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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Maputo, afinal é possivel?


Maputo está em polvorosa e não é à toa! Representantes de 47 países africanos encontra-se-ão na cidade das acácias para os X Jogos Africanos. Sem margem de dúvida, um evento que figurará merecidamente nos anais da história da cidade, do país, do continente e do mundo ! Afinal é possível ?

Para acolher tão altos dignatários, como sempre fez face à um grande evento, basta puxar pela memória e recordar a mobilização face à Cimeira do Chefes de Estado Africanos, que até mereceu um Centro de Conferências construído de raiz, observa-se que Maputo não só lavou seu rosto como rapou os sovacos. Subtilmente, sem que muitos se dessem conta, sob pretexto de combater a mendicidade, aos comerciantes que ofertavam dinheiro e pão, à sexta-feira, foi proibido fazê-lo. Contudo, a ajuda destes seria canalizada aos locais em que estes necessitados se encontravam evitando assim as romarias de sexta-feira. Afinal é possível ?

Outros que foram literalmente postos a correr, foram os vendedores de rua que montavam seus xidjumbas e barracas nos passeios obrigando os dignos usuários a disputar as faixas de rodagem com os veículos automóveis. Infelizmente, a corrida só atingiu aqueles que se estabeleciam nos corredores por onde passarão as ilustres visitas. Prova disso é o perimetro entre as avenidas Karl Marx, 25 de Setembro, Albert Lithuli e Amed Sekou Touré que só se distingue do campo de jogos, agora transformado em dumba nengue do Xipamanine, pela existência de prédios e de asfalto. Porque o resto, como sói dizer,é o resto. Algumas ruelas e avenidas da cidade, algumas das quais já nem mais eram cruzadas por veiculos, também beneficiaram de reparação. Que bom, afinal é possível!

À saída da cidade, afinal a vila olimpica está no perímetro suburbano da mesma, outras obras dignas de vulto apareceram e não cessam de levar os maputenses a indagar-se sobre as reais capacidades do Municipio de Maputo. O espantado "afinal é possível ?" ouve-se por toda a parte ! A praça da Toyota, como é chamada, viu ser-lhe levantado um passeio e, o mais espantoso, a vala de drenagem com vegetação verdissima, digna de fazer inveja a qualquer idealista da revolução verde, foi retirada ! A Junta também mundou. Afinal é possível ?

Diz-se ainda que ao longo do percurso para o magestoso Zimpeto, passeios que há muito deixaram de se fazer ver, ressurgiram das areias que os cobriam. Engenheirosas obras de limpeza trouxeram-nos de volta. Afinal é possível ? Bem hajam jogos africanos ! Mesmo que não ganhemos medalhas, ficamos felizes por termos ganho uma cidade de cara lavada e de sovaco rapado. Mas, o que queremos mesmo, é tomar um bom banho e limpar todo o tilhavela que não abona em nosso favor porque afinal é possivel. 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

SMS chat

A febre dos chats, via sms, que há poucos anos inundou os canais televisivos nacionais e se tornou uma mania, baixou alguns graus Celcius. Menos frequente, mas nem por isso menos intensos, os chats continuam, dia e noite, a ser um meio aparentemente eficaz para, sobretudo, procurar e encontrar o parceiro com o perfil idealizado em termos físicos, psicológicos, astrológicos e económicos, bastando deixar no fim do sms o número de contacto.

Nos moldes actuais, as palavras já não mais são medidas e as intensões não mais se leem nas entrelinhas : "sou bonito, quero dama rabuda" ; "assunto só para maiores de 18" ; "quero conhecer homem dos 30 anos em diante gostoso" ; "procuro moças para caso sem compromisso" ; "procuro mulher para amizade intima" ; "pretendo uma mulher gostosa e sexy" ; "tenho 42 anos, procuro mulher para amizade de relacionamento" ; "procuro mulher casada e quente para caso sério" ; "homens que gostam de muito fogo deixem nr no rodapé".

