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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Estórias em Maputo (22)

As empregadas domésticas decididamente são um mal que vêm por bem. Com ou sem elas as dores de cabeça são uma constante para os patrões. Quando se revoltam ou se acham exploradas, fazem coisas impressionantes : lavam a casa-banho com escovas de dente em uso, ligam desnecessariamente electrodomésticos ou deixam torneiras abertas só para aumentar os gastos.

Apesar de passarem grande parte das refeições no local de trabalho, as empregadas domésticas não se ralam nem um pouco em fazer o seu próprio rancho no rancho da familia à que servem. Se se trata duma patroa tida como chata, maior azo ganham as empregadas para "so dar mais raiva". Aí, tal como os bandidos, as donas do lar, têm ideias ardilosas para contornarem qualquer "esquema de segurança patronal".

Umas fanam os produtos alimentares ainda não confeccionados, outras confeccionam-nos e levam-nos como take aways para suas próprias. residencias. Os esquemas de retirada desses produtos são tão surpreendentes quanto inimagináveis : batata, tomate, cebola, alho, cenoura e outras hortículas "deitam-se" na lata de lixo. Proibir a retirada dos dejectos na hora de saída pode ser a solução.


Pode sim, mas logo logo outra estratégia será posta em marcha! Pode-se, por exemplo, esconder os produtos em algum canto do prédio ou quintal. Ou ainda entregar a alguma outra empregada que despega mais cedo, ou chamar algum familiar para ir buscá-los e como até os guardas da casa entram no esquema, estes podem guardar os produtos para os entregarem na hora de saida. Vale tudo mesmo!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Último desejo

Júlia é uma compatriota moçambicana, quis o destino, averso como só ele sabe ser, violada, há tempos idos, por 8 homens, no bairro do Zimpeto. Sim, 8 homens tarados, com mente maquiavélica, perversa e diabólica, que decerto vivem na maior paz e tranquilidade com a sua própria consciência quanto a esse feito.

Quis o destino, sempre ele, que desse acto impiedoso, sem desculpa, sem tamanho, breve, com uma infinidade de adjectivos revoltantes, Júlia contrai-se o vírus do HIV. Apesar de ser do conhecimento de “quem de direito”, de nenhuma forma Júlia foi ressarcida por acto tão barbaro moral, psicológico ou mesmo financeiramente.

Vivendo da boa vontade da irmã, sem energia para qualquer outra luta, Júlia vive o dilema de não ter uma casa onde deixar seus filhos menores pois bate-se com sua própria progenitora por um espaço que em principio crê ser seu. Este cenário é realmente sui generis numa das relações mais sólidas da Humanidade que é entre mãe e filho.

Consciente de que os seus dias nesta terra estão em número finito, devido ao seu debilitado estado de saúde, na última volta da corrida que está a perder, como último desejo, Júlia implora que alguma alma caridosa ou instituição ofereça um tecto para albergar os seus petizes quando ela não mais os poder guardar debaixo do seu olhar...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O poder do amor

Uma jovem mulher chocou meio mundo com uma decisão atipica à nossa sociedade: tentar entregar, de livre ( ?) e expontânea vontade (?), às entidades de Acção Social, sua indefesa filha de 2 meses tudo porque esta é fruto de um acto de adultério de cujo pai se desconhece o paradeiro.

Segundo a visada, em declarações aos medias, sempre in ao polemitizar certos casos sociais, a decisão surge do facto desta ser a conditio sine qua non para o perdão total de seu esposo, na altura trabalhador nas minas da África do Sul, a quem a presença da petiz por certo faz pesar os cornos.

As autoridades solicitadas por esta jovem recorreram ao Gabinete de Atendimento à Mulher e a Criança, na polícia, que prontamente "convenceu" à jovem a não deixar a petiz aos cuidados do Estado Moçambicano.

Hoje nos chapas e, segurmante, em muitos outros cenários a questão é esgrimida até a exaustão com uns a condenarem a jovem pelo assaz acto contra natura e com outros a compadecerem-se com o caso. Terá a jovem agido erradamente? E se assim não tivesse sido, como seria ?

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Estórias em Maputo (9)

Antigamente, as pseudo-bábás vinham lá da terra. Eram jovens vindas de familias humildes, geralmente vizinhas de algum familiar, cheias de respeito e com profunda gratidão pelos patrões por as terem tirado duma casa em que as vezes faltava um pedaço de mandioca para acompanhar o chá sem açucar. No contrato verbal, com os pais dessas moças, ficava sempre patente que as meninas deveriam continuar os estudos já que lá na vila estavam condenadas a um casamento com o pastor de cabritos...

