sábado, 8 de novembro de 2008

Hematonas da vergonha

Hematomas da vergonha são marcas de violência doméstica em esposas de pessoas bem posicionadas nas altas esferas da sociedade ou de altos empresários da praça. Algumas vezes, essas mesmas vitimas têm um estatuto que impõe respeito na sociedade pois são advogadas, juristas ou mulheres com cargos de chefia e prestigio.

Hematomas da vergonha, são aqueles casos de violência domestica que muitas vezes arranham o macabro, tais são os requintes de malvadez, crueldade e humilhação cujos números nunca fazem parte da estatística e nem figuram nos calhamaços encardidos dos arquivos das esquadras da Policia.

Assim são denominados porque são encobertos por camadas e camadas de pó de arroz e essas tretas que realçam a nossa beleza e fazem mal a pele, tudo com o intuito de querer fazer parecer que “tudo está bem” ao invés de se denunciar esses criminosos de punhos brancos, calça com vinco e sapato de verniz.

São sim hematomas da vergonha porque, logo após o acto, infindáveis pedidos de desculpa são feitos. Presentes de valor elevado oferecidos como um “cala-te boca” para que a sociedade não saiba quem realmente é aquela pessoa que perante todos é uma pessoa respeitosa e no aconchego familiar um verdadeiro tirano.

Um exemplo de hematomas da vergonha foi vivenciado por uma espectacular mulher, de corpo e alma, formada em Direito, e que contraiu matrimónio com um individuo da mesma area. Infelizmente, o homem em questão era sadicamente ciumento que só não a impedia de trabalhar pois estavam no mesmo local de trabalho e servia-se disso para a controlar, como ele mesmo fazia questão de sublinhar.

Os hematomas, nesta mulher, levaram o seu tempo até que humilhada e destroçada mas firmemente decidida, optou por abandonar o lar da dor e consentir um divórcio do qual saiu de mãos a abanar. Quantas outras mulheres calam-se perante a chantagem a que são submetidas após terem sido “hematonadas”? Ou perante o medo de perder todas as beneses duma vida glamourosa com essa espécie de homens?

23 comentários:

poesia disse...

Em todas as latitudes existem espécies raras. Será o caso das pessoas bem posicionadas nas altas esferas da sociedade, como dizes. São hipócritas e efeminados e são, também, de uma cobardia a toda à prova. Mijam nas calças sempre que o chefe fala um pouco mais alto.
São de uma subserviência canina. Rastejam como os répteis mas, perante as mulheres, agem como uns valentões. Também se comportam, assim, com as crianças.
Com os outros, com os homens, amigos ou não, são mais prudentes. Se exercerem funções de chefia (ainda que de chefezito) regressam à postura de valentão.
Tal como as baratas, penso que uma boa desinfestação poderá erradicar estes seres que se deseja em vias de extinção

POEISA disse...
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Anónimo disse...

Acabo de sair de um blog onde encontrei o link para este. Parabens, e lindo e interessante como o outro. Uma pequena duvida escreve 'optou por abandonar o lar da dor e consentir um divórcio do qual saiu de mãos a abanar', o que significa sair de maos a abanar? Emidio Gune

Nyikiwa disse...

Este é um mundo totalmente hipócrita! De dia e fora do nosso ambiente caseiro pousamos de bons meninos para não queimarmos na foto, mas na prática somos uns hipócritas.

O caso que abordas dos hematomas da vergonha é interessante porque quantos casais aos nossos olhos são perfeitos, mas no entanto quando a noite cai os dramas revelam-se?

As paredes das casas escondem muitas sujeiras e incertezas.

Júlio Mutisse disse...

Xim, infelizmente esta é a realidade de muitas mulheres mas, infelizmente também, a violência doméstica não se pode resumir às "hematomas da vergonha", muito menos se consideradas no sentido homem-mulher.

Este, como muitos que abordas aqui, é um tema complexíssemo, com muitas ramificações sendo, a que envolve a mulher espancada e ultrajada a mais visível. Mas não esgota aí.

Embora seja um fenómeno pouco divulgado, não podemos negar que há homens que apanham das suas mulheres a ponto de, se calhar, também ostentarem "hematomas da vergonha" com o agravante de não poderem usar pó de arroz para as desfarçar.

