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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Fazer mais como?

Os hábitos de leitura actuais circunscrevem-se, muitas vezes, em leituras pontuais de artigos e obras com a intenção de produzir algum trabalho denominado de pesquisa. Isso é geralmente notório no seio dos estudantes universitários e, ainda que em número infimo, de alguns estudantes do secundário que são « forçados » a procurar, em outras fontes, que não os livros escolares, matéria para a consolidação de sua aprendizagem.

O exercicio de leitura dum jornal, à excepção do que se pode ter acesso a custo zero, e que ultimamente é mais visto em motocicletas indianas do que sob os olhos de quem não os pode comprar, já não é tão banal. Se a ele não se tem acesso, por exemplo, no local de trabalho, olhos postos em jornal resume-se ao que se pode ver em manchetes disponíveis nas bancas dos ardinas.

Visitar uma livraria e de lá sair com um ou mais livros, mesmo em tempo de feira, é um gesto luxuoso para muita gente que, inevitavelmente, faz a comparação entre o preço deste com o de um saco de arroz. Ademais, se até agora muitos ainda não compraram os livros escolares de que outra postura se pode esperar relativamente a outras literaturas menos obrigatórias?

Poder-se-à pensar na opção de compra de livros em segunda mão, geralmente vendidos na rua. Esses também tem a sua estória, sobretudo no que tange a proveniência. Fruto de revenda por parte de seus legitimos proprietários, de roubo em bibliotecas ou em livrarias, esses livros não são de todo bon marché : são eles também comprados por quem pode.

Recorrer à biblioteca requer o cartão de acesso, outro custo a evitar a todo o custo, sob risco de, no local, constatar-se que as obras requeridas se ainda existem estão incompletas. Outra inquietação é que as bibliotecas estão distantes da residência/escola, o que diminui qualquer vontade hérculea de leitura face a perspectiva de que depois do lazer haverá o desprazer da luta por um espaço no chapa…

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

NUA

A segurança nas escolas é, a par da preocupação com a qualidade e com as condições de ensino-aprendizagem, um dos maiores calcanhares de Aquiles do sistema nacional de educação, com particular enfase para os primeiros anos de escolarização. Como forma de, entre outros, colmatar esse problema, foi instituído o uso do fardamento e, tendo-se este revelado insuficiente procurou-se, e ainda procura-se, por soluções urgentes.

Face a tantas dificuldades e conscientes de que sozinhas não as conseguiriam resolver, as direcções da escola apelaram ao contributo dos pais e encarregados de educação. Dessa relação, resultaram os Conselhos de Escola que, entre outras decisões, apostaram na contratação de guardas de vigilância, meio humano não assegurado por "quem de direito".

Para o pagamento dos salários dos referidos guardas, no acto de matrícula passou-se a pagar uma taxa, muito contestada por não ser gerida com transparência e que, feitas bem as contas, não trouxe a tão almejada segurança dentro e nas imediações dos recintos escolares. Importa referir que para os valores pagos pelos encarregados de educação, durante as aulas poderiam estar de serviço pelo menos 4 guardas e à noite outros 2.

Muito recentemente, com a ajuda dos conselheiros de serviço, "quem de direito" decidiu-se pela adopção do Número Único do Aluno (NUA) que figurará no bolso da camisa do aluno (a comprar) e no seu processo académico. A primeira vista, este sistema visa controlar(?) os movimentos entrada e saída da escola. Poderá também contribuir para uma base de dados, tão urgente quanto necessária, para o cálculo de médias e consequente emissão rápida de certificados.

Mas a grande questão não se cala é: sabendo que moçambicano é, por "naturezização", um desenrasca, a ponto de alugar fardamento e arma de policia para extorquir seus semelhantes, que segurança trará um bolso enumerado a quem os porta?

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Alerta vermelho

Qualidade e segurança são preceitos que contam bastante na escolha da escola na qual as crianças, adolescentes e jovens se (vão) forma(r)m. Na concorrência com escolas públicas, frequentemente as escolas privadas são eleitas por apresentarem, a par de outros aspectos não negligenciáveis, perfis com altos padrões de contrôle na segurança e na qualidade de ensino.

