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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Estorias em Maputo (21): Insolitissimo

Aconteceu, ha poucos dias, num dos maiores mercados informais de Maputo, quiça do pais, no récem remodelado Xiquelene, à venda um produto sui generis nesse local: a venda de um caixão. Conforme relata quem testemunhou in loco, o referido produto fazia-se transportar numa carrinha manual, vulgo txova.

Conforme se testemunharam os transeuntes da via publica, os vendedores e seus provaveis compradores, bem como os transportadores semi-colectivos de passageiros, na altura pensou-se estar perante uma situação em que, não dispondo de meios para pagar os préstimos de uma agência funéraria, se fazia uso dos meios possiveis e a disposição, no caso o txova.

Ora, qual não foi o espanto de muitos quando tomaram conhecimento de que o caixão em referência, de cor cinzenta, caracterizado como sendo o caixão do Zé Povinho, estava à venda, em pleno dumba-nengue, ao preço de 800 Mt?

Tamanha sandice, pois pairava no ar a duvida se o caixão fora roubado duma funéraria ou se era resultado do "despejo" de um defunto (facto narrado muitas vezes em surdina), foi prontamente tratada pelos orgãos da justiça popular e, conta quem viu, que o vendedor, homem de barba rija, por pouco não fez, ele mesmo, uso desse mesmo caixão.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O poder do amor

Uma jovem mulher chocou meio mundo com uma decisão atipica à nossa sociedade: tentar entregar, de livre ( ?) e expontânea vontade (?), às entidades de Acção Social, sua indefesa filha de 2 meses tudo porque esta é fruto de um acto de adultério de cujo pai se desconhece o paradeiro.

Segundo a visada, em declarações aos medias, sempre in ao polemitizar certos casos sociais, a decisão surge do facto desta ser a conditio sine qua non para o perdão total de seu esposo, na altura trabalhador nas minas da África do Sul, a quem a presença da petiz por certo faz pesar os cornos.

As autoridades solicitadas por esta jovem recorreram ao Gabinete de Atendimento à Mulher e a Criança, na polícia, que prontamente "convenceu" à jovem a não deixar a petiz aos cuidados do Estado Moçambicano.

Hoje nos chapas e, segurmante, em muitos outros cenários a questão é esgrimida até a exaustão com uns a condenarem a jovem pelo assaz acto contra natura e com outros a compadecerem-se com o caso. Terá a jovem agido erradamente? E se assim não tivesse sido, como seria ?

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O preço da pedofilia

“Ele chamou me pelo portão e deise me para entra na casa dele para me dar chá. Estavamos na sala só nós dois, ele tirou as calças e mandou me chupar o pénis dele. Eu estava sentado e ele deitado. Ele gritou comigo para eu chupar rapidamente o pénis dele. Depois mandou-me embora e deu me 10 meticais para eu comprar coisas para comer”, refere o menor na primeira pessoa.

10 miseros meticais! Um valor tao irrisorio que mesmo os mendigos o recebem com désdem. 10 meticais, uma pechincha que os guardadores de carro recebem amuados e a contragosto. 10 meticias foi o preço pago a uma criança, pelo seu vil abusador para pagar e matar a fome de uma inocente criança.10 meticais!

PS: Não me entendam mal, não estou contra a pechincha em causa, é uma métafora contra o acto vil desse cidadao e sabe-se la quantos outros mais!!!

sábado, 7 de março de 2009

Ladrão faz... a ocasião

A cada dia os modos de lucrar com os bens alheios ganham contornos extraordinários dignos de menção em algum prémio em que a performance e originalidade são avaliadas. Por exemplo, falar ao telemóvel na rua é um risco tremendo. Incorre-se ao risco de se levar uma tareia porque se está a falar muito tempo ou porque afinal o télélé não tem valor comercial.

Se recuarmos no tempo, verificamos que passamos por algumas crises: a do ouro (brincos, fios, anéis, mascotes) que causou alguns traumas pois até crianças eram vitimas de sequestros relampagos só para que lhes roubassem os brincos. Num outro cenário, indo ao mercado, por exemplo, as mamanas da banca para além de lucrarem com a sua compra, também tinham as suas jóias de bacela.

Com o advento do télélé, as coisas complicaram-se ainda mais. Posto que meio mundo, sobretudo o chamado sexo fraco, tem pavor de fazer uso do mesmo em plena rua, estes passaram a usar lâminas para cortar as bolsas e levar os telemóveis. Nos chapas, após alguns amansos indecentes e apapadelas discretas à bolsa, pelos mais ousados gatunos, estes atrevem-se a meter a mão sacola adentro e zás... já era!