A idade, não é mais barreira para coisa nenhuma("meninas entre 12 e 14 anos, anotem o nr da felicidade"; "oi tenho 14 anos e procuro dama para coisa séria" ; "gostaria de conhecer garotas de 15 a 18 anos, tenho 35 anos "), levando a questionar o papel dos outrora denominados moderadores face a atitudes manifestamente pedófilas. Entre tantas outras coisas, alguns chatistas tornam-se terapeutas dos problemas alheios ("casada infeliz tai meu nr" ; "casada infeliz eu vou curar-te"), precisos no que querem ("procuro mulher sem filhos capaz de fazer um lar" ; "ignoro bip") e fazem ("sou bom de cama com casa própria").

E, na ansia de não economizar no paleio, nesse emaranhado de tentadoras intensões, sobressai uma nova ortografia, que sacrifica o "que" (kro, kero, kente, kem, kaulker, aki), transforma o "s" (9vax, dox, xow, anx, damax, novax, moxax), elimina vogais (dzr, vnho, pod, p, lga) e apresenta tantas outras transformações que teimam em se fazer presentes nos cadernos escolares e corriqueiras sms (miyudas, olah, uke, xocolatado, oy, beybes).

terça-feira, 24 de maio de 2011

Estorias em Maputo (41)

Está de parabéns a FEMATRO pela grandiosa frota posta a disposição dos maputenses e outros cidadãos que habitam para la da portagem, particularmente aqueles que têm neles o único meio para se deslocarem de seus locais de residência para o trabalho, para gwevar, para a escola ou mesmo hospital e no sentido inverso.


Está de parabéns a FEMATRO por ter empregue mulheres, ainda que apenas como cobradoras. Quiça como motoristas não teriam aquela delicadeza só delas para, pacientemente, esperarem que idosos, doentes e portadores de deficiência, não só entrem na viatura como também se acomodem em seus bancos ?


De toda a forma, está de parabéns a FEMATRO por colocar, pela primeira vez na história do transporte privado urbano, cobradores e motoristas fardados. Obviamente, é também positivo o facto de dar, como contrapartida, pelo pagamento, um bilhete de viagem. Constatar que as quinhentas vão para o bolso devido, faz bem a quem paga!


Está de parabéns a FEMATRO por ter proporcionado viaturas com condições para salvaguardar a integridade fisica de seus utentes. Muito raro cá na praça, sobretudo para viaturas dessa dimensão, estes "chapões" possuem cintos de segurança, mas, "essa gente pah", deve olhar para eles e pensar que uso poderão fazer noutras situações…


Está de parabéns a FEMATRO por manter os hábitos das necessidades dos passageiros : parar nas paragens por estes determinadas e por aceitar no seu interior todos os "xidjumbas" possiveis e imaginarios. Obviamente não é gratuito, mas esse gesto ja de si é de salutar.


O resto? É o resto! O que importa é que está de parabéns a FEMATRO e palmas por isso "clap, clap, clap"...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

"Refresco"

O refrigerante, vulgarmente conhecido entre nós como refresco, é uma bebida que serve para refrescar quando a sede aperta… Graúdos e miúdos, sobretudo em tempo de calor intenso, característica do verão nesta pérola do Indico, se deliciam com tão refrescante bebida. Obviamente, a escolha da qualidade e quantidade, do "sedificante", é determinado pela volume da riqueza do bolso de cada um.

Mas, hoje em dia, o refresco já não se toma só em tempo de calor e apenas em locais como esplanadas, bares, barracas, restaurants, take aways, colemans de rua ou no aconchego familiar. Não, não ! O refresco toma-se em toda a extensão do Rovuma ao Maputo e do Indico ao Zumbo em toda a extensão do elo que junta esses pontos cardeais: as estradas nacionais, secundárias e quiça terciárias.

Por tudo e por nada, serve-se um refresco. Esse "toma que te dou", é particularmente servido em bandeja de prata ao tipolicia de trânsito que não perdoa a presença de mais um frango na viatura, mas fecha o olho para um pisca que não pisca... Aliás, muitos dos que conduzem, circulam sempre munidos "com um algum algo" no porta-luvas ou entre os documentos do carro, dependendo da vergonhosa ousadia de cada um !