Verdade é que essas escolas transmitem tanta segurança que muitos pais se limitam, em grande parte dos casos, em manter em dia as mensalidades com alguns laivos de participação em reuniões para as quais são convocados, quando não enviam o filho, empregada ou guarda para os substituirem.

Naturalmente, o facto de estudarem em tais escola, em alguns casos, faz parecer que esses meninos são filhos de pessoas com muitas posses, o que não pode de toda a forma ser generalizado. Contudo, o meio de transporte, os casacos, o calçado e as pastas de marca, os leitores de música e telemóveis top gama, deitam por terra qualquer argumento nesse sentido.

Como há gente que não está cega a "esses argumentos", os meninos bonitinhos passam a meninos-vitimas pois outros meninos, mais vividos e "empreendedores", aproveitam-se desses sinais para os aliciarem, com sua amizade e compreensão dos problemas que caracterizam essa faixa etária, para caminhos obscuros onde impera sobretudo a poeira e o fumo.

A principio em pequenas doses, "só para experimentar" e pouco depois, quando já começa a animar, no "se quiseres mais traz lá tako, tuas sapas, algo da tua casa ou cenas do teu kota, pra gente biznar e dividir", os argumentos que reflectem o modus vivendi dos meninos bonitos transforma-os em isco do que todos sabem que existe por aí e esperam que não exista entre os muros escolares.

sábado, 15 de maio de 2010

Novos contextos, outros textos

Durante muito tempo, se bem que se propagava à torto e à direito, o preservativo foi sempre publicitado dando a sensação de ser «algo» : um produto pouco atractivo que se revelou incomodativo, pouco prático, mais ruidoso do que os decibéis permitidos, etc. Nessa altura até surgiu a máxima «banana com casca, não anima» melhor era « nhama com nhama ».

Também, comprar um preservativo, em momentos do passado, foi sinónimo de promiscuidade por parte de quem o adquiria em vários pontos de venda. Era preferível adquiri-los gratuitamente nas toiletes de restaurantes, discotecas, escolas, etc. Derivado disso, as mulheres, para não serem conotadas como profissionais da mais antiga profissão do mundo, pautaram pelo não comprar.

Evidentemente, essa situação criava condições para que, na hora H, as possibilidades de negociação, entre homem e mulher, se tornassem quase nulas para o lado do sexo mais fraco pois cabia ao machão a tarefa de o comprar e, evidentemente, de o usar se a sua vontade assim mandasse.

Felizmente, hoje, talvez por força dos dados estatísticos, que revelam altos indices de contaminação pelo virus do HIV, sobretudo da mulher, os discursos mudaram. Finalmente as mulheres podem comprar preservativos tal como compram sabão pois “toda a gente precisa” e se sentirem seguras porque as suas amigas sabem, que nas nigths, ela está protegida pela companhia do preservativo.

Por seu lado, os homens, casados ou não, em cenários paisagísticos, ideiais para lua-de-mel protegida pelo preservativo, dizem de boca cheia que, apesar de não ter sido prática frequente do passado, devem e vão usá-lo pois está é uma forma de amar à la mozambicaine. Clap, clap, clap… Que dizer ? Ainda bem que os moçambicanos finalmente aprenderam a amar : haja muito amor nesta terra !

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Estórias em Maputo (15)

Decididamente, Janeiro é o mês que traz à nossa memória as lembranças dos históricos momentos, que todos querem que continuem onde ficaram, da década de 80 em que sem razão aparente longas «bichas» se formavam à porta das Cooperativas de Consumo e muitas vezes só se tomava conta do que se vendia diante da porta.

