandou-me embora e deu me 10 meticais para eu comprar coisas para comer”, refere o menor na primeira pessoa.

10 miseros meticais! Um valor tao irrisorio que mesmo os mendigos o recebem com désdem. 10 meticais, uma pechincha que os guardadores de carro recebem amuados e a contragosto. 10 meticias foi o preço pago a uma criança, pelo seu vil abusador para pagar e matar a fome de uma inocente criança.10 meticais!

PS: Não me entendam mal, não estou contra a pechincha em causa, é uma métafora contra o acto vil desse cidadao e sabe-se la quantos outros mais!!!

domingo, 26 de abril de 2009

As crianças de hoje (4)

Lidar com o dinheiro

No passado, na nossa fase de criancice, ter na mão uma reluzente moeda dada pelos papás era um grande tesouro. Essas moedas, que não raras vezes eram coleccionadas e recontadas até a exaustão, serviam para comprar o Kurika (revista de banda desenhada), postais, selos, uma ida ao cinema e depois ao Carrocel na feira, um refrigerante e um bolo no Scala ou no Continental.

E as crianças de hoje? Se até bem pouco tempo pediam dinheiro para comprar rebuçados com tatuagem, não tarda muito ou já estão a pedir mola para o seu crédito, para levar a Patricinha (menina rica e mimada) ou a Mariazinha (pobre Maria lá do bairro) ao teatro, depois para lanchar e ainda comprar crédito para esta, isto sem contar “naquelas sapas que toda malta tem menos eu”, etc.

Apesar de todas as adversidades, de uma ou de outra forma, pautamos sempre por poupar algum, pois nunca se sabe o que o futuro nos reserve e nada é eterno. Será que estamos a preparar os nossos filhos para a incerteza da vida? Decerto que sim, guardando sempre que podemos ou com regularidade possivel algum dinheiro para eles na “eventualidade de...”. E o hoje e agora: como gerir?

O nosso salário, infelizmente só é pago uma vez por mês, mas as despesas, essas não param nunca: a todo o momento estamos a pagar algo e até nós mesmos nos questionamos sobre a proveniência do dinheiro para cobrir tanta despesa. E os nossos filhos? Como reagem face ao dinheiro? Como fazê-los rentabilizar o pouco que podemos dar? Dar uma semanada, uma mesada ou sempre que eles dele precisarem?

Muitas vezes, sobretudo no meio escolar, vemos crianças com elevadas quantias em dinheiro vivo. Os pais alegam que é para a garantir a opção de escolha de seus filhos no menu escolar, outros nem sequer justificações apresentam: tem tanto que já não sabem o que fazer senão dá-los aos filhos/crianças com todas as consequeências que dai advém (inveja dos outros, logo furto na carteira dos pais). Preocupação legitima mas errada.

É de salutar pais que se preocupam com o futuro de seus filhos, não só lhes garantindo uma formação como também um pé de meia para a vida futura. Mas se, neste momento, não damos a esses filhos as ferramentas de gestão destes e de outros valores como achamos que eles se portarão face a um bolo relativamente maior e inesperado? Poucos serão os sábios a ponto de o usar da mesma forma que poupam.

A quem diga que quanto mais tardio for o contacto com o dinheiro melhor é para as crianças. Mas, as nossas crianças, desde muito cedo tem contacto com o dinheiro porque vendem ou compram produtos na rua: rebuçados para o “babar” (porque o pai quer sair e o miúdo está aos berros), pão na esquina, crédito (porque é um menino moderno e tem que estar on), alface (porque a menina já sabe preparar a salada), para o chapa, etc.

Dar as crianças um valor para que elas aprendam a geri-lo é saudável para a sua educação económica. No entanto, não podemos cair no erro de fazer parecer que estamos a efectuar um pagamento por serviços ou bom comportamento, essas actividades e postura são obrigações face a familia. Mas como proceder? Dar o dinheiro e deixar o miúdo gerir a seu gosto e vontade? Quando dar? Como dar e com que objectivo? Breve, como ensinar as crianças a lidar com a mola?

sábado, 7 de março de 2009

Ladrão faz... a ocasião

A cada dia os modos de lucrar com os bens alheios ganham contornos extraordinários dignos de menção em algum prémio em que a performance e originalidade são avaliadas. Por exemplo, falar ao telemóvel na rua é um risco tremendo. Incorre-se ao risco de se levar uma tareia porque se está a falar muito tempo ou porque afinal o télélé não tem valor comercial.