Mas o refresco não se serve só na estrada ! Galga passeios, entra porta adentro, atravessa pátios e corredores. Nada o détem ! No hospital, no notário, na escola, nos serviços de registo criminal… Onde o individuo sujeita-se a uma morosa e longa espera por uma consulta, pela colheita de análises, por uma assinatura e carimbo, por um certificado, por um parecer… Zás tràs, toma lá um refresco !

O mais engraçado é que o refresco "refresca" tanto para facilitar serviços como para "agradecer" ! Mas, o obrigado, até pouco tempo sinónimo de boa educação, não enche a barriga de ninguém. Um refresco, voluntário "é mais melhor". Mas se assim não é, o tomador não mede palavras para manifestar a sua sede : "Não vai nem um refresco ?"

segunda-feira, 28 de março de 2011

Estórias de Maputo (39)

A opção de incluir no currículo moçambicano a cadeira de Noções de Empreendedorismo, ao contrário da disciplina de Agropecuária, particularmente na Grande Town, está, para jovens avisados o surtir algum efeito. Uma moda muito recente, aprendida das oficinas televisivas doutros exemplos de sucesso, está a fazer furor no seio da moçada e, quem a faz, esfrega as mãos de contente.

O tal negócio é o da criação de colares e de outros acessórios feitos com base em vestuário, de preferência de algodão, aparentemente sem nenhuma serventia. Por conta disso, muitos adultos se têm queixado do desaparecimento de camisetes e não se lhes conhecem o destino... Contudo, isso são outros quinhentos !

Ora, visto que as fontes de matéria caseira tendem a revelar-se insuficientes para tamanha procura, é habitual ver-se as meninas, entre pouco menos ou pouco mais de 15 anos, envoltas em fardos de segunda mão a procura de t-shirts das mais variadas cores para a produção do negócio que está a dar.

No local de aquisição do material, a compra é feita a preços irrisórios (5Mt/unidade) se bem que, desconfiados de que algo está a acontecer, os fornecedores tendem a duplicar o preço da matéria-prima, mesmo daquela que já era dada como perdida. Ora, com ou sem essa tendência, por sua vez os colares são vendidos no ambiente escolar a preço de 100 à 125 Mt ou só a mão-de-obra se de amigas se tratarem.

As manas dos salões de cabeleireiro, que nunca estão distraídas, compram esses produtos e revendem-nos duas ou três vezes mais o preço inicial que não é de todo barato. Evidentemente, por enquanto o negócio é bom ! Mas, para as artesãs dessa arte, fascinada pelos dividendos imediatos que o corte e o retorce dos panos traz, descuram outra obrigação e dever que lhes é fundamental : estudar !

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Estórias em Maputo (38)

O pequeno-almoço é uma refeição que contribui grandemente na definição do que vai ser o dia de quem o toma ou não. Matabicho, como é por cá chamado, é o momento de matar o afaimado bicho que faz roncar estômagos vazios por via do chá com pão, mandioca, batata-doce ou xiquento (sobras do jantar).

Contudo, com o agudizar da crise esta refeição parece estar a perder o seu estatuto ou tradição. De refeição primeira, cada vez mais tarda em chegar à mesa do citadino. Em muitas casas, é sinónimo de almoço. Para outros tantos, que a essa hora encontram-se longe de casa mata-se o bicho com um pratão de sopa e metade de um pão, de preferência, subvencionado.

Assim, exércitos de citadinos de vários extractos sociais, chapeiros e cobradores, funcionários vários, estudantes e professores, babalazados e outros, desde as primeiras horas da manhã fazem-se as barracas para ao preço dentre 20 à 35 meticais consumirem uma sopa que se torna a cada dia que passa não o alimento da preferência matinal do Zé Povinho mas o que é possível consumir.