No príncipio do mês, assistimos a filas longas, de marchar lento, sob o lamento de pais e mães (algumas com crianças pequenas e bébés às costas) que, com a mesma desculpa estapafúrdia de sempre, se prostraram diante das Conservatórias do Registo Civil e dos Serviços de Notariado. Motivo : registar o nascimento de crianças, grosso modo, com 6 anos ou por completar este ano, para iniciarem o percurso escolar pela primeira vez em suas vidas e autenticar documentos que são passíveis de o sê-lo nas próprias escolas.

Passado que foi este momento, em algumas escolas públicas, tidas como «as mais mais», sobretudo na zona nobre da town, pais e encarregados de educação há que, na noite ou madrugada anterior, se formaram em fila indiana para garantir uma vaga para seus petizes. Resultante de tanta procura, afinal a «bicha» isso reflectiu, grande número desses pais não conseguiu a ansiada vaga e teve, seguramente, que recorrer a outras escolas próximas que, por não gozarem de prestígio igual, andaram às moscas.

Em paralelo, outra «bicha» oculta se formou : a dos esquemas. Existem escolas que introduziram o 2° ciclo do secundário e que formaram um número desproporcional de turmas para o número de estudantes graduados do ciclo anterior. Consequência : alunos anteriormente internos acabaram externos e, sobretudo os do curso nocturno, tiveram, para continuar os seus estudos que comprar vagas, entre 2500 à 4500Mt.

Com a matrícula garantida, na ou fora da escola de eleição, «na boa» ou na porta do cavalo, o contigente de pais, encarregados de educação e estudantes, marchou em massa para a zona Baixa da cidade com o intuito de adquirir o material básico para o início do ano lectivo. Apesar de Janeiro ser o tal mês, em que as finanças roçam o chão, nesses locais, outras enchentes e filas se formaram e só valeu a pena porque onde há «bicha», os preços são acessíveis.

Ah, com a abertura do ano lectivo, que teve como ponto forte a transferência do sistema educativo da insituição de tutela (Educação) para o Municipio, «bichas» barulhentas se instalaram nos corredores das direcções das escolas. Motivo : os nomes de muitos estudantes não figuram na lista nominal das turmas já formadas quer porque os alunos, ao mudarem de ciclo, não se (re)matricularam, quer porque as vagas entraram no sistema.

Quase nenhum intervalo houve entre um acontecimento e outro, o movimento da Baixa transferiu-se para a zona alta da town. A lufa-lufa da «bicha» é agora com o fardamento que, em princípio, as tais casas levam 15 ou mais dias a costurar, numa corrida contra o relógio de algumas direcções de escola que determinaram o dia 1 de Fevereiro como data limite. Num alfaiate do dumba nengue, a farda até sai barata, mas o bolso com o timbre da escola acaba saindo ao preço de uma camisa…

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Dia-a-dia na escola

Em nossas escolas, acontecem muitas coisas. Algumas delas testemunhamos quando o facto é narrado nos media ou então por alguém ou um familiar que vivenciou uma situação, geralmente triste. Verdade seja dita, dentro dos limites da escola vive-se muita coisa boa... má.

É de conhecimento geral que as escolas existentes, em particular na zona de pedra, foram construídas no tempo colonial. Também se sabe que essas escolas foram construídas para albergar determinado número de pessoas (estudantes, alunos e outros autores)... pois, aí a porca torce o rabo!

O superpovoamento da cidade de Maputo e consequentemente das escolas obriga a que sejam estabelecidos vários turnos para que todo mundo possa beber da fonte da sabedoria. Acrescenta-se a isso o facto de vários alunos não conseguirem lugar no período diurno o que cria condições para que existam 4 turnos.

A título de exemplo, uma escola pode englobar aproximadamente 3000 alunos, distribuídos em diferentes turnos. Entretanto, essa escola dispõe de 3 espaços sanitários: 1 para os professores (homens e mulheres), 1 para as meninas e outro para os meninos, havendo em cada um 4 cabines.

Fazendo as contas, por cada turno há uma média de 750 meninos e imaginemos que metade disso seja dividido igualmente pelos sexos. Dividindo esses meninos pelas 8 cabines, teremos uma média de 93.75 indivíduos a fazer uso das casas-de-banho em 4 horas (um turno).