Muitas dessas jovens, chegadas a grande town, emocionadas pelos feitos novelísticos, vistos durante as ausências da patroa, cedo perdiam a humildade e com a ponta dos empinados e virgens seios, partiam para o ataque ao patrão, ao irmão jovem da patroa, ao empregado do vizinho ou ao guarda do prédio. Breve, trazê-las de lá, tornou-se um investimento de risco para o "estatuto de patroa "de muita mulher. Contudo, a necessidade de ter uma bábá nunca deixou de existir, sobretudo com este corre-corre que é a vida na grande town.

Actualmente, as bábás, de lá ou de cá, têm uma vivência dura: trabalham dia e noite, fins de semana, feriados e folgam 48h por mês, distribuidos por dois domingos. Se labutam para uma mamã madame, dessas que não podem perder nenhum evento, nem faltar a um fútil encontro com as amigas, por conta de um puto chorão, das duas uma: ou as bábás ficam em casa com estes, resumindo a preocupação maternal com um "O patrãozinho está a dormir? Já comeu? ", ou são arrastadas ao evento para que toda a familia possa ver como o rebento cresceu.

Nesses eventos, as bábás devem exercer as suas habituais funções que se resumem ao cuidar do menino, folgando no exercício de outras actividades que só desenvolvem quando estão em casa (lavar a roupa, ser moça de recado, etc.). Como é evidente, nesse dia, por ver por perto a mamã madame e o papá todo enfatado e não me sujes, o menino fica muito fiteiro e dá um valente baile a bábá e, para motiva-la ainda mais, ouve um "leva o Junhinho lá para longe!". Salário que é bom? Não pode ser excepção: é aquela base!

Ah, outra coisa! Para não pôr em causa o "estatuto de patroa" as bábás e outras profissionais que labutam no espaço doméstico não podem ser jovens bonitas, elegantes, vaidosas, inteligentes, empreendedoras... sob o risco de nem sequer serem bábás!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Txuna boy

Sendo que o hábito se tornou costume, pois hoje pouco se critica o titio kota que banca a menina quatorzinha, muitos dos titios, com familias formadas, como é evidente, deixam suas esposas “ao Deus dará” e essas kotas, muitas ainda na plenitude da sua feminilidade, precisam de alguém para "segurar as pontas".

Maduras e com o seu encanto, essas mulheres, respeitadas mães de familia, para suprirem as suas necessidades físicas poucas há que recorrem a outros kotas. A proximidade com os amigos dos filhos, vizinhos jovens e colegas de trabalho, alguns um pouco assanhados, trazem à flor da pele destas a necessidade e a vontade de ter um affair com os “meninos”.

No início da relação, os jovens cheios de charme e de alta calibragem, tudo fazem para conquistar e deixar de rastos a kota, geralmente tacuda pois os dividendos não se revertem apenas no acumular de novas experiências, mas também no cash que sempre é facilitado para pôr o menino a "shainar".

Empolgadas, as kotas investem seriamente no boy: pagam cursos, escola e até universidade. Griffes e gymm, afinal é preciso manter a boa forma, também entram no rol de beneses que estes boys ganham das kotas. Para alguns ficarem livres dos olhares acusadores de seus progenitores, alugam-se apartamentos e até são comprados carros.

Mas, como muitas vezes, as kotas, por serem casadas, não podem rodar publicamente com os boys, estes têm namorada, aquela que apresentam à sociedade e que por sua vez são patrocinadas com os dividendos da kota. Algumas kotas, ajudam o boy a estabelecer-se profissionalmente e até a formar familia na condição, claro, de manter o affair acesso!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Espectro social

A questão é polémica o quanto baste. As estatísticas são escassas, breve desconhecidas, talvez mesmo inexistentes. A voz da moral, dos bons costumes, do politicamente correcto, do ético, da religião e todos outros princípios que cada um respeita, toma forma. Mas, ainda que tapado, como a peneira faz ao sol, o espectro do aborto(?) está aí: mortal, silencioso e real.

Os pais a "podem matar" se o souberem pois o jovem responsável não está em condições de assumir uma familia, menos ainda pelo golpe da barriga. Se se trata do tio kota, que tem familia e filhos já crescidos, outro filho pode destabilizar a harmonia (?) familiar. Também pode ser que a menina (?) não saiba de quem é o filho, o que se há-de fazer? A menina está grávida!

Há dois roteiros possíveis: o primeiro é procurar aquela enfermeira famosa, lá do bairro, que dá comprimidos, conhecida (?) pela sua discrição (?) e serviço eficiente. Ainda nesse cenário, há também aquele enfermeiro da maclinica (?) que dá injecção e já está! Caso contrário, apela-se aquela vovó que dá pós e pauzinhos que provocam muitas cólicas mas a "barriga" saí. E, em caso de desespero, com coragem e audácia fura-se o útero com uma agulha de tricot.

Noutro cenário, o do hospital, preenche-se um requerimento, o moço ou tio faz uma declaração assumindo que toma conhecimento/responsabilidade e que o aborto pode ter lugar. Paga-se o que se tem a pagar, fazem-se as análises devidas para checar se está tudo bem (?) e vem a certeira (des?)autorização do hospital.