Então, esta abordagem tem que ser abrangente. Não podemos, quer por esta via, quer por via de LEI ou outra qualquer, pretender combater a violência vinda ou ida de apenas um dos sentidos. Temos que atacar o fenómeno como algo nocivo que não deve ser tolerado.

Podemos sempre "exibir" as feridas corporais resultantes da pura violência (no sentido físico do termo) mas, mais difícil, é exibir as da alma que, se calhar, afligem os dois lados em proporções iguais, resultando deste mesmo fenómeno que é a violência doméstica.

Nyikiwa disse...

Concordo consigo Júlio Mutisse!A violência doméstica não se resume à ofensas corporais, mas também à ofensas emocionais e psicológicas. Também é verdade que os homens também são violentados mas pelas expecativas que a sociedade tem em torno deles enquanto homens não vêm a público declarar que são vítimas de violência doméstica dos mais diversos tipos.

X!mb!t@nE disse...

Baratas? Antes fossem! São seres mais execravéis como ratos de esgoto, Agry

X!mb!t@nE disse...

Agradeço a sua simpática visita pela via dos links que o levaram ao Ximbitane.

Quando digo, no artigo, que a mulher em questão saiu do lar com as mãos a abanar, quis, talvez ao contrário do que o ilustre está a pensar, dizer que apenas saiu com a roupa do corpo fugindo das pancadarias que diariamente era submetida.

No entanto, caro Emidio Gune, não ignora certamente que a comunhão geral de bens (contratos sob os quais se celebram muitos casamentos) implica a distribuição equitativa dos mesmos.

Se estivermos na presença de uma atitude de prepotência e de violência, como a que reportamos, a vitima será também prejudicada (e ignorada) na repartição do património comum, pelo menos assim espero.

PS: O Júlio Muthisse me vai dar tau tau

X!mb!t@nE disse...

Pois é irmã, infelizmente este é um dos casos reais. Apenas sai a ganhar por não fazer parte das estatisticas policiais.

X!mb!t@nE disse...

É evidente que a violencia não é só contra a mulher e sei que tem muitas ramificações, Muthisse. Apenas desvendei uma das pontas do iceberg.

Concordo consigo que não devemos mostrar uma só face deste mal e, ao publicar este artigo, como todos os outros, fi-lo com a intençao de despoletar todos os outros lados da violencia domestica bem como da infinidade de tipos.

Muitos se enganam achando que violencia é só e somente quando há agressao fisica, o que nao corresponde a verdade. Não é assim?

X!mb!t@nE disse...

Assino embaixo o teu ultimo comentário, minha caçula

Júlio Mutisse disse...

Xim, concordo consigo, esta é APENAS, uma das pontas deste Iceberg complexo.

O post vem numa época em que a sociedade civil se desdobra no sentido de influenciar a aprovação da Lei contra a Violência Doméstica que, infelizmente, e na minha modestíssima opinião - e pelo o que tenho percebido das diversas intervenções neste sentido - peca por concentrar-se em demasia nesta ponta que levantas aqui.

Meu caro Emídio, ainda hoje via na STV um caso de uma mulher que saiu do lar conjugal com as "mãos a abanar"; alias saiu com as mãos carregadas de dois filhos, escoraçada pela família do marido na Beira. Mesmo que não fossem casados civil, religiosa ou tradicionalmente, a Lei equipara as uniões de facto, em termos patrimoniais, aos casamentos realizados em comunhão de adquiridos bastando para isso que estejam juntos por um tempo superior a 1 ano (art. 202 e 203 da Lei de Família).

Fora os casos em que são escoraçados, pelo próprio conjuge ou sua família, há mulheres e homens (porque não), que cansados de pancada ou outra forma de violência doméstica, abandonam o lar conjugal com a roupa do corpo, abdicando de todo e qualquer direito que a Lei os otorga, em nome do recomeço de uma nova vida longe de qualquer forma de tormento.

PS:

Reitero, ao discutirmos este tema, temos que abrir as nossas mentes e considerar/aceitar que os "hematomas da vergonha" não têm uma única via; são possíveis, tanto de homem para mulher como desta para aquele. Que há muitos "hematomas da vergonha" invisíveis para muitos mas que calcam profundamente qualquer um. São disfarçáveis sem pó de arroz, mas altamente destrutivos nos seus efeitos.

Anónimo disse...