Se recuarmos no tempo, verificamos que passamos por algumas crises: a do ouro (brincos, fios, anéis, mascotes) que causou alguns traumas pois até crianças eram vitimas de sequestros relampagos só para que lhes roubassem os brincos. Num outro cenário, indo ao mercado, por exemplo, as mamanas da banca para além de lucrarem com a sua compra, também tinham as suas jóias de bacela.

Com o advento do télélé, as coisas complicaram-se ainda mais. Posto que meio mundo, sobretudo o chamado sexo fraco, tem pavor de fazer uso do mesmo em plena rua, estes passaram a usar lâminas para cortar as bolsas e levar os telemóveis. Nos chapas, após alguns amansos indecentes e apapadelas discretas à bolsa, pelos mais ousados gatunos, estes atrevem-se a meter a mão sacola adentro e zás... já era!

Estas e outras ocurrências, que muitos vivemos na pele ou testemunhamos todos os dias, obrigaram a que muita mulher guardasse, na mala do xiguiane (objecto que acompanha as récem-casadas ao novo lar), as suas preciosidades (jóias e capulanas) juntamente com o enxoval ou peças de valor monetário e emocional (vestido de noiva, lençol da primeira noite, etc.).

Diz uma máxima, sem usar as justas palavras, “se a montanha não vai ao nosso encontro, vamos nós ao encontro desta”. Arrombar portas em muitos lugares é um risco que pode custar o coiro dos bandidos e disso eles sabem muito e bem. Para contornar potenciais situações perigosas e ainda assim lucrar os gatunos adoptaram outra estratégia e até mulheres entram na jogada.

Tal como acontece à porta dos cemitérios, em que há pessoas prestativas para com a familia enlutada, e que depois vão as casas para tomar o “chá do defunto” sem preguiça, agora há pessoas que aproveitam o momento de nojo para lucrar e nada escapa aos olhares atentos e a gatunagem que está no sangue dessas pessoas que já comprovaram que de sentimentos nada têm.

Logo que é anunciada a morte de alguém, vizinhos, familiares e amigos aproximam-se da familia/casa enlutada para ajudar na organização das exéquias funebres ou só para dar apoio moral. Tradicionalmente, os idosos da familia instalam-se na casa em luto desde a primeira hora. Posto que as estadias são relativamente prolongadas, levam com eles bens pessoais como roupa, capulanas e mukhumes.

Nessa hora, dificilmente são controladas as entradas e saidas das pessoas pois nem todos são conhecidos e apenas se quer o amparo destes e todas as mãos estendidas são bem acolhidas, ademais esta ocasião é o único evento social que não requer convite! É pois nestas ocasiões que os gatunos demonstram a sua genica e maldade.

Quando se trata de uma mulher, esta ao chegar a casa enlutada, é de uma dinâmica extraordinária: sempre prestável, é a tal que varre a casa, está na cozinha, serve as refeições, cuida das crianças, é solicitada por todos e ninguém a conhece. Paira no ar a sensação de ser a dama do filho do finado ou amiga da filha, talvez vizinha, ou prima afastada filha daquele tio que veio da terra... uma desconhecida.

Os moços, gatunos, ajudam a carregar as cadeiras, as tendas. São prestáveis no serviço braçal, com ar sentido, falam muito pouco e fazem muito. Alguns tios da familia até os levam as suas casas para buscar algo, incrivel. Tal como a jovem acima, ninguém o conhece, apenas é um dos mais prestativos e frescos elementos na casa, pelo que não se hesita em solicitar os seus préstimos.

O golpe final realiza-se, muitas vezes, no dia do funeral: a moça apressa-se em oferecer-se para ficar com as crianças e com a casa enquanto “as manas” vão ao cemitério e, enquanto os adultos estão ausentes, esta fica a lapidar tudo quanto é possivel (roupas, sapatos, capulanas, mukhumes e bens alimentares) sem distinção de pertence de visitas, dos donos da casa e do finado.