No dia marcado, como quem vai à escola, geralmente acompanhada e encorajada por amigas, que certamente conhecem e passaram pelo sistema, tem lugar o aborto. Dia seguinte, consoante a capacidade de suporte de dor, que leva algumas a confessarem-se a seus progenitores, a menina vai ao hospital fazer a raspagem. Pronto está feito!

Após a consumação do acto, pouco ou nada é feito, excepto alguns apelos para que as meninas façam o planeamento familiar (?) e se acautelem com a possibilidade de se infectar com o HIV. Lamentavelmente, poucas acatam com os conselhos das enfermeiras e pouco depois retomam aos corredores do hospital ou de outros circuitos ilegais (?) para, com a frieza da experiência, resolverem de novo este mesmo assunto.

Relatos de mortes, que tem como causa um aborto mal feito ou outras complicações a ele relacionados, não são frequentemente comentados pois constituem vergonha para a familia e também não é menos verdade que muita moça se torna estéril como consequência disso. A sociedade, por seu turno, grita e estrebucha que o aborto é matar uma pessoa, mas no recanto da familia dessa mesma sociedade ele é cruamente real.

Tal como uma moeda, as duas faces da abordagem do aborto são polémicas, difícies de engolir/vomitar e aceitar/recusar. Mas, SIM ou NÃO ao aborto?

terça-feira, 7 de julho de 2009

Acorrentados

A demência e outros males, muitas vezes genéticos, leva a que familias tomem medidas extremas para, segundo elas, salvaguardar a integridade fisica(?) dos doentes. Casos de crianças e adultos que são acorrentados por seus proprios progenitores/familiares so chocam pelas imagens deploraveis que são mostradas nos jornais televisivos mas são uma crua realidade na nossa sociedade.

Algumas vezes, pretendo acautelar-se de maus espiritos que se apossessam dessas pessoas, para além de acorrentados, alguns portadores de deficiência mental ou congénita são enclausurados em locais de dimensões reduzidas, como se de animais se tratassem, onde não raras vezes fazem as necessidades fisiologicas e são alimentados.

Mas de quem é a culpa? Desses pais/familiares que acreditam no sobrenatural ou do Estado que não oferece condições para que pessoas com tais problemas possam ter uma vida aceitavel? Continuarão estas pessoas a ser acorrentadas e os acorrentadores presos temporariamente pelo seu acto "cheio de boas intenções"?

terça-feira, 16 de junho de 2009

Show off na última despedida

Em momentos de recolhimento e de profunda dor, pela perda de um ente querido, a protagonização de episódios, alguns constrangedores e outros caricatos, não param de surpreender aquando de cerimónias fúnebres.

É do conhecimento geral a existência de “padres de ocasião” que à porta do cemitério prestam serviços a familias cujo defunto não vem acompanhado por orientador espiritual por razões diversas. No final das orações, para além do habitual chá do defunto, um cachet é pago pelos serviços e requisitados outros para as missas seguintes.

Quando a morte bate a porta das elites, o chá de defunto é algo gigantesco que só pode ser comparado a alegria dos copos d’água de casamentos: chás-buffet, cadeiras com vestes de gala a condizer com as roupas da ocasião, etc, são alguns dos itens que não podem faltar.

Sabido é que quando tal desgraça nos bate a porta, fatalmente estamos desprevenidos pois, apesar de a morte é a maior certeza da vida, ninguém está preparado para a acolher! Como forma de minimizar as consequências resultantes do luto, muitas familias fazem o xitique da familia visando minimizar o impacto desta fatalidade.

No entanto, apesar de toda carga de emoção e despesa que a morte de um próximo provoca, virou moda, no dia do funeral, ver parentes próximos do finado trajados com camisetes estampadas com a imagem deste com dizeres em memória do récem-falecido como que a festejar o acontecimento.

Nessas situações, como não podia deixar de ser, vozes discordantes se manifestam, ânimos se exaltam, impropérios são lançados e, apesar de todo esse show off, lá vai, com toda a pompa e circunstância, o/a homenageado a sua última morada ...

domingo, 26 de abril de 2009

As crianças de hoje (4)

Lidar com o dinheiro

No passado, na nossa fase de criancice, ter na mão uma reluzente moeda dada pelos papás era um grande tesouro. Essas moedas, que não raras vezes eram coleccionadas e recontadas até a exaustão, serviam para comprar o Kurika (revista de banda desenhada), postais, selos, uma ida ao cinema e depois ao Carrocel na feira, um refrigerante e um bolo no Scala ou no Continental.

E as crianças de hoje? Se até bem pouco tempo pediam dinheiro para comprar rebuçados com tatuagem, não tarda muito ou já estão a pedir mola para o seu crédito, para levar a Patricinha (menina rica e mimada) ou a Mariazinha (pobre Maria lá do bairro) ao teatro, depois para lanchar e ainda comprar crédito para esta, isto sem contar “naquelas sapas que toda malta tem menos eu”, etc.