Obrigado Ximbitane, agora melhorou a minha compreensao, refere-se ao desrespeito por ocasiao da separacao ou divorcio, comnsiderado o tipo de casamento que as pessoass contraem. Acho entao que e um problema que deve ser tratado no forum judicial, ha contrato cumpra-se nao foi cumprido penalize-se.

De acordo Muthisse, tambem vi o caso, como ja vi tambem de homens que vao para a rua com uma mao a frente e outra atras.

Aqui surge-me uma coisa, para aqueles que casam em comunhao de bens. Amigo meu reclamava que queria separar-se mas nao sabia como fazer porque tinha casado em comunhao de bens e nao queria dividir os seus queridos bens, perguntei-me sera que as pessoas quando casam-se sabem o que significa comunhao de bens ou fazem-no apenas por moda?
Emidio Gune

X!mb!t@nE disse...

Concordo, de novo, plenamente com o teu post scriptum, Muthisse. As vezes a sensibilidade feminina (minha, no caso) peca por não olhar por todos os angulos.

Outro erro que temos, quando falamos de violencia domestica é pensar que esta é perpetrada entre casais. Reconheço, apesar de não ter exposto, que muitos homens são "violentados" pelas mulheres. Dai a importancia de percebermos o que é violencia domestica.

Tenho em maos a revista N'weti que aborda o assunto em apenso. Seria bom se todos tivessemos acesso a esta revista pela simplicidade na abordagem dos temas e sobretudo na sua riqueza ilustrativa e informativa.

PS: Vou tomar a liberdade de dar um sinal no seu móvel pois tenho uma preocupação pessoal que requer a sua atenção, no campo profissional.

Júlio Mutisse disse...

Emídio,

Há um princípio legal segundo o qual, a ignorância ou má interpretação da lei não justifica a falta do seu cumprimento nem isenta as pessoas das sanções nela estabelecidas. (art. 6º do Código Civil).

Portanto, todos temos obrigação de conhecer as leis que só é obrigatória depois de publicada no Boletim da República que, afinal, serve para lhe dar publicidade.

Isto quer dizer que temos, todos, juristas e não juristas, a obrigação de conhecer as leis. Temos, ou devíamos ter, a obrigação de ter uma cultura jurídica. Mas, infelizmente não temos. Desconhecemos até alguns direitos que muitas leis em vigor nos atribuem.

Por isso meu irmão, não estranhe que muitos nem se quer saibam o que significa comunhão de aquiridos ou comunhão geral de bens apesar de escolherem um ou outro regime nos seus casamentos.

Xim,

Pode sempre me contactar.

Chacate Joaquim disse...

Espero não ter chegado tarde Ximbita!

vou me direccionar ao que se refere à comunhão geral de bens aqui é onde reside o problema do matrimónio. porque nenhuma mulher concorda com um casamento diferente! é que se concorda! fica a saber que está se ajuntar com uma raposa... entretanto, o inverso acabamos vivendo a situação de "o que é dele é nosso o que é meu é meu". Aqui o assunto de relações conjugais e ou matrimoniais são mesmo complicados. não que não concorde com a existência de violência doméstica.

Abraços

PS: Apropósito nas esquadras (Gabinete de antedimento á violência doméstica)sei la se é isso, só há Massungakates não há Madodas porqué se o objectivo é equilibrar as relações?

Júlio Mutisse disse...

Chacate, a composição desses gabintes, tem a ver com a concepção que se tem do fenómeno, concepção com a qual descordo conforme poderás ver pelos meus comentários acima.

Quanto á questão do regime de bens a que aludes e as consequências de se propor separação ou comunhão de adquiridos, revela, quanto a mim, a distorção que se faz da natureza do casamento e dos valores que o deviam integrar.

Destaco 3 coisas do conceito legal de casamento:

>uma união voluntária e singular entre homem e mulher

>com propósito de constituir família

>mediante comunhão plena de vida

Se nos amamos, porque não secundarizamos as convenções ante nupciais que regulam o regime de bens? Eu pelo menos não fiz nenhuma convenção e o casanebti é considerado celebrado em comunhão de adquiridos.

Xim, se calhar espremermos um pouco mais a laranja para percebermos, para além dos ciumes a que aludes no post original, o que estará por detrás da violência entre conjuges:

> que efeito tem a questão patrimonial (e o controlo desse património) nos episódios de violência que conhecemos?

> qual é a nossa atitude na vida no geral e no casamento em particular quando, materialmente, nos consideramos (em comparação com os demais) mais afortunados?