Inicialmente adoptada como a fórmula para "a ressureição dos mortos", entenda-se ressacados, hoje a sopa da rua tem outra dimensão : é o que, a preço baixo, melhor engana o estômago. Como o universo de consumidores de sopa aumenta substancialmente, as "sopeiras", de olho no lucro, quão ladrão que vê oportunidade criada, no lugar da batata usam farinha de milho, maputizando o prato.

Também, como a clientela é tendencialmente carnívora, as sopas são intencionalmente enriquecidas com todo tipo de desperdicio animal e ainda, num perpétuo continuum, as sopas do dia anterior enriquecem novas sopas. Isto tudo, pondo de lado a questão da higiene. De toda forma e pelo número crescente de consumidores, a sopa é uma coisa boa!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Fazer mais como?

Os hábitos de leitura actuais circunscrevem-se, muitas vezes, em leituras pontuais de artigos e obras com a intenção de produzir algum trabalho denominado de pesquisa. Isso é geralmente notório no seio dos estudantes universitários e, ainda que em número infimo, de alguns estudantes do secundário que são « forçados » a procurar, em outras fontes, que não os livros escolares, matéria para a consolidação de sua aprendizagem.

O exercicio de leitura dum jornal, à excepção do que se pode ter acesso a custo zero, e que ultimamente é mais visto em motocicletas indianas do que sob os olhos de quem não os pode comprar, já não é tão banal. Se a ele não se tem acesso, por exemplo, no local de trabalho, olhos postos em jornal resume-se ao que se pode ver em manchetes disponíveis nas bancas dos ardinas.

Visitar uma livraria e de lá sair com um ou mais livros, mesmo em tempo de feira, é um gesto luxuoso para muita gente que, inevitavelmente, faz a comparação entre o preço deste com o de um saco de arroz. Ademais, se até agora muitos ainda não compraram os livros escolares de que outra postura se pode esperar relativamente a outras literaturas menos obrigatórias?

Poder-se-à pensar na opção de compra de livros em segunda mão, geralmente vendidos na rua. Esses também tem a sua estória, sobretudo no que tange a proveniência. Fruto de revenda por parte de seus legitimos proprietários, de roubo em bibliotecas ou em livrarias, esses livros não são de todo bon marché : são eles também comprados por quem pode.

Recorrer à biblioteca requer o cartão de acesso, outro custo a evitar a todo o custo, sob risco de, no local, constatar-se que as obras requeridas se ainda existem estão incompletas. Outra inquietação é que as bibliotecas estão distantes da residência/escola, o que diminui qualquer vontade hérculea de leitura face a perspectiva de que depois do lazer haverá o desprazer da luta por um espaço no chapa…

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

NUA

A segurança nas escolas é, a par da preocupação com a qualidade e com as condições de ensino-aprendizagem, um dos maiores calcanhares de Aquiles do sistema nacional de educação, com particular enfase para os primeiros anos de escolarização. Como forma de, entre outros, colmatar esse problema, foi instituído o uso do fardamento e, tendo-se este revelado insuficiente procurou-se, e ainda procura-se, por soluções urgentes.

Face a tantas dificuldades e conscientes de que sozinhas não as conseguiriam resolver, as direcções da escola apelaram ao contributo dos pais e encarregados de educação. Dessa relação, resultaram os Conselhos de Escola que, entre outras decisões, apostaram na contratação de guardas de vigilância, meio humano não assegurado por "quem de direito".

Para o pagamento dos salários dos referidos guardas, no acto de matrícula passou-se a pagar uma taxa, muito contestada por não ser gerida com transparência e que, feitas bem as contas, não trouxe a tão almejada segurança dentro e nas imediações dos recintos escolares. Importa referir que para os valores pagos pelos encarregados de educação, durante as aulas poderiam estar de serviço pelo menos 4 guardas e à noite outros 2.

Muito recentemente, com a ajuda dos conselheiros de serviço, "quem de direito" decidiu-se pela adopção do Número Único do Aluno (NUA) que figurará no bolso da camisa do aluno (a comprar) e no seu processo académico. A primeira vista, este sistema visa controlar(?) os movimentos entrada e saída da escola. Poderá também contribuir para uma base de dados, tão urgente quanto necessária, para o cálculo de médias e consequente emissão rápida de certificados.