O mesmo acontece com os moços: fingem qualquer coisa, como um mal-estar, ou prestam-se a fazer um serviço que não foi previamente feito, devido a emoção do momento, e objectos de fácil e discreto transporte, como leitores de DVD, telemóveis, roupas e sapatos são tranquilamente surripiados, também sem distinçao de propriedade. Vale tudo!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Xicalavithu

Todos os anos a estoria se repete: enchentes se intalam à porta dos Conservatorias dos Serviços de Registo e Notariado. A intenção é unica: registar cidadãos nacionais muitos deles com 6 anos de idade. Esta avalanche supera a capacidade de compreensão de qualquer um, ainda que as razões para tal possam ser justificadas apesar de por isso perderem o sentido, e das entidades de tutela da area de registo.

Ha um tempo relativamente curto, o Ministério da Justiça ensaiou a possibilidade de registar os récem-nascidos à porta da maternidade. Esta opção, com as suas vantagens para o sistema, chumbou no campo das tradições pois antes de se dar um nome a alguém, moçambicano que preza as tradições familiares deve consultar as entidades do Além sobre o nome a dar ao seu filho.

Se até ao momento de se precisar do comprovativo de registro para a matricula de crianças estes não figuram na estatistica nacional e nem tem uma identidade, como são chamados os miudos? Em casa e na vizinhança, havendo necessidade de o designar nominalmente é Paizinho/Papaito, Mãezinha, Fofa/o, Maninho/a, Avô/Avo, Pucucho/a, etc, etc. E, algumas pessoas, à guisa de gozação, chamam a criança de "xicalavithu" (inonimado/a).

Esta situação, para além de mostrar o descaso de muitos pais revela outra situação triste pois ha casos de crianças que, infelizmente, perdem a vida e que, e que são registadas "à beira da cova", excepto os récem-nascidos, para que figure um nome na sua certidão de obito enquanto que ter um nome é um direito de todo o cidadão.

Com as modernices, Internet incluida, muitos pessoas, sobretudo os jovens, mal a gravidez é visivel a olho nu, mas porque as tecnologias médicas permitem identificar o sexo do bebé, "txulam" (dão um nome) a sua criança. No entanto, este baptismo nem sempre cai bem aos ouvidos dos guardiões das tradições familiares e se volta ao circulo vicioso.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Show de estrelas mirins

O ultimo programa televisivo Quem te conhece, não te esquece jamais Moçambique em Concerto, brindou-nos com uma sessão sui generis: os artistas convidados (cantores, humoristas, instrumentista e apresentadora mirim) foram crianças (adolescentes e jovens) que foram apadrinhados por artistas de renome como Ancha, Sizaquiel Matlombe e Adérito Gomate.

Para além das potentes e belas vozes em bruto, que esperam lapidação por parte de artistas mais experientes e/ou de instituições apropriadas, como a escola de Música, o show foi ao vivo, no verdadeiro sentido da palavra, e não do já habitual, por estas paradas, play back.

A intrumentação de todo o show esteve a cargo do talentoso baterista, teclista e vocalista Sofixo, que mereceu, com pleno direito, uma vénia do professor e músico Adérito Gomate e foi sem dúvida a mais brilhante das estrelas do programa.

Este show, foi uma montra de que há talentos inatos precisando de orientação e de espaço para se fazerem valer ao contrário do que se vê nos dias de hoje pelos cantarinos. Aliás, espero sinceramente que muitos tenham aprendido alguma coisa das estrelas mirins, afinal nunca é tarde para aprender.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Oportunidades de “bizni”

A vaga de chuva que abateu a cidade de Maputo, durante o fim-de-semana, criou o caos em algumas zonas de Maputo, com especial enfoque para as zonas periféricas. Os jovens, incentivados, talvez, pelo último espirito que abala a mente nacional, aproveitaram a oportunidade para “empreender”.

Por exemplo, na fronteira dos bairros da Munhuana e do Chamanculo, tendo em conta que muitos citadinos dedicam o dia dominical para louvar o Senhor, os jovens ficaram de tocaia nas imediações das igrejas para “socorrer” os fiéis. A sua atitude “patriótica” tinha como finalidade única lucrar algum na desgraça dos outros.

O gesto consistia em carregar os fiéis de um ponto para o outro, para evitar o aprumado mergulho em vestes de gala nas intermináveis e extensas lagoas criadas pelo fim-de-semana diluviano, pela modesta quantia de 2 a 5Mt consoante o porte do cliente calculado a olho.

