sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Maputo, afinal é possivel?
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Hakuhanavanuna?*
Um novo negócio, empreendido pelas manas dos biznis, floresce a olhos vistos, e tem, a cada dia, cada vez mais adeptas : os vibradores. Originários de outras paragens, onde esses objectos eróticos são tratados por "tu", os vibras, de vários feitios, tamanhos e cores, se fazem presentes em muitas casas de dono e muitos "donos de casa" disso nada sabem.
Com preços que variam entre 2500 à 9000 meticais, consoante a multiplicidade de funções e a maleabilidade do material, os vibras cohabitam clandestinamente em muitas casas pois, o mulherio, potencial comprador desses objectos, particularmente as casadas ou com companheiros de leito, fixos ou esporádicos, escondem destes a posse do dito cujo.
Contudo, mesmo as livres e soltas também escondem que possuem um vibra. Evidentemente, por detrás desse escondimento se encontram várias razões. Mas, sabido que na nossa sociedade essa prática não é corrente isso leva, certamente, a indagações. Será que os homens ja nao cumprem com os seus deveres ou hakuhanavanuna?
sábado, 15 de maio de 2010
Novos contextos, outros textos
Durante muito tempo, se bem que se propagava à torto e à direito, o preservativo foi sempre publicitado dando a sensação de ser «algo» : um produto pouco atractivo que se revelou incomodativo, pouco prático, mais ruidoso do que os decibéis permitidos, etc. Nessa altura até surgiu a máxima «banana com casca, não anima» melhor era « nhama com nhama ».
Também, comprar um preservativo, em momentos do passado, foi sinónimo de promiscuidade por parte de quem o adquiria em vários pontos de venda. Era preferível adquiri-los gratuitamente nas toiletes de restaurantes, discotecas, escolas, etc. Derivado disso, as mulheres, para não serem conotadas como profissionais da mais antiga profissão do mundo, pautaram pelo não comprar.
Evidentemente, essa situação criava condições para que, na hora H, as possibilidades de negociação, entre homem e mulher, se tornassem quase nulas para o lado do sexo mais fraco pois cabia ao machão a tarefa de o comprar e, evidentemente, de o usar se a sua vontade assim mandasse.
Felizmente, hoje, talvez por força dos dados estatísticos, que revelam altos indices de contaminação pelo virus do HIV, sobretudo da mulher, os discursos mudaram. Finalmente as mulheres podem comprar preservativos tal como compram sabão pois “toda a gente precisa” e se sentirem seguras porque as suas amigas sabem, que nas nigths, ela está protegida pela companhia do preservativo.
Por seu lado, os homens, casados ou não, em cenários paisagísticos, ideiais para lua-de-mel protegida pelo preservativo, dizem de boca cheia que, apesar de não ter sido prática frequente do passado, devem e vão usá-lo pois está é uma forma de amar à la mozambicaine. Clap, clap, clap… Que dizer ? Ainda bem que os moçambicanos finalmente aprenderam a amar : haja muito amor nesta terra !
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Standlândia
Por exemplo, na Av. Marien N’Guabi, Av. De Angola, Av. Guerra Popular e Av. 24 de Julho, há entre 4 e 7 stands de vendas de viaturas. Na Av. 25 de Setembro, na Av. Amilcar Cabral, na Av. Vladimir Lenine, há outros tantos (entre 2 e 4). Nessas mesmas avenidas há, na Av. Marien N’Guabi 2 escolas, na Av. De Angola também 2, na Guerra Popular idem e aspas e 4 na Av. 24 de Julho (escolas ou centros de formaçäo de referencia).