Mas a grande questão não se cala é: sabendo que moçambicano é, por "naturezização", um desenrasca, a ponto de alugar fardamento e arma de policia para extorquir seus semelhantes, que segurança trará um bolso enumerado a quem os porta?

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Dito pelo não dito

“Tenho 28 anos, casado mas carente, 2° ano do ensino superior, procuro miúdas nas mesmas condições, sem compromisso. Interessada escreva kero e deixe seu número de telefone.”


"Ola sou a Deyse. Mulheres que procuram criar novas experiências... Contacto 82... "


Para bom entendedor, meia palavra basta!


In rodapé do programa de entretenimento Music Box

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Questionações (1)

  1. Para que servem efectivamente as taxas pagas (entre 50 e 100 Mt), pelos encarregados de educação, no acto da matricula?
  2. Para o salario dos guardas escolares (entre 1500 e 2200 Mt)?
  3. A quem se prestam contas?
  4. Que aplicação se faz ao valor remanescente?
  5. ...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Estórias em Maputo (36)

Há coisas para as quais o comum e pacato maputense não pode fugir no seu dia-a-dia. Dentre esses aspectos, está o uso, sobretudo nas manhãs e ao fim do dia, do transporte semi-colectivo de passageiros, vulgo chapa. Chapa 100, um antigo referente do valor a pagar pela viagem, de cuja simbologia ficaram apenas as expostas e cortantes chapas da carroçaria e o seu desventrado e perfurante interior.


Num chapa, para além do habitual encurtamento de rotas, que todos usuários vivem no bolso e na pele, ocorrem outros fenómenos stressantes : pugilato para aceder ao mesmo, velocidade vertiginosa, malabarismo na via, som com décibeis dignos de fazer inveja a muita discoteca, cobradores mal encarados, indisciplinados e arrogantes e, claro, a presença constante de guindzas que sorrateiros espreitam toda e qualquer oportunidade.


Oportunidade essa que se oferece quando o cobrador, sem modos absolutamente nenhuns, em alto e bom som, ordena e impele rudemente os passageiros a ocuparem todos os espaços, em completo desrespeito a postura do esqueleto humano. Claro, o passageiro safado aproveita-se desse arranca-acelera-vira-revira-trava para roçar e apalpar a curvatura feminina indo ao extremo, com visível prazer, de encoxar e assim realizar os seus mais profanos devaneios.


Ainda nessa vertiginosa viagem, com destino previamente traçado, mas que pode ser subitamente alterado, por um tipoliça esfomeado, por uma paragem em sentido contrário repleta de potenciais clientes, por uma avaria ou pela incerteza que é a vida, um misto de adrenalina e medo transparece no semblante dos viajantes que, ao contrário da team que só pensa em chegar em primeiro ainda acreditam que « encher não é acomodar » e « correr não é chegar ». Chapa ntsém!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Em nome da b'leza

A vaidade feminina já não mais tem limites! Vale tudo e mais alguma coisa. O mais importante é estar-se e sentir-se: mais linda, mais sexy, mais gostosa, mais ... A lista não acaba e cada mulher com a sua merecida razão! Os atributos, bonificados pela natureza e que sempre nos caracterizaram, não mais se apresentam como realmente são tanto na cidade como nos seus arredores pois o padrão de beleza transfigurou-se.

Já não se é nem se está 100% natural! Está-se é a caminho dos 100% artificial! Tudo, em nome da beleza. Essa que nos é mostrada pelas musas de inspiração, artistas e figurantes desnundas em video clips, trazida pelas manas da South, do Brasil, da China ou da India ou ainda vendida pelos estrangeiros com raízes firmadas cá na terra e que ditam a moda das damas.