Caso o “cliente” optasse pelo “mergulho condicionado”, os prestáveis rapazes não deixavam os seus créditos em mãos alheias: aconselhavam o cliente a dobrar as calças ou a erguer a saia e indicavam pedras estratégicamente colocadas, por estes mesmos, para uma travessia semi-tranquila.

No entanto, esta opção pagava-se caro pois as pedras eram previamente dispostas uma cada vez mais distante da outra, o que obrigava a caricatos malabarismos e, a meio do percurso, no lugar de pedras, os “clientes convencidos”, pisavam uma esponja e ... imagine-se o fim da comédia!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Festas dos putos

Alguém se lembra de como eram as nossas festas infantis antigamente? Aquelas em casa, mesmo, em que os adultos ficavam conversando na sala, enquanto as crianças “se acabavam” a brincar por todos os cantos? Sozinhas ou entre si, sem bábás, sem brincadeiras pré-programadas com pula-pula, palhaços, pintadores de caras, carrocel, etc.?

Quando você, como convidado, chegava à porta, ninguém exigia um convite para depois procurar, na lista, o seu nome e de seguida indicar-lhe uma mesa. Na hora do “Parabéns a você”, não eramos obrigados a “play-backarmos” o jingle que o DJ toca: um coro ruidoso e destoado era entoado pelos convidados!

Lembra-se que o corte do bolo era no fim da tarde? Sim, um pretexto para que as luzes fossem apagadas e que na palidez das velas todos olhares se viravam para esse momento mágico. Você se lembra? Nessa altura, os mais corajosos faziam discursos e desejavam longa vida ao aniversariente e até se entoavam os cânticos habituais lá de casa sem receio de envergonhar os babados pápás que tinham convidado o chefe à festa?

Recorda-se? Os humildes, mas preciosos e apreciados, presentes eram entregues ao próprio aniversariante e não amontuados numa mesa preparada para o efeito e que depois fazem o aniversariente nem sequer saber quem lhos tinha ofertado, se você se esquece de lá pôr um cartão? E depois da festinha, não haviam lembracinhas ou brindes! No máximo, dava-se um pedaço de bolo ao mano mais velho que nos tinha vindo buscar?

Pois é, nada que se assemelhe às mega produções que vemos hoje em dia: tudo mudou! Também, até ocasiões que não devem, na minha modesta opinião, merecer tanto salamaleque são pretexto para eventos do calibre de um casamento (esses também ostentivos demais)! Veja-se que uma simples cerimónia de graduação, da creche, que mais não é do que uma despedida, é razão suficiente para merecer um buffet 5 estrelas!

Nós, pais, é que promovemos esses eventos e, o engraçado, é que os nossos filhos não acham a minima graça. Esta nossa atitude, talvez se possa justificar como sendo uma forma de os compensaremos pelas nossas frequentes faltas e, também, sejamos francos, rasgados elogios e palmadas nas costas, pelo sucesso da party, engordam o nosso ego.

Formúlas mais simples e eficazes podem surtir o mesmo efeito e, neste tempo de crise, até um bolo e uns refrigerantes levados à escola ou a creche, têm maior impacto do que festanças em que muitas vezes os miúdos nem sequer conhecem os convidados. Mas, as nossas festas, animavam ou não? Então que tal resgata-las?

domingo, 26 de outubro de 2008

De novo na rota da pedofilia?

Recentemente dois carros foram apreendidos com menores do sexo masculino provindos do norte com destino a Maputo, sob pretexto de serem escolarizados pelo/para o Islão.

Sendo a zona norte um local islâmico por excelencia porque sera que as criancas tem que ser deslocadas de uma ponta a outra do pais e, pior ainda, nas condições e formas como o processo é feito?

Sendo o nosso pais laico, qual e a importância de termos tantas criancas a serem formadas exclusivamente para essa orientacao religiosa?

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Rampa da fama ou pilar da desgraça?

Temos testemunhado, ultimamente, a uma curiosa avalanche de concursos de cultura geral, música, dança, humor, sorte, enfim, um vasto leque de ofertas do qual apenas alguns jogadores, os supostos melhores, têm o privilégio de algo ganhar.

Apesar da sua multiplicidade e das multifacetadas formas pelos quais se apresentam, os concursos têm em comum o facto de usarem, directa ou indirectamente, o serviço de Short Message Service, vulgo SMS, e que foi narrado em SMS mania.