Estas e outras ocurrências, que muitos vivemos na pele ou testemunhamos todos os dias, obrigaram a que muita mulher guardasse, na mala do xiguiane (objecto que acompanha as récem-casadas ao novo lar), as suas preciosidades (jóias e capulanas) juntamente com o enxoval ou peças de valor monetário e emocional (vestido de noiva, lençol da primeira noite, etc.).

Diz uma máxima, sem usar as justas palavras, “se a montanha não vai ao nosso encontro, vamos nós ao encontro desta”. Arrombar portas em muitos lugares é um risco que pode custar o coiro dos bandidos e disso eles sabem muito e bem. Para contornar potenciais situações perigosas e ainda assim lucrar os gatunos adoptaram outra estratégia e até mulheres entram na jogada.

Tal como acontece à porta dos cemitérios, em que há pessoas prestativas para com a familia enlutada, e que depois vão as casas para tomar o “chá do defunto” sem preguiça, agora há pessoas que aproveitam o momento de nojo para lucrar e nada escapa aos olhares atentos e a gatunagem que está no sangue dessas pessoas que já comprovaram que de sentimentos nada têm.

Logo que é anunciada a morte de alguém, vizinhos, familiares e amigos aproximam-se da familia/casa enlutada para ajudar na organização das exéquias funebres ou só para dar apoio moral. Tradicionalmente, os idosos da familia instalam-se na casa em luto desde a primeira hora. Posto que as estadias são relativamente prolongadas, levam com eles bens pessoais como roupa, capulanas e mukhumes.

Nessa hora, dificilmente são controladas as entradas e saidas das pessoas pois nem todos são conhecidos e apenas se quer o amparo destes e todas as mãos estendidas são bem acolhidas, ademais esta ocasião é o único evento social que não requer convite! É pois nestas ocasiões que os gatunos demonstram a sua genica e maldade.

Quando se trata de uma mulher, esta ao chegar a casa enlutada, é de uma dinâmica extraordinária: sempre prestável, é a tal que varre a casa, está na cozinha, serve as refeições, cuida das crianças, é solicitada por todos e ninguém a conhece. Paira no ar a sensação de ser a dama do filho do finado ou amiga da filha, talvez vizinha, ou prima afastada filha daquele tio que veio da terra... uma desconhecida.

Os moços, gatunos, ajudam a carregar as cadeiras, as tendas. São prestáveis no serviço braçal, com ar sentido, falam muito pouco e fazem muito. Alguns tios da familia até os levam as suas casas para buscar algo, incrivel. Tal como a jovem acima, ninguém o conhece, apenas é um dos mais prestativos e frescos elementos na casa, pelo que não se hesita em solicitar os seus préstimos.

O golpe final realiza-se, muitas vezes, no dia do funeral: a moça apressa-se em oferecer-se para ficar com as crianças e com a casa enquanto “as manas” vão ao cemitério e, enquanto os adultos estão ausentes, esta fica a lapidar tudo quanto é possivel (roupas, sapatos, capulanas, mukhumes e bens alimentares) sem distinção de pertence de visitas, dos donos da casa e do finado.

O mesmo acontece com os moços: fingem qualquer coisa, como um mal-estar, ou prestam-se a fazer um serviço que não foi previamente feito, devido a emoção do momento, e objectos de fácil e discreto transporte, como leitores de DVD, telemóveis, roupas e sapatos são tranquilamente surripiados, também sem distinçao de propriedade. Vale tudo!

domingo, 26 de outubro de 2008

De novo na rota da pedofilia?

Recentemente dois carros foram apreendidos com menores do sexo masculino provindos do norte com destino a Maputo, sob pretexto de serem escolarizados pelo/para o Islão.

Sendo a zona norte um local islâmico por excelencia porque sera que as criancas tem que ser deslocadas de uma ponta a outra do pais e, pior ainda, nas condições e formas como o processo é feito?

Sendo o nosso pais laico, qual e a importância de termos tantas criancas a serem formadas exclusivamente para essa orientacao religiosa?

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Cumulo do charlatanismo

Audaz, destemido e cara-de-pau, é assim que se pode caracterizar o jovem Nelson Bata, mecânico de profissão (com passado criminal, no seu próprio local de trabalho, na Beira, onde é acusado de ter roubado o motor de um autocarro que deveria “tratar”) que até à ultima 2ª feira exercia a função de médico ginecologista no Hospital Geral José Macamo e no hospital Central, por sinal o de maior referência em Moçambique.