Não mais nos apresentamos com tranças “tipo” xikwenheta ou s’três. O cabelo deve estar frisado ou com apliques de mexas, tissagens e extensões. As unhas, segundo dita a regra do momento, devem ser acrilicas ou de gel e sempre com a manicure em dia. Afinal, nail art é o que está a dar, vender e a lucrar... Parece que basta? Entra no pacote roupa e acessório que devem combinar na cor, formato e material.

E, não é tudo! Enquanto que umas tentam a todo o custo diminuir o peso, com chás adelgaçantes e dietas milagrosas, as curvas femininas de mulheres com posses são turbinadas com silicone e bisturi, no estrangeiro. Outras tantas mulheres preenchem suas “insuficiências” com soutiens almofadados e com a récem saída da fábrica calcinha-bumbum! Pois é, beleza é sacrificio no bolso, na mente e no corpo!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Estórias em Maputo (35)

Em Maputo, todo e qualquer tipo de evento, seja ele de alegria ou de tristeza, termina ou tem como etapa os comeretes e os beberetes. Com essa oportunidade, única para muitos alimentarem-se do bom e do melhor, em doses que o estomago aguenta, e do que raramente figura no cardápio caseiro, abre-se também uma porta para que muitos tirem disso outros mais proveitos.

Na cozinha, os cozinheiros e pseudo-ajudantes suprimem desde ingredientes crus à própria comida já confeccionada, incluíndo nesse pacote os respectivos recipientes, para a desgraça completa de seus proprietários. Os barmen também não poupam esforços : levam até rolhas extras para compensar no momento da contagem das garrafas consumidas.

Na cauda desta procissão, aparecem aqueles que, sob pretexto de que têm cães, recolhem restos de comida. O mais engraçado é que nas tais dog bag os alimentos são incrivelmente acondicionados faltando apenas etiquetas pois não dá para juntar "carne com mariscos porque o cão é alérgico" ou "carne com osso porque tenho cães que não comem ossos". Vê se pode !

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Moçambicano é assim...*

1. Ao invés de ajudar, saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas.

2. Estaciona nos passeios, pouco se importando se o faz por cima duma fossa rebentada.

3. Suborna ou tenta subornar quando é apanhado cometendo qualquer infracção, até quando o policia pede para acender um cigarro...

4. Troca voto por futilidades: camisete ou capulana.

5. Fala ao celular enquanto conduz lentamente.

6. Pára em filas duplas ou triplas em frente às escolas dando um grande exemplo aos petizes.

7. Conduz após consumir bebidas alcoolicas em excesso e quando é apanhado com a boca na botija puxa dos canudos e exibe o seu grau honorífico.

8. Fura filas nos bancos, utilizando-se das mais esfarrapadas desculpas.

9. Espalha fogões à carvão assando ou fritando qualquer coisa nos passeios.

10. Arranja atestados médicos sem estar doente, só para faltar ao trabalho.

11. Faz ligação clandestina de luz, de água e de tvcabo e ainda se gaba de ser o tal.

12. Regista imóveis no cartório num valor abaixo do comprado, muitas vezes irrisórios, só para pagar menos impostos.

13. Quando viaja a serviço pela empresa, se o almoço custou 100 pede recibo de 2000.

14. Comercializa objectos doados aquando de alguma tragédia, as tais de xicalamidade.

15. Estaciona em lugares destinados para deficientes alegando que deficientes não possuem viaturas.

16. Adultera o velocímetro do carro para vendê-lo como se fosse novo.

17. Compra produtos pirata com a plena consciência de que o são e espalha aos quatro ventos que só veste roupa de griffe.

18. Leva do local onde trabalha, pequenos objectos como clips, envelopes, canetas, lápis.... como se isso não fosse roubo.

19. Quando encontra algum objeto perdido, na maioria das vezes não devolve, afinal apanhar não é roubar.

20. Quando volta do exterior, nunca diz a verdade quando o fiscal aduaneiro pergunta o que traz na bagagem.

* adaptado

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

"'Stá" a bater!

O ano lectivo está prestes a terminar. Pelos corredores das escolas constata-se uma azáfama incomum.

