sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Maputo, afinal é possivel?
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
NUA
A segurança nas escolas é, a par da preocupação com a qualidade e com as condições de ensino-aprendizagem, um dos maiores calcanhares de Aquiles do sistema nacional de educação, com particular enfase para os primeiros anos de escolarização. Como forma de, entre outros, colmatar esse problema, foi instituído o uso do fardamento e, tendo-se este revelado insuficiente procurou-se, e ainda procura-se, por soluções urgentes.
Face a tantas dificuldades e conscientes de que sozinhas não as conseguiriam resolver, as direcções da escola apelaram ao contributo dos pais e encarregados de educação. Dessa relação, resultaram os Conselhos de Escola que, entre outras decisões, apostaram na contratação de guardas de vigilância, meio humano não assegurado por "quem de direito".
Para o pagamento dos salários dos referidos guardas, no acto de matrícula passou-se a pagar uma taxa, muito contestada por não ser gerida com transparência e que, feitas bem as contas, não trouxe a tão almejada segurança dentro e nas imediações dos recintos escolares. Importa referir que para os valores pagos pelos encarregados de educação, durante as aulas poderiam estar de serviço pelo menos 4 guardas e à noite outros 2.
Muito recentemente, com a ajuda dos conselheiros de serviço, "quem de direito" decidiu-se pela adopção do Número Único do Aluno (NUA) que figurará no bolso da camisa do aluno (a comprar) e no seu processo académico. A primeira vista, este sistema visa controlar(?) os movimentos entrada e saída da escola. Poderá também contribuir para uma base de dados, tão urgente quanto necessária, para o cálculo de médias e consequente emissão rápida de certificados.
Mas a grande questão não se cala é: sabendo que moçambicano é, por "naturezização", um desenrasca, a ponto de alugar fardamento e arma de policia para extorquir seus semelhantes, que segurança trará um bolso enumerado a quem os porta?
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Estórias em Maputo (27)
Na cidade das acácias rubras, em irreversível decadência, o adágio quem não deve não teme parece ter evoluído para outro significado pois ocorre um fenómeno curioso: os cidadãos pacatos por não terem meios para "se desculpar", entenda-se de subornar, receam a polícia, seja ela de protecção ou de trânsito, mesmo estando em situação regular.
Suspeitos, geralmente pelo aspecto que apresentam e pelo que consigo trazem (sacolas, caixas, etc.), muitos maputenses e, eventualmente muitos outros moçambicanos e estrangeiros, em outras paragens, são preferencais alvos à abater. Com ou sem a mão na massa, rarissímas vezes os suspeitos são encaminhados à esquadra. O assunto é "julgado" nesse mesmo local ou a poucos metros do mesmo se houver curiosos mirones.
O mais evidente é o beat entre chapeiros e policia municipal que só não é desmantelado por má vontade do tal de "quem de direito"! Os municipalitos, que usa a mesma técnica que os policias de trânsito, mandam os chapeiros pararem e solicitam a apresentação da documentação. Como sistematicamente os chapeiros estão em falta, zás, logo logo "prendem os documentos".
Como os chapeiros há muito alimentam esse círculo, quando indicados a parar, num road block, estacionam a alguns metros dos policias e a eles dirigem-se com os documentos, no meio dos quais há sempre um cash. Caso contrário, deixam os documentos e, na viagem de volta, "mimam" o policia que fecha os olhos a um número assustador de irregularidades.
O que mais enerva é assistir a esse espectáculo gratuito, de categoria inqualificável, no qual os tipoliça, achando-se as últimas bolachas do pacote, sujeitam-se a uns míseros 50 paus "porque só entramos agora na praça, chefe" e são alvo de chacota geral dos passageiros e da team do chapa que se vangloria de ter pago umas quinhentas. Epa, policias pah !
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Licenciados
Alimentados pela perspectiva do mesmo sonho de sucesso, de cariz pessoal ou institucional, muitos afluem às diferentes e contabilizadas 38 academias em Moçambique. O objectivo primeiro e final é licenciar-se na área à escolha, exercer a profissão e, evidentemente, ser sempre bem sucedido profissional e financeiramente, afinal ninguém planta para não colher.
Nesse contexto, em diversas áreas, no país, anualmente avoluma-se o contigente de licenciados saturando, de certa maneira, o possível espaço laboral a oferecer a estes. Por exemplo, no professorado, ao invés de se dar primazia a professores com formação psico-pedagógica completa, o espaço é ocupado por pessoal despreparado para essa tarefa por falta de cabimento orçamental.
Noutras áreas, os licenciados de tanto vaguearem à procura de emprego à altura de sua formação acabam até "fugindo" da sua própria especialização para poderem ter um emprego que ao menos os satisfaça financeiramente. Face a isto que futuro terá o exército de licenciados que anualmente é engrossado (vem mais "chumbo" esta semana) por batalhões com licença para...?
E ainda ha pouco entrou a moda da pos-graduação...
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
O poder do amor
Segundo a visada, em declarações aos medias, sempre in ao polemitizar certos casos sociais, a decisão surge do facto desta ser a conditio sine qua non para o perdão total de seu esposo, na altura trabalhador nas minas da África do Sul, a quem a presença da petiz por certo faz pesar os cornos.
As autoridades solicitadas por esta jovem recorreram ao Gabinete de Atendimento à Mulher e a Criança, na polícia, que prontamente "convenceu" à jovem a não deixar a petiz aos cuidados do Estado Moçambicano.
Hoje nos chapas e, segurmante, em muitos outros cenários a questão é esgrimida até a exaustão com uns a condenarem a jovem pelo assaz acto contra natura e com outros a compadecerem-se com o caso. Terá a jovem agido erradamente? E se assim não tivesse sido, como seria ?
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Pernas da mentira
Segundo o wikipedia, em seres humanos, os sintomas de gripe A (H1N1) são semelhantes aos da gripe e síndroma gripal em geral, nomeadamente calafrios, febre, garganta dolorida, dores musculares, dor de cabeça forte, tosse, fraqueza, desconforto geral, e em alguns casos, náusea, vômito e diarreia.
Reportagens efectuadas, sobretudo apos a confirmação de um infectado, aquando dos Jogos da Lusofonia, que tiveram lugar em Lisboa em Julho passado, demonstraram, apesar da tranquilização por parte da Organização do evento, que deveriamos estar mais atentos a este facto.
Um pouco depois, as reportagens efectuadas à porta do Aeroporto Internacional de Mavalane, deitaram por terra as "pernas" do MISAU pois todos os passageiros vindos de Lisboa afirmavam nem sequer ter sido abordados ou informados pelos entidades de saude no local.
Na fronteira de Ressano Garcia, local de intenso movimento de e para a Africa do Sul, local onde ja se apresentaram alguns casos, o mesmo cenario foi mostrado: ninguém foi indagado sobre o seu estado de saude ou informado sobre o virus H1N1.
Dentro da cidade, reportagens posteriores, visando o mesmo objectivo, demonstraram que o MISAU pouco ou nada tem feito para mudar este cenario, deitando por terra, uma vez mais, a tese emitida pelo Director-Adjunto da Saude, Leonardo Chavane, segundo a qual " a informação esta a ser dissiminada a nivel das unidades sanitarias". E como fica o slogan "prevenir é melhor do que remediar?"