Denunciado por uma presumível paciente, Nelson Bata, protagoniza assim uma façanha de arrepiar os cabelos de qualquer um que recorre aos serviços públicos de saúde e não só. Bata, que confessa o exercício ilegal de Medicina ginecológica, disse que para as suas actividades contou com a ajuda de funcionários das unidades sanitárias que lhe facultaram, entre outros, a bata, o carimbo e a prerrogativa de constar na escala de médicos, nas unidades sanitárias acima referidas.

Desconhecido pela direcção do hospital, que pede tempo para investigar o caso mas que estranhamente enviou-lhe uma nota de culpa por excesso de faltas; repudiado pela classe médica, pela voz da sua presidente, pelo acto abominável e pelo ministro da Saúde, que apenas reconhece a existência de redes de venda de material cirúrgico e de medicamentos, o caso do jovem Nelson é a demonstração clara da vulnerabilidade do nosso sistema publico de saúde.

Recentemente, foi denunciado um enfermeiro por tentativa de violação de pacientes no centro de saúde do Porto. O caso ainda não esfriou, como se costuma dizer, e somos brindandos com mais esta "bomba".
Nesta altura dos acontecimentos, apenas nos interrogamos:
  1. Quantos mais médicos serao falsarios?
  2. Por onde anda a inspecçao médica?
  3. O que sera feito as pacientes atendidas pelo mecanico?
  4. Quem as ressarcira pelos possiveis danos e sequelas causados pela mão do mecanico?
  5. ...

terça-feira, 13 de maio de 2008

Homicidio: o extremo da violência doméstica

De forma alguma pretendia fazer do presente espaço um "fait divers", mas não consigo ficar imune as barbaridades que ocorrem com a mulher, no seu todo, e com as moçambicanas, em particular. Diz um velho ditado, sobre a explosiva reacção amor e violência: “quanto mais me bates, mais te amo”. Não se sabe se por amor ou por ódio, mas a verdade manda dizer que um cidadão, não identificado publicamente, espancou até à morte, na madrugada último domingo, a sua amante, que visitava nos finais de semana.

A jovem rapariga, de 21 anos, que vivia num quarto alugado pelo seu assassino, na zona de Cumbeza, e sem o consentimento dos pais, encontrou a morte após uma rixa aquando do retorno do casal duma barraca onde estivera na noite de sábado.

Desconhece-se o motivo da briga, mas a esposa do homicida, Isabel Afonso, reconhece que “sabia da existência da tal amante” e que no regresso a casa (após consumar o acto) o seu marido lhe pedira uma corda para se enforcar.

Fonte: Jornal da noite STV

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Enfermeiro abusador

Na ultima 2ª-feira, um grupo de três mulheres, não identificadas, mas que ousou dar a cara, denunciou publicamente um enfermeiro do Posto de Saúde do Porto, em Maputo, de molestação sexual.

Segundo as próprias, quando atendidas para consulta, o mesmo terá pedido que se despissem, e que isso incluía a roupa interior, para avaliação do seu estado de saúde e posterior diagnóstico. As vitimas ter-se-ão dado conta das intenções desonestas do enfermeiro quando este as perguntou se não se estavam a excitar pelo que ele lhes estava a fazer (acariciar os seios e introduzir os dedos nos órgãos genitais, com o agravante de o fazer sem luvas).

Posto isto, as vitimas denunciaram-no ao responsável do Posto, e como não quiseram que o assunto caísse em saco roto, fizeram-no também diante das câmaras da STV.

O Director da Saúde da Cidade de Maputo, António Paulino, terá dito, sobre este assunto, que afinal trata-se de quatro mulheres e sobre o enfermeiro em causa corre um processo disciplinar, que este já sofreu uma repreensão e que poderá ser expulso do Aparelho de Estado.

A Associação de Enfermeiros de Moçambique, pela voz da presidente Matilde Basílio, condena, e com muita razão, a atitude do colega. A Presidente avança como hipótese o facto de o referido individuo "poder estar doente".

A dado passo da sua alocução, a M. Basílio diz que averiguo que "afinal não se trata de um enfermeiro (?) mas de um qualquer(?)"! De seguida, a representante dos enfermeiros no pais, critica as senhoras por terem aceite efectuar “exames internos” sem que o profissional (?) estivesse dotado de luvas(?).

