quarta-feira, 11 de março de 2009

Mascote ou bibelot?

A convivência domiciliar homem-animal, data de muito tempo e no nosso caso particular, Moçambique, não fugimos à regra. Assim, o gato sempre se fez presente para ajudar na caça ao rato nos celeiros; o pombo ficou empoleirado no telhado como carne para alguns pratos em ocasiões especiais e o cão companheiro de caça, de ajuda no pastoreio do gado e fiel guarda de casa, só para citar exemplos flagrantes.

Portanto a companhia do melhor amigo do homem, é uma prática já longa. Se no passado era usado com as funções acima descritas, hoje, o cão ganhou outros papéis: é um animal de companhia de crianças, jovens, adultos e idosos e, ainda assim, infelizmente, para alguns, é um objecto com vida que se usa quando se quer e se deixa no canto quando já não é útil, tal como fazem as crianças diante de um novo brinquedo.

Mais do que um objecto vivo, o cão é um animal inteligente e sensível que requer atenção especial na sua alimentação, no seu lazer e actividades físicas, no alivio de suas necessidades fisiológicas quotidianas e na sua saúde, de forma geral. Felizmente, mesmo vivendo em apartamentos o gato “organiza-se” para a resolução de suas necessidades fisiólogicas, ao contrário do cão que é um dependente total da boa vontade do homem.

Há pessoas que adquirem animais, com particular enfâse para o cão, sem noção do que estão a fazer: pensam que o bicho vai ficar “pequenino e fofinho” para sempre e nunca têm curiosidade no historial do tipo de animal que adquirem (tempo de vida, particularidades da raça, alimentação, etc.). Resultado disso é que são mal-alimentados, por consêquencia disso caiem-lhe os pêlos, perdem graça e logo são rejeitados.

Recentemente, vizinhos, que têm no seu apartamento um cão maltês, viajaram durante dias e, deram folga a “secretária doméstica” na sexta-feira. Esta claro que fez as honras da casa e “ pulou fora” antes do fim da hora do expediente. O pobre cão ficou, portanto, toda a tarde/noite de 6ª, todo o dia de sábado e domingo confinado numa varanda minúscula sob a variação de temperatura sem o que comer e beber.

A atitude dos vizinhos revoltou-me profundamente porque sei que uma empresa veterinária oferece hotel para animais e estes poderiam recorrer à vizinhança ou então criar condições para que os vizinhos pudessem dar assistência ao animal. Uma chamada aos bombeiros, para retirarem o animal, redundou em fracasso pois apenas com o aval dos donos-de-casa poderiam fazê-lo e/ou somente se se tratasse de uma pessoa trancada.

Assim, passei o final de semana sob os latidos desesperados do sedento e enfaimado cachorro e com a dor de nada poder fazer. Não tendo conhecimento da existência de um órgão nacional de tutela pela defesa de animais, fiquei muito condoída, pois já tive um cão parecido, que me foi roubado, e rezo todos os dias para que o meu Pongo esteja morto ao invés de maltratado pois era muito amado e cuidado com carinho.

7 comentários:

micas disse...

Egoísmo Ximbitane.Puro egoísmo!

Cada vez mais os homens se viram para o seu próprio umbigo e esquecem tudo.Mas tudo mesmo!

Como vai a "alma humana"? Como poderemos nós passar aos mais jovens determinados princípios e valores?

É triste dizê-lo mas começo a não acreditar nos homens. Onde vamos nós parar?

Será que merecemos o que temos? Por certo não!

Força Xim! Vale a pena ter forças como tu para denunciar estes e outros casos.

X!mb!t@nE disse...

Obrigada pela força, Micas! Revolta-me muito esta postura. Ontem verifiquei que quando os donos (?) chegam do trabalho, no final do dia, ao invés de o levarem a dar uma volta, limpam a varanda/casota.

Ainda na manha de hoje confirmei que o pobre do animal nao é sequer levado a dar um passeio matinal para esticar as pernas e aliviar-se fisiologicamente falando. E olhe que ja li que as caminhadas, corridas e saltos sao beneficos para a saude do animal!

Nyikiwa disse...

Tema interessante mana! De facto isso me indigna! Seja ser humano ou animal, merece respeito e consideracao. O ser humano tem mania de se vangloriar pela sua racionalidade e pensa que os pobres animais sao insensiveis aos maus tratos. Os animais tambem tem a sua racionalidade e logica de funcionamento, e acima de tudo sentem quando sao desprezados e descartados. Concordo em genero, numero e grau com o Micas ha muito egocentrismo por parte do ser humano. Enfim... pobre cao!

SHIRANGANO disse...

Eu particularmente não gosto esta ideia de ter um animal de estimaçao. Ja eh suficiente estimar pessoais.

X!mb!t@nE disse...

Egocentrismo e "maldadismo" o q.b., isso sim, Nyikiwa. Se não aguentam, que não se façam de bons samaritanos de animais para apenas maltratar os bichos. Que raiva!!!

X!mb!t@nE disse...

Respeito a tua posição, Shir! No entanto isso em nada nos da o direito de maltratar os animais tanto mais que no caso depende exclusivamente da vontade das pessoas.

JOSÉ disse...

Revoltante!

Gandhi afirmou:
" A grandeza e o progresso moral de uma nação podem ser julgados pela forma como os seus animais são tratados!".

Quanta verdade!