Dum lado, encontram-se os professores numa correria contra o tempo; a regularizar testes dos alunos faltosos, elaborar pautas, aprender a trabalhar a todo custo com Excel, participar em conselhos de notas, afixar… e, do outro lado, como formigas atrás do açúcar, os alunos cobrem as salas dos professores e os cercam no estacionamento, nas paragens de chapa, nas portas das casas de banho, nas cantinas, nas barracas mais próximas. Tudo isso a procura de valores para passar de classe ou admitir ao exame.

Nos corredores, o cheiro de urina das toilettes foi substituído por feromonas das alunas, que circulam semi-nuas, com andares suaves, dançantes, sorrisos pálidos, prontas a negociar o seu néctar com os professores pobres em moralidade e de zipes menos seguros.

Paira no ar a luxúria, o negócio, a cumplicidade, o sexo implícito, que por momentos confunde-se com a zona quente. Nos corredores, ouvem-se ecos de risos de hienas. Nos rostos dos professores predadores, brilham olhos cristalinos, feito comerciantes prestes a consumar um negócio.

Bocas com cheiro de fome foram substituídas por arrotos de satisfação, de esperança. Afinal a profissão de professor tem lá alguns benefícios….Há alegria pelo merecido troféu que enfim vai chegar, para terminar a obra que só se move nos finais de semestre, para comprar um carro de segunda mão, um fato sonhado, colorir a mesa da família ou ser o “paga bem” na barraca da zona.

Paira injustiça nos corações dos alunos menos afortunados de corpo e agrados, pois mesmo tendo se esforçado, vão repetir o ano. Paira esperança nos olhos dos alunos afortunados, dos alunos mais queridos, que anseiam ter no ano que vem professores negociantes como os do presente ano…. E assim se faz o ensino….

Texto da autoria de F. E. Changule, in Facebook

domingo, 17 de outubro de 2010

Saldo zero !

O sistema nacional de saúde, melhorou muito, isso não se pode negar. A falta de alguns medicamentos, nas farmácias públicas é uma unha encravada e não é menos verdade que, muitas vezes, os recursos humanos falham ou demonstram uma incompreensível insensibilidade. Mas, errar é humano, não é ?

Ora, a (in)sensibilidade humana, nos nossos hospitais, é o único pão nacional ao qual não se lhe diminuem gramas, nem com intenso calor que é característico destas paragens. As unidades privadas têm também o seu pedaço de (in)sensibilidade que é servido em momentos em que a vida está literalmente por um fio.

Já nem sequer bastam as garantias de empresas de índole reputada ! Pouco importa se a pessoa está à porta da sala de operações ou se está na metade de uma medicação… Pouco importa se faltam uns míseros trocados, tão insignificantes para tamanha chantagem emocional: é saldo zero ou… !

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Alerta vermelho

Qualidade e segurança são preceitos que contam bastante na escolha da escola na qual as crianças, adolescentes e jovens se (vão) forma(r)m. Na concorrência com escolas públicas, frequentemente as escolas privadas são eleitas por apresentarem, a par de outros aspectos não negligenciáveis, perfis com altos padrões de contrôle na segurança e na qualidade de ensino.

Verdade é que essas escolas transmitem tanta segurança que muitos pais se limitam, em grande parte dos casos, em manter em dia as mensalidades com alguns laivos de participação em reuniões para as quais são convocados, quando não enviam o filho, empregada ou guarda para os substituirem.

Naturalmente, o facto de estudarem em tais escola, em alguns casos, faz parecer que esses meninos são filhos de pessoas com muitas posses, o que não pode de toda a forma ser generalizado. Contudo, o meio de transporte, os casacos, o calçado e as pastas de marca, os leitores de música e telemóveis top gama, deitam por terra qualquer argumento nesse sentido.

Como há gente que não está cega a "esses argumentos", os meninos bonitinhos passam a meninos-vitimas pois outros meninos, mais vividos e "empreendedores", aproveitam-se desses sinais para os aliciarem, com sua amizade e compreensão dos problemas que caracterizam essa faixa etária, para caminhos obscuros onde impera sobretudo a poeira e o fumo.