Este curioso boom, cultural e intelectual, tem o condão de ter por detrás de si grandes empresas, como é o caso das operadoras nacionais de telefonia móvel, logo, deduz-se que se tratam de operações de marketing. O outro ponto comum deste boom é o uso dos canais de televisão como centros de difusão, isto no que tange ao entretenimento.

Se por um lado os concursos alimentam o intelecto de conhecimentos de cultura geral, por outro divertem. A ideia, essa é boa, pois as pessoas acabam interessando-se por assuntos que habitualmente não lhes instiga a curiosidade, isto em concursos de cultura geral/conhecimento.

Todavia, regra geral, os outros concursos geram frustração: tanto para os jogadores como para os que vêem e de alguma forma contribuem para os jogadores. Tudo isto porque os critérios de jogo não são claros e transparentes. Nunca se conhece a tendência de votos, excepto no famigerado Jogou, ganhou onde se recebia mensagens informando que se estava próximo do grande prémio.

Sicrano ganhou! Por que percentagem de votos? A ditadura do voto, muitas vezes têm posto no pódio quem não merece, em detrimento de verdadeiros dons cujos destinos só a persistência ou a sorte podem manter. E la vamos de novo a outra roleta russa...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Garotos de programa

A primeira vez que ouvi a expressão garoto de programa, que até foi na vertente feminina para se referir as Damas da rua vulgo prostitutas, foi numa das múltiplas novelas brasileiras de que há algum tempo atrás era admiradora. Actualmente, a expressão invadiu o nosso espaço.

A invasão dos chats na TV, pela via do SMS, abriu espaço para a publicitação da prestação de variados serviços sendo que alguns especialmente direccionados para a mulher e engana-se quem pensa em cursos de culinária ou bordado pois há uma inovação: os garotos de programa.

Os garotos de programa, que florescem como mosquitos depois da chuva, ao contrário das Damas da rua, agem discretamente pois apenas anunciam, na telinha, que prestam esse tipo de serviços e deixam número para contacto, sem qualquer outro detalhe.

Aparentemente, este tipo de serviço tem tido sucesso se levarmos em conta que há muita mulher que procura a todo o custo alcançar o desconhecido, mágico e misterioso orgasmo que nem em casa, para as casadas, ou com o namorado, para as solteiras, o adquirem.

No caso de homens que apreciam outros homens, este é um meio para haver apenas contacto sexual sem que para tal haja necessidade de haver sentimentos a permeio ou de exposição à sociedade por serem figuras ou pessoas com cargos de chefia.

Como ouvir dizer não se escreve, coragem reunida e.. dedilhei um dos números anunciados. Do outro lado da linha, voz máscula e forte responde: _ Alô! O papo começa a rolar. Cumprimentos ultrapassados, e a palpitante curiosidade, de minha parte, em saber mais…

_ E aí, é verdade essa história de garoto de programa?
_ É sim! Não foi por isso que ligou?
_ Poderia ser gozo, não é?
_ Podia sim, mas não é! É assunto sério!
_ OK! E que tipo de serviços presta?
_ Todos relacionados com sexo.
_ Sério?
_ Sim.
_ Tudinho mesmo?
_ Tudo. Está interessada?
_ Humm… na verdade tenho mais curiosidade que vontade… Mas quem sabe?
_ Isso é normal e não é a primeira que acontece. Pode ser em sua casa ou se preferir num hotel. Sou discreto e muito carinhoso, você vai gostar.
_ Você atende homens também?
_ Eu não, mas o meu companheiro de quarto sim. Pretende algo com seu marido ou namorado?
_ Não, nada disso, apenas curiosidade. Me diga, porque você faz programas?
_ Bom sou estudante universitário, bolseiro… A bolsa não chega, a alimentação é uma seca… Fazendo isto posso alimentar-me bem, ter mola para as cópias, roupas e até mando algum para a família lá na província (…)

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Fazer a diferença

É de pequeno que se torce o pepino”! É, talvez, seguindo esta mítica frase que os pais ensinam, desde cedo, os seus filhos a serem humildes e a saberem partilhar o pouco com os outros e, geralmente, mesmo nas mais humildes casas, sempre reina a máxima “onde come um, comem dois”.