Puxando de novo pela calculadora, num único dia, uma cabine sanitária recebe em média 375 alunos! Ah, sublinhe-se também que a distribuição da água, da rede geral, ocorre das 4h às 9h da manhã. Em que estado ficam os sanitários algumas horas depois? Evidentemente, por maiores e melhores que sejam as intenções, o factor higiene entra em crise.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Burla nos extraordinarios

Decorrem em todo o pais os exames extraordinarios da 10a e 12a classes. Estes exames tem a pretensao de, entre outros, dar uma oportunidade a aqueles estudantes que reprovaram em alguma seccao ou disciplina de o fazerem. Nessa boleia, tambem se penduram aqueles que procuram, nesses exames, para avancar para a classe sem a frequentar na totalidade.
Para esses exames foram criados centros de exames em escolas determinadas e a supervisao dos mesmos esta a ser assegurada por professores que actualmente se encontram em parcial gozo de ferias. Segundo testemunhos, esses professores perspectivavam receber por cada jornada de supervisao (dois exames diarios) 5ooMt. No entanto, no palco dos acontecimentos tomaram conhecimento que afinal se tratavam de 100 (miseros) meticais!


Mocambicanos (professores vigilantes e candidatos a exame) que de ignorantes pouco tem, aproveitam-se deste acontecimento academico para lucrar algum por fora e "passar" de classe num sistema de burla facilitado pelos sms. A demarche, apesar das conviccoes das chefias de que nenhuma burla eh possivel, eh simples: Apos a distribuicao do exame A aos alunos, uma copia eh entregue ao professor dessa disciplina que se encontra, evidentemente, afastado da sala.
O professor da disciplina A elabora a matriz da correccao do exame (escolha multipla) e envia as chaves por sms aos professores vigilantes. Estes, na sala de exame, copiam a chave e,consoante a "disponibilidade" do candidato, transcrevem-na na folha de rascunho que posteriormente eh entregue ao candidato que nada mais faz do que copiar na folha de exame.
PS: Desculpem-me a falta de acentos

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O preço da pedofilia

“Ele chamou me pelo portão e deise me para entra na casa dele para me dar chá. Estavamos na sala só nós dois, ele tirou as calças e mandou me chupar o pénis dele. Eu estava sentado e ele deitado. Ele gritou comigo para eu chupar rapidamente o pénis dele. Depois mandou-me embora e deu me 10 meticais para eu comprar coisas para comer”, refere o menor na primeira pessoa.

10 miseros meticais! Um valor tao irrisorio que mesmo os mendigos o recebem com désdem. 10 meticais, uma pechincha que os guardadores de carro recebem amuados e a contragosto. 10 meticias foi o preço pago a uma criança, pelo seu vil abusador para pagar e matar a fome de uma inocente criança.10 meticais!

PS: Não me entendam mal, não estou contra a pechincha em causa, é uma métafora contra o acto vil desse cidadao e sabe-se la quantos outros mais!!!

Chefe , sim senhor!

Já não é anormal pessoas de determinada área estarem a labutar em outras diferentes das de sua formação. Os sonhos da geração pós-independência eram ser enfermeiro, médico, professor, engenheiro, chôfero (chauffeur), veterinário, agricultor e, hoje, por contigência da conjuntura que vivemos muitos desses sonhos mudaram e se quer ser, entre outros, engenheiro em informática, jornalista, escritor e, acima de tudo, chefe.

Chefe, sim senhor! Muitos confundem o estatuto de chefe com a profissão. Todos querem ser chefes, não importa de quê muito menos onde. O mais importante e o expoente máximo da carreira profissional é ter um cargo de chefia! Crescer profissionalmente numa empresa ou instituição pública ou privada e acima de tudo na mente das pessoas é deter o poder e ser-se chefe.