A principio em pequenas doses, "só para experimentar" e pouco depois, quando já começa a animar, no "se quiseres mais traz lá tako, tuas sapas, algo da tua casa ou cenas do teu kota, pra gente biznar e dividir", os argumentos que reflectem o modus vivendi dos meninos bonitos transforma-os em isco do que todos sabem que existe por aí e esperam que não exista entre os muros escolares.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Estórias em Maputo (34)

As metamorfoses que correm na Grande Town, mesmo as de natural ou provocada degradação, parecem ocorrer com intuitos claramente definidos. Talvez pela dinâmica da economia do mercado, quando menos se espera, um espaço dedicado a determinada função sem aviso prévio muda de actividade, com todos os prejuízos que isso acarreta.

O mais agravante, dessas inesperadas mudanças, é que muitas vezes, já que quase todo tipo de compras, do mercado formal, se faz a base de depósitos, esses valores são perdidos dado que frequentemente os clientes não são previamente avisados e o negócio não é reposto noutro local (se o é, raramente há indicações de onde o procurar).

Algumas dessas metamorfoses, pertinentes reconheça-se, passam despercebidas. Contudo, há mudanças de magnitude tal que deixam em estado de choque os habitués dum espaço que, quando entram porta adentro, encontram outro cenário e outro leque de serviços completamente diferentes do procurado.

Por exemplo, as raízes duma das mais médiaticas flores de Maputo foram arrancadas a favor de mais um mealheiro, bem nas barbas de outros tantos. Onde foi replantada ? Para bom entendedor, meia palavra basta. Afinal, em Maputo, as coisas são assim mesmo, mudam "daqui pra qui"!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Hakuhanavanuna?*

Um novo negócio, empreendido pelas manas dos biznis, floresce a olhos vistos, e tem, a cada dia, cada vez mais adeptas : os vibradores. Originários de outras paragens, onde esses objectos eróticos são tratados por "tu", os vibras, de vários feitios, tamanhos e cores, se fazem presentes em muitas casas de dono e muitos "donos de casa" disso nada sabem.

Com preços que variam entre 2500 à 9000 meticais, consoante a multiplicidade de funções e a maleabilidade do material, os vibras cohabitam clandestinamente em muitas casas pois, o mulherio, potencial comprador desses objectos, particularmente as casadas ou com companheiros de leito, fixos ou esporádicos, escondem destes a posse do dito cujo.

Contudo, mesmo as livres e soltas também escondem que possuem um vibra. Evidentemente, por detrás desse escondimento se encontram várias razões. Mas, sabido que na nossa sociedade essa prática não é corrente isso leva, certamente, a indagações. Será que os homens ja nao cumprem com os seus deveres ou hakuhanavanuna?

*Já não há homens ?

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Estórias em Maputo (30)

A principio pequenos, insignificantes, quase que invisíveis, com o desenvolvimento da Grande Town, que ao mesmo ritmo se degrada, um contigente de seres nojentos, por todos ignorados, metamorfosea-se e, tal como muitos maputenses, multiplica-se e vive tranquilamente sem cumprir nenhuma postura camarária.

Senhores absolutos do subsolo de Maputo, os ratos ou melhor as ratazanas, alimentados pelo descaso dos legítimos habitantes desta terra, são talvez, nestes tempos de apertar mais um pouco o cinto, os únicos "citadinos" que, sem reclamar, engordam a olhos vistos.

Fossas cépticas rebentadas ou entupidas, dejectos a rolar pela cidade abaixo, lixo por tudo quanto é lado, tanto no interior como no exterior dos edificios e habitações que engalam Maputo, negligência dos citadinos e de "quem de direito", as condições para que esta população reine e impere, estão completamente garantidas.

Eleitos como cobaias, em centros de pesquisa, pela similaridade,em muitos aspectos com o ser humano, a convivência com estes seres asquerosos é prejudicial para a saúde humana pois estes são portadores de doenças transmissíveis ao Homem como, seja o Diabo surdo e mudo, a peste bubônica.