Antigamente, quando entrar numa loja de roupa era um exercício impossível diariamente, os nossos parcos bens (roupas, sapatos, brinquedos, livros, etc.) passavam do mais velho ao mais novo ou para um primo ou vizinho com muito menos posses ainda. É verdade que o coração se condoía com os cuidados dados as nossas preciosidades, mas, a hábito familiar e os momentos de crise assim obrigavam!

Com esse espírito fomos crescendo, a saber dar aos outros sobretudo aos que nada têm. Quando mais velhos, alguns passaram a fazer parte de associações ou grupos em que se solicitava, por exemplo, a doação de sangue. Gestos simples, mas heróicos aos olhos dos que nada têm!

Hoje, nos semáforos, nos passeios ou nas esplanadas dos restaurantes, algumas vezes até na soleira das nossas portas, somos confrontados por mendigos ou pseudo mendigos e muitas vezes, ainda que a contra gosto, soltamos algumas moedas, um pedaço de pão, uma caneca de açúcar, como que a calar a nossa consciência enriquecida pelas lições familiares.


A Rede Miramar, estreitamente ligada à IURD, lançou uma campanha que visa a recolha de bens não perecíveis e que serão doados a instituições escolhidas, aquando da celebração, a 31 de Agosto, do Dia de Fazer a Diferença. Está efeméride, que já é tradicionalmente difundida pela rede-mãe, a Rede Record, e que tem como órgão gestor o Instituto Ressoar, é também benvinda por cá sendo que a ABC (Associação Beneficente Cristã) deve velar para que tudo seja devidamente encaminhado.

Dias atrás, como forma de angariar tais bens, teve lugar um concerto, em Maputo, em que cantores da praça deram o ar da sua graça em indisfarçável play back do qual por vezes a própria voz destoava. O público, esse fez-se presente, quer pelo baixo custo do bilhete, que correspondia a um quilo de alimento, quer pela oportunidade de poder ver in loco as estrelas da actualidade e não só.

A iniciativa é uma fresta para que nós, bloggers e visitantes, façamos algo realmente visível pelos que nada têm. A essa ideia já tinha sido avançada aquando da celebração do 1 e do 16 de Junho. A corrida contra o tempo, nessa altura, foi o maior vilão, mas nunca é tarde: vamos fazer a diferença proporcionando alimentos e brinquedos às crianças do Infantário Primeiro de Maio?

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Extravagâncias no show bizz

Há manias, objectos e atitudes que caracterizam os artistas, sobretudos os internacionais, aquando de uma tournée ou mesmo na sua vida privada. Ora porque querem dúzias e dúzias de rosas de cor e fragrância especifica, ora porque querem 20 toalhas brancas no camarim, ora porque querem ser acompanhados por 6 guarda-costas. Enfim, exigências de artistas que um contrato equivalente ao grau da sua fama pode pagar.

Cá entre nós, é conhecida a mania de Salimo Mohamed, que não faz um concerto sem o devido pagamento e se o mesmo tiver sido pago pela metade, o espectáculo também é pela metade (confesso que sobre isso apenas sei o que ouvi dizer, e cá entre nós, ele tem toda a razão de o fazer).

Tatuagens, piercings, kilos de maquilhagem, bijutarias e acessórios diversos, roupas extravagantes e indecentes, unhas de gel ou acrílicas, lentes de contacto coloridas (?) e extensões capilares (ruivas, loiras, pinks, doirado, quanto mais chocantes, melhor!) muito, mas muito brilho, fazem parte do actual quotidiano artístico nacional, na versão feminina.

Na versão masculina, roupas apertadas ou larguíssimas, que mostram algumas vezes os cós das boxers, cortes estravagantes de cabelo ou tranças, piercings, tatuagens, colares-corda e brincos à guisa de diamante, são alguns dos traços marcantes dos cantarinhos (expressão do Bayano – Nullius in Verba). Aliás, a mania ataca também certos apresentadores, sobretudo da área de entretenimento.

Claramente os nossos cantarinos dão mostras de que gastam e bem ou são bem patrocinados, pela sua boa apresentação diante do público, ainda que alguns vivam apenas de aparências. Nesse rol de extravagâncias, há algo que sinceramente choca: a moda dos óculos de sol!