Apesar de todas as adversidades, de uma ou de outra forma, pautamos sempre por poupar algum, pois nunca se sabe o que o futuro nos reserve e nada é eterno. Será que estamos a preparar os nossos filhos para a incerteza da vida? Decerto que sim, guardando sempre que podemos ou com regularidade possivel algum dinheiro para eles na “eventualidade de...”. E o hoje e agora: como gerir?

O nosso salário, infelizmente só é pago uma vez por mês, mas as despesas, essas não param nunca: a todo o momento estamos a pagar algo e até nós mesmos nos questionamos sobre a proveniência do dinheiro para cobrir tanta despesa. E os nossos filhos? Como reagem face ao dinheiro? Como fazê-los rentabilizar o pouco que podemos dar? Dar uma semanada, uma mesada ou sempre que eles dele precisarem?

Muitas vezes, sobretudo no meio escolar, vemos crianças com elevadas quantias em dinheiro vivo. Os pais alegam que é para a garantir a opção de escolha de seus filhos no menu escolar, outros nem sequer justificações apresentam: tem tanto que já não sabem o que fazer senão dá-los aos filhos/crianças com todas as consequeências que dai advém (inveja dos outros, logo furto na carteira dos pais). Preocupação legitima mas errada.

É de salutar pais que se preocupam com o futuro de seus filhos, não só lhes garantindo uma formação como também um pé de meia para a vida futura. Mas se, neste momento, não damos a esses filhos as ferramentas de gestão destes e de outros valores como achamos que eles se portarão face a um bolo relativamente maior e inesperado? Poucos serão os sábios a ponto de o usar da mesma forma que poupam.

A quem diga que quanto mais tardio for o contacto com o dinheiro melhor é para as crianças. Mas, as nossas crianças, desde muito cedo tem contacto com o dinheiro porque vendem ou compram produtos na rua: rebuçados para o “babar” (porque o pai quer sair e o miúdo está aos berros), pão na esquina, crédito (porque é um menino moderno e tem que estar on), alface (porque a menina já sabe preparar a salada), para o chapa, etc.

Dar as crianças um valor para que elas aprendam a geri-lo é saudável para a sua educação económica. No entanto, não podemos cair no erro de fazer parecer que estamos a efectuar um pagamento por serviços ou bom comportamento, essas actividades e postura são obrigações face a familia. Mas como proceder? Dar o dinheiro e deixar o miúdo gerir a seu gosto e vontade? Quando dar? Como dar e com que objectivo? Breve, como ensinar as crianças a lidar com a mola?

sábado, 7 de março de 2009

Ladrão faz... a ocasião

A cada dia os modos de lucrar com os bens alheios ganham contornos extraordinários dignos de menção em algum prémio em que a performance e originalidade são avaliadas. Por exemplo, falar ao telemóvel na rua é um risco tremendo. Incorre-se ao risco de se levar uma tareia porque se está a falar muito tempo ou porque afinal o télélé não tem valor comercial.

Se recuarmos no tempo, verificamos que passamos por algumas crises: a do ouro (brincos, fios, anéis, mascotes) que causou alguns traumas pois até crianças eram vitimas de sequestros relampagos só para que lhes roubassem os brincos. Num outro cenário, indo ao mercado, por exemplo, as mamanas da banca para além de lucrarem com a sua compra, também tinham as suas jóias de bacela.

Com o advento do télélé, as coisas complicaram-se ainda mais. Posto que meio mundo, sobretudo o chamado sexo fraco, tem pavor de fazer uso do mesmo em plena rua, estes passaram a usar lâminas para cortar as bolsas e levar os telemóveis. Nos chapas, após alguns amansos indecentes e apapadelas discretas à bolsa, pelos mais ousados gatunos, estes atrevem-se a meter a mão sacola adentro e zás... já era!

Estas e outras ocurrências, que muitos vivemos na pele ou testemunhamos todos os dias, obrigaram a que muita mulher guardasse, na mala do xiguiane (objecto que acompanha as récem-casadas ao novo lar), as suas preciosidades (jóias e capulanas) juntamente com o enxoval ou peças de valor monetário e emocional (vestido de noiva, lençol da primeira noite, etc.).

Diz uma máxima, sem usar as justas palavras, “se a montanha não vai ao nosso encontro, vamos nós ao encontro desta”. Arrombar portas em muitos lugares é um risco que pode custar o coiro dos bandidos e disso eles sabem muito e bem. Para contornar potenciais situações perigosas e ainda assim lucrar os gatunos adoptaram outra estratégia e até mulheres entram na jogada.

Tal como acontece à porta dos cemitérios, em que há pessoas prestativas para com a familia enlutada, e que depois vão as casas para tomar o “chá do defunto” sem preguiça, agora há pessoas que aproveitam o momento de nojo para lucrar e nada escapa aos olhares atentos e a gatunagem que está no sangue dessas pessoas que já comprovaram que de sentimentos nada têm.