Pode-se constatar, portanto, que em Maputo vende-se carro como se vendem tangerinas em Julho, amendoim torrado todos os dias e badjias frias à porta da padaria. O mais engraçado é que esses stands, tal como cogumelos selvagens ou cacana, que melhor germina em meio inapropriado para algo que se consome (latrinas), nascem e crescem em espaços täo microscópicos que as manobras säo feitas, seguramente, com uma fita métrica.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Estórias de Maputo (4)
Pandora, já vendeu de tudo um pouco (mobiliário, vestuário, electrodómesticos, acessórios diversos, cortinado, etc).
Belita, depois de oferecer um infindável número de servicos, é agora um escritório do povo. Qualquer um pode digitar, imprimir, scannar e fotocopiar documentos.
Metamorfomizados...
John Or’s e Pigally e agora só tratam do Tako.
Colmeia, abatido por um enxame de abelhas internacionais, num cantinho juntou pastelaria-restaurante-padaria e mini-mercearia, noutro, um supermercado!
Djambu: Diz quem viveu nos tempos aureos do Djambu que aquilo era um show. Hoje o Djambu reduziu tanto o seu espaço que só resta o nome.
Metamoribundos...
Jardim Tunduro, a estufa de Maputo virou lixeira e covil de gatunos. Do antigo lago dos cisnes, ficou uma doce lembrança.
Café Continental, encerrado por ordem do Tribunal por causa de uma divida a um funcionario, perdeu-se a magia dos pastéis de nata com canela.
Vila Algarve. Casa linda que devia servir de sede da Ordem dos excelentissimos doutores advogados, mas... ainda nao esta em Ordem!
Metassassinados...
Hortofruticula de Maputo. Espaço de distribuição e venda de produtos horticulas ao Mercado Central transfere-se para a zona alta da cidade (será uma réplica do Zimpeto?)
Foto Lusitano. Ainda que infíma, uma parte do "retrato" de Maputo foi engolida pelo hospital da Cruz Azul.
Metafalecidos...
Prédio Pott. Um clássico na contrução nacional (prédio com base e madeira)
Café Scala. Pastelaria e Salão de Chá servia galões que só combinavam com os pastéis de nata da moribunda Continental...
Ndjinguiritane, a loja que vestiu e alimentou alguns "Continuadores da Revolução" na década de 80, ja veste outras gerações. Quiça os antigos ndjinguiritanes, hoje adultos?
Metamorfoses maputenses...
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Estórias de Maputo (3)
Uma forma de observar o quão transformada ou em transformação está "a capital" é pelo preço de material de construção que subiu a olhos vistos, havendo até momentos em que escassea. Aliás, em termos de construção, torna-se cada vez mais dificil distinguir a zona de elite da do Zé Povão pois os primeiros tendem a florescer na periferia adentrando-se aos poucos para engolir os Zezinhos!
No centro da cidade, já é normal olhar-se para o céu e ver-se gruas ameaçadoras, maquinetas barulhentas e homens a trabalhar a todo o vapor. Espaços abandonados, já não existem e se existem têm dono. Que se tire a prova dos 9 colocando um bloco: em algum canto desse espaço está sinalizado, com tabuletas, ser propriedade de alguém e mesmo inexistente, o espaço tem dono.
Até em espaços que antes se acreditava, ou assim se propalava, não serem indicados para construção, hoje estão transformados em mansões dignas de cenas hollywodianas ou em blocos de escritórios que crescem, crescem e não param de crescer tal arranha-céus.
Nessa febre de construção citadina, muitas vezes com o intuito de pôr a render cada metro quadrado desse imóvel/edificio, não se olham a alguns pressupostos como a preservação dos espaços verdes. Por exemplo, o descampado lamancento defronte do campo do Maxaquene deu lugar a uma via pavimentada.
O Centro de Manutenção Repinga, aos poucos vai perdendo, não só as pistas e as estações de exercicio fisíco como também reduz, a velocidade alucinante, o emaranhado de eucaliptos e outro tipo de vegetação, que faziam deste um local aprazível de estar e exercitar. Em nome do modernismo, uma artéria do pulmão do centro da cidade esvai-se. Quo vadis, Maputo?