A moda mais recente (possivelmente impulsionada por estrelas de outras constelações) é usar os óculos escuros em ambientes fechados: no estúdio (em entrevistas) ou na rua (a passeio), de noite (em discotecas ou em restaurantes) ou de dia (até em locais fechados!), não há meio termo: grande parte dos artistas em voga tem um par de óculos de sol colados a cara! Escusado é referir às imagens de capa dos Cd’s/ K7, os banners de espectáculos ou aos video-clips, óculos escuros, são a imagem de marca de qualquer um.

É verdade que as lentes actuais permitem uma boa visão em espaços interiores com luz artificial, mas acredito que os nossos cantarinos nem sequer tem tempo para olhar se os mesmos contêm filtros UV e há alturas em que não é apropriado manter os óculos escuros, por exemplo, quando pretende revelar algo importante a alguém (numa entrevista, por exemplo) ou quando o outro solicita a máxima atenção. Também, digam o que disserem, a nossa educação não permite esses e outros excessos.

Outro senão que salta à vista nesta “moda”, é a mania dos logos de grandes marcas. Sabendo-se que muito do que se vende por cá é contrafaccionado, pululam na rua, a chutos e pontapés, vendedores de óculos, com logos de marcas famosas, como D&G, a preço de banana: entre 75 a 120 mts e se se souber regatear, por um preço mais baixo ainda.

Os estilos dos óculos de sol variam do conservador ao escandaloso, e vêm em todas as cores concebíveis, sendo que o ultimo tipo é o mais escolhido. No entanto, os óculos escuros usados cada vez mais como item de moda podem acarretar problemas para os olhos pois a preocupação maior é “estar na crista da moda” e não proteger os olhos da intensa luminosidade do sol.

Reconheça-se o seu charme, e o facto de fazerem do seu utilizador um ser misterioso, apesar de encobrirem as janelas da alma, mas não basta escolher um modelo descolado, da moda ou com assinatura de um alto designer pois tudo em excesso faz mal!

PS: Lamentavelmente, e não sei porque razão, na minha barra de ferramentas Blogspot não se apresenta. Algo que não me permite colocar links nos artigos, usar o Negrito, Centrar o texto, etc, etc. Alguem me da alguma dica?

terça-feira, 8 de julho de 2008

Urgência adiada

Ter acesso aos cuidados básicos de saúde, a qualquer momento, é uma necessidade que deve ser respondida pelo Governo, mas ir a uma unidade sanitária e ser atendido por um médico, que seja de clínica geral, é um verdadeiro luxo!

No Hospital Central, sem a famosa guia de transferência, até é possível ser-se atendido sem stress, basta pagar a tal taxa moderadora. Lá dentro, muita coisa mudou, parabenize-se: é limpo, o cheiro é neutro e até os lavabos dispõe de papel higiénico, sabão para as mãos e, o mais importante, água.

Mas nas Urgências de Pediatria, que também tem um aspecto impecável, a porca torce o rabo: só mesmo com a guia de transferência duma outra unidade sanitária e mesmo com febres altas, vómitos e diarreia (algo que no papel colado na vitrine da recepção é indicado como prioritário) há o risco de o mandarem dar uma curva.

O procedimento é simples: uma vez no guichet da recepção [não sei porque dão esse nome, devia ser guichet de reenvio] tem de se deslocar, sob indicação aos berros da recepcionista que está lá num canto da recepção [que possui, a olho nu, 2m quadrados] à um corredor logo a esquerda. Nos bancos desse corredor, aguarda-se que uma enfermeira venha saber o que o leva a procurar tais serviços.
Se você diz que a criança está com vómitos, ela deve fazer uma demonstração (?) comprovativa in loco disso, entenda-se, vomitar diante da enfermeira.


Se você diz que a criança está com febres altas, o termómetro que à criança é colocado, deve logo indicar 40ºC! Isto sabendo-se que quando uma criança está com febres tudo se deve fazer para baixar a temperatura, sob o risco de provocar convulsões, como deixá-la mais fresca ou mesmo enfiando um supositório para tal goela acima.

E se a alegação é de que a criança está com diarreia, no momento, deve apresentar a papa fecal!!! Portanto, ai de si se a criança não o faz in pressentia ou se antecipadamente mudou a fralda! E agora com as descartáveis...