Logo que é anunciada a morte de alguém, vizinhos, familiares e amigos aproximam-se da familia/casa enlutada para ajudar na organização das exéquias funebres ou só para dar apoio moral. Tradicionalmente, os idosos da familia instalam-se na casa em luto desde a primeira hora. Posto que as estadias são relativamente prolongadas, levam com eles bens pessoais como roupa, capulanas e mukhumes.

Nessa hora, dificilmente são controladas as entradas e saidas das pessoas pois nem todos são conhecidos e apenas se quer o amparo destes e todas as mãos estendidas são bem acolhidas, ademais esta ocasião é o único evento social que não requer convite! É pois nestas ocasiões que os gatunos demonstram a sua genica e maldade.

Quando se trata de uma mulher, esta ao chegar a casa enlutada, é de uma dinâmica extraordinária: sempre prestável, é a tal que varre a casa, está na cozinha, serve as refeições, cuida das crianças, é solicitada por todos e ninguém a conhece. Paira no ar a sensação de ser a dama do filho do finado ou amiga da filha, talvez vizinha, ou prima afastada filha daquele tio que veio da terra... uma desconhecida.

Os moços, gatunos, ajudam a carregar as cadeiras, as tendas. São prestáveis no serviço braçal, com ar sentido, falam muito pouco e fazem muito. Alguns tios da familia até os levam as suas casas para buscar algo, incrivel. Tal como a jovem acima, ninguém o conhece, apenas é um dos mais prestativos e frescos elementos na casa, pelo que não se hesita em solicitar os seus préstimos.

O golpe final realiza-se, muitas vezes, no dia do funeral: a moça apressa-se em oferecer-se para ficar com as crianças e com a casa enquanto “as manas” vão ao cemitério e, enquanto os adultos estão ausentes, esta fica a lapidar tudo quanto é possivel (roupas, sapatos, capulanas, mukhumes e bens alimentares) sem distinção de pertence de visitas, dos donos da casa e do finado.

O mesmo acontece com os moços: fingem qualquer coisa, como um mal-estar, ou prestam-se a fazer um serviço que não foi previamente feito, devido a emoção do momento, e objectos de fácil e discreto transporte, como leitores de DVD, telemóveis, roupas e sapatos são tranquilamente surripiados, também sem distinçao de propriedade. Vale tudo!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Férias dentro de casa

Do nada, a sexta-feira foi "instituida" dia do homem. Dia esse em que os homens se dão a liberdade de sair do trabalho directamente para o txiling sem, sequer, uma passagem por casa, para um banho, mudança de roupa e satisfação a familia. Uns, os desportistas e verdadeiros adeptos da essência do dia do homem, aproveitam e bem para pegarem algumas de gargalo longo pelo pescoço, petiscam e cavaqueiam com amigos.

Outros, rabos de saia por excelência, e que não aguentam manter, fora de casa, o ziper fechado juntam o útil ao agradável: vão ao campeonato das loirinhas, acrescentam a isso o balançar do esqueleto numa discoteca qualquer ou ao som altissimo dos carros e depois partem para momentos de pura perdição com as garinas da banda esquecendo, algumas vezes, da importância da camisinha.

Ter um dia só de homem, é um direito, e deve também existir um dia só da mulher! Depois de uma cansativa e stressante semana laboral, aliada aos biscatos e tricatos infindáveis para facturar mais algum, uns copos, papo com os brothers, música do carro ou do bar, são uma forma de alivio e descompressão se se pensar que ao fim-de-semana o tempo será inteiramente dedicado a familia.

Mas a coisa tornou-se tão banal que muitas esposas e companheiras, desses homens, já nem sequer se preocupam com isso, até agradecem pois tem um tempinho só para si para a novela, sem o pressing do jantar, da roupa do dia seguinte, etc. Por outro lado, como a ocasião faz o ladrão, verdade seja dita, há mulheres que se aproveitam da ocasião para tirarem também uma lasquinha. Se há igualdade de direitos, também estão no seu direito, não é?

As marujas de primeira viagem, essas, com medo de perder o carapau, esforçam-se em mudar o cenário, tentando participar activamente nos meetings masculinos, mas, acabam duma ou de outra forma levando um KO, de tantas tampas, e entram no circulo vicioso das mulheres conformadas e relaxadas ou das inconformadas e das txiladoras que pagam pela mesma moeda.

Mas, ultimamente, parece que esta prática já não é suficiente para contentar os machões moçambicanos: agora inventaram as viagens dentro de casa. O que será isso? São viagens, geralmente de trabalho ou de negócio, inventadas pelos homens, para se instalarem confortavelmente durante um tempo nas Casas 2 sem para tal terem que dar satisfações a Casa 1.