Talvez impulsionados pelo ambiente domiciliar, onde há chefe da familia, chefe das 10 casas, chefe do quarteirão, chefe (secretário) do bairro e ainda há chefe de turma, logo que se começa a socialização na escola. No trabalho, chefe de grupo, chefe da comissão, chefe de secção, chefe de departamento, chefe de... Como não alimentar o sonho de ser chefe?

domingo, 26 de abril de 2009

As crianças de hoje (4)

Lidar com o dinheiro

No passado, na nossa fase de criancice, ter na mão uma reluzente moeda dada pelos papás era um grande tesouro. Essas moedas, que não raras vezes eram coleccionadas e recontadas até a exaustão, serviam para comprar o Kurika (revista de banda desenhada), postais, selos, uma ida ao cinema e depois ao Carrocel na feira, um refrigerante e um bolo no Scala ou no Continental.

E as crianças de hoje? Se até bem pouco tempo pediam dinheiro para comprar rebuçados com tatuagem, não tarda muito ou já estão a pedir mola para o seu crédito, para levar a Patricinha (menina rica e mimada) ou a Mariazinha (pobre Maria lá do bairro) ao teatro, depois para lanchar e ainda comprar crédito para esta, isto sem contar “naquelas sapas que toda malta tem menos eu”, etc.

Apesar de todas as adversidades, de uma ou de outra forma, pautamos sempre por poupar algum, pois nunca se sabe o que o futuro nos reserve e nada é eterno. Será que estamos a preparar os nossos filhos para a incerteza da vida? Decerto que sim, guardando sempre que podemos ou com regularidade possivel algum dinheiro para eles na “eventualidade de...”. E o hoje e agora: como gerir?

O nosso salário, infelizmente só é pago uma vez por mês, mas as despesas, essas não param nunca: a todo o momento estamos a pagar algo e até nós mesmos nos questionamos sobre a proveniência do dinheiro para cobrir tanta despesa. E os nossos filhos? Como reagem face ao dinheiro? Como fazê-los rentabilizar o pouco que podemos dar? Dar uma semanada, uma mesada ou sempre que eles dele precisarem?

Muitas vezes, sobretudo no meio escolar, vemos crianças com elevadas quantias em dinheiro vivo. Os pais alegam que é para a garantir a opção de escolha de seus filhos no menu escolar, outros nem sequer justificações apresentam: tem tanto que já não sabem o que fazer senão dá-los aos filhos/crianças com todas as consequeências que dai advém (inveja dos outros, logo furto na carteira dos pais). Preocupação legitima mas errada.

É de salutar pais que se preocupam com o futuro de seus filhos, não só lhes garantindo uma formação como também um pé de meia para a vida futura. Mas se, neste momento, não damos a esses filhos as ferramentas de gestão destes e de outros valores como achamos que eles se portarão face a um bolo relativamente maior e inesperado? Poucos serão os sábios a ponto de o usar da mesma forma que poupam.

A quem diga que quanto mais tardio for o contacto com o dinheiro melhor é para as crianças. Mas, as nossas crianças, desde muito cedo tem contacto com o dinheiro porque vendem ou compram produtos na rua: rebuçados para o “babar” (porque o pai quer sair e o miúdo está aos berros), pão na esquina, crédito (porque é um menino moderno e tem que estar on), alface (porque a menina já sabe preparar a salada), para o chapa, etc.

Dar as crianças um valor para que elas aprendam a geri-lo é saudável para a sua educação económica. No entanto, não podemos cair no erro de fazer parecer que estamos a efectuar um pagamento por serviços ou bom comportamento, essas actividades e postura são obrigações face a familia. Mas como proceder? Dar o dinheiro e deixar o miúdo gerir a seu gosto e vontade? Quando dar? Como dar e com que objectivo? Breve, como ensinar as crianças a lidar com a mola?

quarta-feira, 25 de março de 2009

Doutor burla

A febre do diploma universitário, acompanhado pelas exigências politicas impingidas pelos manda-chuva (Banco Mundial e outros), leva a que muitas pessoas tudo façam para o terem afixado em moldura dourada nas paredes de suas casas ou escritórios. Desconhecendo ou ignorando as palavras de Brazão Mazula, “Estudem, estudem, estudem: diploma sem conteúdo e competência, é um papel a queimar e deitar fora”, optam por esquemas.