O veredicto é ir ao hospital geral ou procurar o posto de saúde no dia seguinte e, nesse entretanto, a criança desidrata-se e stressa-se, agravando o seu estado, e a você, que paga imperativamente os impostos, também. Se bobear, como dizem os brasileiros, depois da sua ida a outra unidade sanitária, na escala inferior às Urgências de Pediatria, corre o risco de lá ser insultado por negligencia maternal/paternal e “chimbam-lhe” com uma guia de transferência que lhe garante outro lote de palavras insultuosas nas Urgências de Pediatria.

Se você cai nas graças da enfermeira, em serviço na triagem, volta a recepção, passa pelos trâmites habituais, põe o petiz a pesar, é (re) medida a temperatura e vai à fila esperar pela sua vez de ser atendido. Uf!!!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Do armário para os palcos

Sair do armário”, é uma expressão usada para designar pessoas que assumem publicamente a sua homossexualidade ou bissexualidade. No entanto, na nossa sociedade, essa “saída”, não é pacifica e nem reúne consensos: há claramente muita gente contra e pouquíssimos a favor [talvez eles mesmos e quem, conformado, tem na sua família alguém com essa inclinação sexual].

No nosso país, muitas dessas pessoas têm capacidades para, por exemplo, adoptar crianças e muita vontade de se casar, mas não podem. Se namoram na rua, ou são alvos de chacota ou de olhares condenatórios: a sua “liberdade” amorosa tem que se enclausurar entre quatro paredes e que dela nada transpire.

Corre pela boca do povo e tive a oportunidade de testemunhar pela telinha, na 2ª edição do programa de entretenimento “Show de Talentos”, da STV, com o patrocínio da “Tudo Bom”, a performance da curiosa dupla que se auto intitula La Biba e La Santa.

El fenómeno La Biba e La Santa concorre na categoria DragQueen, uma verdadeira inovação no entretenimento moçambicano, que designa homem que se este com roupa de mulher (que também se pode designar DragKing ou Genderqueer) é um verdadeiro caso de sucesso.

Na edição em referência, para além dos rasgados elogios do júri (composto por Garrido Jr., Maria José Sacur e Jorge Vaz) e das notas elevadas (9-9-9, sobre 10), arrancaram, pela sua performance, efusivos aplausos da multidão presente na Catedral das Artes, vulgo Cine África. Consta-me que, na 3ª edição, a pontuação também foi conveniente ao espectáculo apresentado (8-9-9).

Os DragQueen são conhecidos pelos seus exageros no vestir, nos modos, na maquilhagem e no estilo cómico de se apresentar e geralmente se mascaram como sendo do sexo oposto, fantasiando-se com o intuito geralmente profissional de fazer shows ou apresentações, geralmente no meio GLBT, de que fazem parte.

Embora na maioria das vezes os DragQueens ou DragKings sejam homossexuais (gays ou lésbicas), essa orientação sexual nem sempre é a norma: podem ser bissexuais, assexuais e até mesmo heterossexuais.

O ascendente sucesso de La Biba e La Santa é invulgar, tendo em conta que, em geral, a homossexualidade é mal vista na nossa sociedade, sendo portanto alvo de preconceito e de discriminação, isto se nos guiarmos pelo que a dupla nos mostra: que são realmente gays [pelo menos o nickname Biba é claramente sugestivo dessa tendência].

Uma forma tão expressiva de manifestar tendências sexuais, contrárias ao “aceitável”, nunca foi tão visível, se pusermos de lado o Caso Engrácia/o que deu a cara em jornal, em debate televisivo sobre a sua tendência sexual e, recentemente, foi indicada/o como a pessoa que roubou e divulgou o famoso video do Caso Ziqo.

Não se trata apenas da “saída” de duas pessoas, outrossim, La Biba e La Santa, mesmo antes do “Show de Talentos” já manifestavam publicamente a sua forma de ser e de estar. Subentenda-se portanto que, pelo menos, no seio da família, amigos e vizinhos, a dupla (em conjunto ou individualmente) assim tem vivido e se imposto pela sua opção.

La Biba e La Santa, mesmo que não vençam o concurso, “saem” pela porta grande porque a vontade do povo, manifestada pela ditadura do voto, assim manda. Ganha a STV e a “Tudo Bom” pois a dupla está a fazer furor, o que aumenta e em muito os níveis de audiência, e acima de tudo ganham os gays, lésbicas, bissexuais e travestis/transexuais moçambicanos pois a sua saída do armário já não será por uma fresta.
Vai votar? O voto é secreto e ganha-se uma pipa de massa!