Ou seja, os homens tiram dias de férias ou até continuam a ir ao trabalho, mas não retornam a casa no final do dia laboral! As artimanhas são tantas que até as costumeiras e poupadas ajudas de custo, que tanto ajudam nos projectos da familia, passam a não ser canalizados por aqueles "exploradores que nos matam de tanto trabalhar sem pagar nada", assim justificam.

Como se não bastasse, ainda retornam a casa com roupa suja como se os "habituais hóteis", de outros tempos, em que se hospedam a trabalho não mais lavassem roupa. Player com estatuto? Tenham dó!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Xicalavithu

Todos os anos a estoria se repete: enchentes se intalam à porta dos Conservatorias dos Serviços de Registo e Notariado. A intenção é unica: registar cidadãos nacionais muitos deles com 6 anos de idade. Esta avalanche supera a capacidade de compreensão de qualquer um, ainda que as razões para tal possam ser justificadas apesar de por isso perderem o sentido, e das entidades de tutela da area de registo.

Ha um tempo relativamente curto, o Ministério da Justiça ensaiou a possibilidade de registar os récem-nascidos à porta da maternidade. Esta opção, com as suas vantagens para o sistema, chumbou no campo das tradições pois antes de se dar um nome a alguém, moçambicano que preza as tradições familiares deve consultar as entidades do Além sobre o nome a dar ao seu filho.

Se até ao momento de se precisar do comprovativo de registro para a matricula de crianças estes não figuram na estatistica nacional e nem tem uma identidade, como são chamados os miudos? Em casa e na vizinhança, havendo necessidade de o designar nominalmente é Paizinho/Papaito, Mãezinha, Fofa/o, Maninho/a, Avô/Avo, Pucucho/a, etc, etc. E, algumas pessoas, à guisa de gozação, chamam a criança de "xicalavithu" (inonimado/a).

Esta situação, para além de mostrar o descaso de muitos pais revela outra situação triste pois ha casos de crianças que, infelizmente, perdem a vida e que, e que são registadas "à beira da cova", excepto os récem-nascidos, para que figure um nome na sua certidão de obito enquanto que ter um nome é um direito de todo o cidadão.

Com as modernices, Internet incluida, muitos pessoas, sobretudo os jovens, mal a gravidez é visivel a olho nu, mas porque as tecnologias médicas permitem identificar o sexo do bebé, "txulam" (dão um nome) a sua criança. No entanto, este baptismo nem sempre cai bem aos ouvidos dos guardiões das tradições familiares e se volta ao circulo vicioso.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Condimentos para o prazer

Chocolates, perfumes, morangos, óleo de amendoas e outros condimentos, ditos afrodisiacos, regados por um borbulhante espumante ou imitaçao (vale tudo!), por certo terão figurado no menu e/ou complimento duma de suas noites calientes. Certo? Se não, pelo menos no seu imaginário, alimentando por eróticas imagens cinematográficas ou fotográficas o(a) terão posto a sonhar nessa possibilidade.

Se até bem pouco tempo, por inerência das idas e vindas de moçambicanos ao Brasil e recentemente à China, o novo El dorado, tem sido fácil ter acesso a alguns itens que tem o condão de deixar alguns doidivanas e com os sonhos realizados pela diversidade, que o mercado oferece, os itens do prazer estão mais próximos do que se pensa.

Hoje, fantasias sexuais com (ou de) enfermeiras, médicas, secretárias, noivas, estudantes e mesmo prostitutas ou ainda de (ou com) advogados, policias (mas sem a farda cinza!) e bombeiros podem ser realizadas pois casas de especialidade em lingeries já oferecem esses itens na nossa praça para o striptease caseiro, masculino ou feminino, algo sui generis.

Calcinhas, cuecas e tapa-seios comestiveis, chicotes e algemas, dados eróticos com o jogo do beijo ou o do Kamasutra, géis de banho, óleos para massagens, guloseimas afrodisíacas, preservativos com sabor e que retardam a ejaculação e outros produtos/acessórios eróticos, talvez de todo desconhecidos ou nem por isso, já estão ao alcance das nossas inconfessáveis fantasias.

Decerto que a pergunta será: "Onde se não temos sex-shops?". Pois é, realmente não temos sex-shops, aliás a venda deste tipo de produtos por cá é proibido pelo que é feito “por detrás do balcão”. Na senda do negócio, estão, como não podia deixar de ser, nigerianos e as meninas que “empreendem” no Brasil e, claro ultimamente, na China.

Portanto, vulgares boutiques ou lojas de roupas, tem como outra vocaçao vendere condimentos para temperar os momentos à dois. Se as propostas à vista não lhe agradam, não hesite, encomendas via catalógo são aceites e, por favor, apimente os seus momentos de prazer a dois enriquecendo com inovações que só levam a melhor pois é um jogo onde o empate tem sabor a vitória...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Festas dos putos

Alguém se lembra de como eram as nossas festas infantis antigamente? Aquelas em casa, mesmo, em que os adultos ficavam conversando na sala, enquanto as crianças “se acabavam” a brincar por todos os cantos? Sozinhas ou entre si, sem bábás, sem brincadeiras pré-programadas com pula-pula, palhaços, pintadores de caras, carrocel, etc.?