Francamente, não sei porque as pessoas quando estão no poleiro fingem que não estão a par das carências de seus sectores quanto a falta de material de trabalho. Acredito que as vitimas submeteram-se a esse risco por acharem que se encontravam perante um profissional tendo este o dever de acautelar-se de qualquer risco para ambos. Ademais, num exame ginecológico existe sim a possibilidade de se introduzirem os dedos nos órgãos genitais femininos.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Violador macabro

Cornélio Sitoi, encontra-se de detido e com o processo a caminho da PIC (Polica de Investigaçao Criminal) por ter violado duas idosas no bairro Nkobe, arredores da cidade de Maputo.
Segundo a primeira vitima, o jovem te-la-a violado por duas vezes e nao satisfeito com a sua performance, ter-se-a deslocado à casa da segunda vitima, a 50m da primeira onde partiu o vidro da janela para lograr os seus feitos. Apos o acto, como que com o consentimento da segunda vitima, C. Sitoi pegou num sono profundo do qual foi acordado pela Policia que de imediato levou-o aos calabouços.
Chamado a falar sobre este assunto, em particular, no Telejornal da TVM, o causidico José Caldeira disse que se tratava dum " crime grave que incorre à pena de 2 à 8 anos de prisao e que pode ser agravada devido ao risco de contaminaçao por doenças sexualmente transmissiveis".
O jovem pegue em flagrante delito, disse que nao sabia porque razao teria feito tais actos, refugiando-se no alcool como motivaçao visto que, como ele mesmo falou "tem uma namorada que vive no bairro de Maxaquene". De referir que as idosas estao a ser assitidas por uma associaçao local.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Violador

Empregado doméstico (selvagem, assim deveria ser designado), de 25 anos de idade, violou, por tempo indeterminado, duas crianças de 4 e 8 anos de idade, durante a ausência dos progenitores. Segundo Inocência Nhapimbe, chefe do Gabinete da Mulher e Criança vitimas de violência domestica na PRM, em Chimoio, este jovem-confesso justificou os seus actos alegando que "precisava satisfazer as suas necessidades biológicas".

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Mamana Josina

Sou Josina, heroína do dia-a-dia
Cedo desperto da esteira aconchegante
Mal rompeu o dia, busco a capulana estirada no ralador
Silenciosamente, abro a porta da minha cubata
Pego na lata e vou ao fontanário da zona
Carto agua, uma, duas, três vezes
Putz, perco a conta das idas e vindas
No canto do quintal, junto a lenha
Sopro as cinzas do lume, reavivo a chama da esperança
Puxo pela xicandarinha queimada e encho-a de água
São cinco horas! O galo canta!
Apressadamente varro o quintal
Recolho a roupa suja e ponho de molho no balde
Oiço o arrastar dos chinelos do meu homem
Corro pra latrina, pego no balde e deito a água fumegante
_ Papai, papaye! Já tem água di banho.
Procuro um xiguema de pão para o chá madrugador
Na tigela de plástico arrumo o xiquento do jantar
Embrulho tudo delicadamente, com muito amor
_ Antoninho? Antoninhou? Acorda, mane, vais trazar na scola!
_ Maria? Mariazinha?
_ Mamã!


Ouve-se a voz melosa da minha pequena
_ Pega na mbenga, vamos moer timbawene pra mabadjias!
Feito barata tonta, corro dum lado para o outro
O tempo, esse corre velozmente
Cedo tenho que chegar a contrução onde vendo pão com badjia
Antes passo pela padaria para gwevar o pão
As sete e picos, quando os portões da obra fecham, volto a casa
Minha filha pila o amendoim
Panelas pra que te quero
Faço xima, frito o carapau 10, hungelo o amendoim
Doze em ponto tenho que estar de volta a construção
Num cesto arrumo as panelas, as tigelas e colheres
Uff! A sirene toca, estou diante da obra
Trabalhadores suados e famintos aproximam-se
_ Mamane, tem o qué hoje?
_ Xima com caril de mandoinha com peixe, papaye.
_ Dá lá uma doze!
E recomeça a correria, tigela pra aqui tigela pra lá
É assim que ganho o pão!
Felizmente hoje consegui vender toda comida
Faço as compras do dia seguinte no dumba nengue
Cansada, retorno a casa a meio da tarde
_ Estou com fome, mamã.


Queixa-se o Antoninho, meu filho traquina
_ Come aquele xiquento que guardei debaixo do armário.
Pego no balde de roupa e começo a lavar
Corto a nhangana fresca e preparo a refeição da família
Enquanto isso, engomo a roupa do homem
Não tenho dia de descanso e nem feriado
Sábado vou ao canto coral e no domingo à igreja
E a noite tenho que estar quente e disposta
Sou ou não sou uma heroína?
Eu sou Josina, heroína do dia-a-dia!