Ao surgir a pretensão de se candidatar ao ensino superior, sabendo de antemão que a sua situação é irregular, diplomas falsos são apresentados e assim começa uma história recheada de mistérios dignos de investigação poliacial. Ao longo da formação, a cultura universitária de pesquisa e leitura, de síntese e de resumo, de trabalho em grupo ou individual são menosprezados em favor do copy and paste e encadernação.

Nos processos de avaliação opta-se, fielmente e em massa, pelos auxiliares de memória, vulgo cábulas, nas pesquisas rápidas e discretas nos telemóveis top gama e, não raras vezes, no apoio de algum professor desonesto e indigno desse nome. Assim vai seguindo a formação-burla, transitando-se de ano para ano, enquanto se enraizam é fincam pé, a cada etapa, práticas anti-pedagógicas e fraudulentas.

Quase no último estágio da longa jornada, o momento de elaboração da tese, posto que as obras da net já foram copiadas, coladas, encadernadas e colocadas aos olhos do júri, que grandemente descobriu e sancionou, optou-se por uma nova estratégia de burla. Como se de encomendas de chamussas, rissóis e bolos se tratassem, para um “social”, naquela expert nesse departamento, a última inovação é a por encomenda.

Ideia amadurecida, o primeiro passo consiste na caça ao redactor que é feita tendo em conta as performances deste ao longo de sua formação e, sendo que, a formação universitária tem caracter universal, alguns redactores há que mergulham em meios adversos. O que conta, no final de todas as contas, é o lucro que advém desse exercicio inovador e empreendedor.

Posto que, para o “doutor burla” dinheiro não é problema, se o redactor apenas tem os neurónios em pleno funcionamento e não dispõe de toda uma vasta gama de equipamentos (como computador, impressora e scanner), material (papel, cópias das obras recomendadas) e fontes de pesquisa à mão, o primeiro não se coibe sequer de fornecer um serviço de internet para que a “sua tese” esteja au point.

Aquando da negociação, para além da determinação/promessa da margem da nota de trabalho escrito (10-12, 13-14, 15, etc.), logo, da qualidade do trabalho, que tem o seu preço, há alguns extras que podem ser incluídos como a elaboração dos drafts à apresentar ao tutor aquando das consultas e o draft da apresentação oral com ou sem os slides em Power Point do trabalho final.

No caso de se ultrapassar, as notas inicialmente negociadas entre o redactor e o “doutor burla”, pela alta qualidade do trabalho apresentado e bem apreciado pelos membros do júri, um bónus é acrescentado ao cheque final, para além de que assim é alargada a carteira de clientes, criando-se uma nova profissão, e... parabéns, doutor burla!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

14zinha por encomenda

Varios orgãos da Comunicação Social audiovisual noticia(ra)m a detenção de uma jovem, entre 25 e 28 anos de idade, nos corredores da escola Secundaria Francisco Manyanga, em Maputo, como "angariadora de adolescentes para relacionamento com homens mais velhos".

Visando aliciar e levar logo consigo uma "menina de entre 14 e 17 anos, de preferência mulata, para um amigo de seu amigo, um cidadão português de 28 anos (e com as malas aviadas, ainda nesse dia, para destino desconhecido)", a jovem em questão confessou suas pretensões.

Dizem ainda, alguns orgãos, que a detida faz parte da vasta cadeia de aliciadoras de menores, para o circuito da exploração sexual de menores, da não menos famosa e em julgamento na RAS, Aldina dos Santos, a tal do caso Diana, com 65 acusações sobre a cabeça.

Assustadas e preocupadas, direcção da escola, familias e adolescentes abordadas, bem como toda uma sociedade, cada dia se torna dificil perceber até onde vai a perversão humana: mulheres que lucram vendendo outras mulheres e homens que satisfazem os seus instintos lascivos com crianças!