Quando você, como convidado, chegava à porta, ninguém exigia um convite para depois procurar, na lista, o seu nome e de seguida indicar-lhe uma mesa. Na hora do “Parabéns a você”, não eramos obrigados a “play-backarmos” o jingle que o DJ toca: um coro ruidoso e destoado era entoado pelos convidados!

Lembra-se que o corte do bolo era no fim da tarde? Sim, um pretexto para que as luzes fossem apagadas e que na palidez das velas todos olhares se viravam para esse momento mágico. Você se lembra? Nessa altura, os mais corajosos faziam discursos e desejavam longa vida ao aniversariente e até se entoavam os cânticos habituais lá de casa sem receio de envergonhar os babados pápás que tinham convidado o chefe à festa?

Recorda-se? Os humildes, mas preciosos e apreciados, presentes eram entregues ao próprio aniversariante e não amontuados numa mesa preparada para o efeito e que depois fazem o aniversariente nem sequer saber quem lhos tinha ofertado, se você se esquece de lá pôr um cartão? E depois da festinha, não haviam lembracinhas ou brindes! No máximo, dava-se um pedaço de bolo ao mano mais velho que nos tinha vindo buscar?

Pois é, nada que se assemelhe às mega produções que vemos hoje em dia: tudo mudou! Também, até ocasiões que não devem, na minha modesta opinião, merecer tanto salamaleque são pretexto para eventos do calibre de um casamento (esses também ostentivos demais)! Veja-se que uma simples cerimónia de graduação, da creche, que mais não é do que uma despedida, é razão suficiente para merecer um buffet 5 estrelas!

Nós, pais, é que promovemos esses eventos e, o engraçado, é que os nossos filhos não acham a minima graça. Esta nossa atitude, talvez se possa justificar como sendo uma forma de os compensaremos pelas nossas frequentes faltas e, também, sejamos francos, rasgados elogios e palmadas nas costas, pelo sucesso da party, engordam o nosso ego.

Formúlas mais simples e eficazes podem surtir o mesmo efeito e, neste tempo de crise, até um bolo e uns refrigerantes levados à escola ou a creche, têm maior impacto do que festanças em que muitas vezes os miúdos nem sequer conhecem os convidados. Mas, as nossas festas, animavam ou não? Então que tal resgata-las?

sábado, 8 de novembro de 2008

Hematonas da vergonha

Hematomas da vergonha são marcas de violência doméstica em esposas de pessoas bem posicionadas nas altas esferas da sociedade ou de altos empresários da praça. Algumas vezes, essas mesmas vitimas têm um estatuto que impõe respeito na sociedade pois são advogadas, juristas ou mulheres com cargos de chefia e prestigio.

Hematomas da vergonha, são aqueles casos de violência domestica que muitas vezes arranham o macabro, tais são os requintes de malvadez, crueldade e humilhação cujos números nunca fazem parte da estatística e nem figuram nos calhamaços encardidos dos arquivos das esquadras da Policia.

Assim são denominados porque são encobertos por camadas e camadas de pó de arroz e essas tretas que realçam a nossa beleza e fazem mal a pele, tudo com o intuito de querer fazer parecer que “tudo está bem” ao invés de se denunciar esses criminosos de punhos brancos, calça com vinco e sapato de verniz.

São sim hematomas da vergonha porque, logo após o acto, infindáveis pedidos de desculpa são feitos. Presentes de valor elevado oferecidos como um “cala-te boca” para que a sociedade não saiba quem realmente é aquela pessoa que perante todos é uma pessoa respeitosa e no aconchego familiar um verdadeiro tirano.

Um exemplo de hematomas da vergonha foi vivenciado por uma espectacular mulher, de corpo e alma, formada em Direito, e que contraiu matrimónio com um individuo da mesma area. Infelizmente, o homem em questão era sadicamente ciumento que só não a impedia de trabalhar pois estavam no mesmo local de trabalho e servia-se disso para a controlar, como ele mesmo fazia questão de sublinhar.

Os hematomas, nesta mulher, levaram o seu tempo até que humilhada e destroçada mas firmemente decidida, optou por abandonar o lar da dor e consentir um divórcio do qual saiu de mãos a abanar. Quantas outras mulheres calam-se perante a chantagem a que são submetidas após terem sido “hematonadas”? Ou perante o medo de perder todas as beneses duma vida glamourosa com essa espécie de homens?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Produção independente

Actualmente, muitas mulheres têm conseguido vingar na carreira profissional, sendo por isso bem sucedidas, e não estão apenas preocupadas com a sua aparência, mas preocupam-se sobretudo com o seu bem-estar material e psicológico. As mulheres descobriram que podem ter uma vida de qualidade se apostarem na sua própria escolarização, nos negócios pessoais, enfim, batalhando constantemente pelo que querem sem que para isso tenham de depender de um homem.

Construir uma carreira e conquistar a independência financeira, leva o seu tempo, sobretudo na selva de dificuldades que é a vida das mulheres moçambicanas. No entanto, por melhores e maiores que sejam as condições criadas, por si próprias, chega a hora em que o relógio biológico toca, a necessidade se transforma em urgência e tardiamente se percebam que não tem com quem dividir esse sonho.

Ter um filho, para a mulher, é o apogeu da sua realização pessoal. E para o terem, muitas não olham meios para atingir objectivos. Sendo que se torna difícil encontrar homens disponíveis na praça, em particular para com ele procriar, atitudes radicais são tomadas como o desejo de fazer uma produção independente.

A ausência de um marido ou parceiro deixou de ser impedimento para as mulheres que desejam ter filhos. Muitas optam por se envolver com homens casados apenas com o intuito de com este gerar um filho. Para estas mulheres, basta apenas “a semente e o certificado de origem” pois se o “produtor” recusa reconhecer a descendência pouco importa.

Há outras que não se importam, por exemplo, de envolver-se com um estrangeiro, com ou sem dividendos, com o firme propósito de engravidar e realizar as suas fantasias de mulher-mãe. Algumas engravidam de jovens universitários ou não, que são usados, como se de touros premiados se tratassem, para as cobrirem em troca de valores monetários. O mais importante é ter o seu filho!

Estas atitudes revelam algum egoísmo por parte destas mulheres pois o ideal é a criança nascer e crescer com mãe e pai ao lado. Viver em família, é salutar para a saúde psicológica da criança e acima de tudo há que pensar que apesar de tudo terem conquistado na vida, o filho não é o troféu que lhes falta na prateleira do sucesso.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Banco 1 e os arranjos familiares

Os filhos são a riqueza dos pais, portanto quanto maior for o número, melhor”! Quem não conhece este ditado ou dele nunca ouviu falar como justificação para proles enormes? Bom, cada um é livre de pensar como quer e de fazer o que para si acha elementar.

É paradoxal a forma como os progenitores encaram a vinda dos filhos de sexo determinado. Para uns, uma filha é sinónimo de problemas, a curto prazo, infelizmente desconheço as reais motivações, mas se vivêssemos em sociedades em que os casamentos dependem de dotes, a história poderia ter o seu sentido.

Para outros, ter uma filha é sinónimo de riqueza de seus progenitores pois são elas quem lhes garantem uma velhice tranquila e isso nem sempre ou poucas vezes é pela via da profissão que exercem e dos rendimentos que dela advém, mas sim pelo casamento.

É de conhecimento geral que muitos casamentos são delineados no seio da família e as motivações para isso também são diversificadas. Ora porque não se quer uma filha “encalhada”, ora porque o homem em vista “manda mola”, o Banco 1 (já que também existem Casas), e logo é um potencial genro a não perder sendo que esta prática não é só característica das cidades. Assim sendo, aquele sentimento profundo que povoa os nossos sonhos e que esperamos que dure eternamente, o amor, vai para o ralo.

No campo, não se foge a regra, as motivações para o casamento, principalmente prematuros (entre raparigas e homens adultos) são as mesmas: aliviar-se do peso que a rapariga representa e/ou manter a ideia machista e preconceituosa de que a mulher não precisa formar-se pois para as suas funções de dona-de-casa e mãe não precisa de nenhum canudo.

Outro aspecto que ressalta destes casamentos “arranjados” pela família, ao contrário dos antigos em que os pais prometiam seus filhos ainda crianças à outra família, tem o condão de ser poligâmicos. Ou seja, logo à partida a família da moça aceita/obriga a que esta se case com um homem que já tem outra(s) Casa(s), transformando-a oficialmente numa Casa 2. O mais importante, é o volume dos Mt’s com os quais o homem “bate a mesa” no final de cada mês!

Nesses casamentos poligâmicos, onde o homem, ou Banco 1, “bate a mesa” comme il faut, não há razões de queixa, no entanto, não há bela sem senão. No campo, algumas mulheres para evitarem a convivência com outras esposas, continuam a viver na casa dos seus progenitores mas gerando filhos. Como consequência deste aumento do agregado familiar, aumenta também a despesa e se o marido não colabora há rixas.

Na cidade, talvez porque mais avisadas e experimentadas, as famílias até incentivam que as filhas procurem outro “Banco”, o 2, desde que este comparticipe nas despesas da casa e outros. Aliás, estes genros são tão essenciais na dinâmica familiar que em cerimónias da família nada se faz sem a chegada deste, indo-se, por vezes, ao extremo de não enterrar alguém a tempo e hora porque o Banco pagador está ausente!