> qual deve ser a nossa atitude quando na sociedade conjugal um ou outro (marido ou mulher) incorpora mais bens para a família.

> o que é que podemos fazer para evitar a viol~encia doméstica a partir do material.

Anónimo disse...

Caro Muthisse, nao seria o caso de ser obrigatorio que antes de casarem as pessoass devam ler e assinar os detalhes dos termos do casamento? Assim talvez pensassem melhor antes de casar e arcariam com as consequencias futuras em pleno juizo.

X!mb!t@nE disse...

Muthisse, sobre essa de que deviamos todos conhecer as leis, concordo plenamenente consigo, mas elas sao tantas que nunca sabemos quais ou como consultar sem orientaçoes especificas. O amigo ha-de convir que nao se trata duma leitura de lazer!

Lembro-me, quando fui madrinha de casamento ha 3 anos que os jovens em questao escolheram um tipo de comunhao porque no outro deviam pagar uma taxa. E como ja haviam as enormes despesas do casamento, mais nao fizeram do que optar pela via mais facil.

Porque nos Registos de Notariado nao ha quem explique os termos de um ou de outro? Ou entao porque nao se poe no quadro de informaçoes essas mesmas informaçoes/leis? Assim muitos dos problemas estariam resolvidos!

Ha tambem, nesta historia de comunhoes, casos em que um dos conguges, aproveitando-se da ignorancia do outro, estabelece regras para beneficio unico e pessoal. Quem orientara este ignorante se nem sequer sabe que existem leis quanto mais um advogado?

X!mb!t@nE disse...

Nunca é tarde, CJ! "nenhuma mulher concorda com um casamento diferente!" Bom, esta afirmaçao é muito dura e tendenciosa.

Nao creio que a questao seja estar a casar com uma raposa ou player, é a de salvaguardar alguns direitos. Alias, nos mulheres, ainda acreditamos que é para toda a vida tal como acontece(u) com nossos pais e avos...

X!mb!t@nE disse...

Anonimo, deveria ser assim mesmo como voce diz: casar sim, mas consciente do que se esta a fazer, em termos de lei

Chacate Joaquim disse...

Ximbita minha irmã!

Acreditam! eu acho o contrário. poucas vezes oiço aquela de Lindomar Castilho " se não fosse por amor dos meus filhos já não estaria consigo" hoje até deixam te com eles. "cadé" o espírito da minha avô e o orgulho de que vou morrer no meu lar? Agora, (...) Bom, esta afirmaçao é muito dura e tendenciosa".

Concordo que tenha sido um pouco radical, mas daí tendêncioso! veja que funcionalmente a minha afirmação pode encontar explicação, no que muitos moçambicanos ainda acreditam.O escravo da família é o homem e a mulher cabe apenas ador do parto, nesta via a mulher só casa com um homem que lhe garanta que o que existe e o que for a existir em termos de bens materiais são da pertença dos dois. Infelizmente mesmo na Europa para a maioria das mulheres a coisa ainda é vista dessa maneira. Mas já há um trabalho que está sendo feito com vista a minimizar esse fenómeno um deles é criar incentivos para a mulher ne área laboral e na educação.

Estou orgulhoso de ti minina.MM

X!mb!t@nE disse...

CJ, nao creio que seja errado uma mae deixar os filhos com o pai. Na verdade prefiro isso a ver as crianças a viverem com os avos maternos porque a mae formou um "novo lar" e nele nao pode coabitar com os filhos do casamento/relaçao anterior.

Mas, se isso acontecer, parto de principio que ela deve também deixar as condiçoes criadas (casa, carro e outros bens) para usofruto dos seus proprios filhos pela via do pai. Ademais, o facto de estar a viver noutra relaçao faz dela menos mae: deve, tal como alguns pais o fazem por vontade propria ou coagidos pela lei, velar pelos seus filhos moral e materialmente.

Por outro lado, nao aceito essa ideia de que o "homem é escravo da familia". O homem tem os seus direitos, deveres e obrigaçoes, o mesmo acontecendo evidentemente com a mulher.

Se a mulher nao tem forma de gerar rendimento, deve dedicar-se com todas as forças a gestao da casa, que nao é tarefa facil. Lamentavelmente na nossa cultura, homem que nao trabalha, mas que a sua mulher o faz, é visto como alguem que esta "dentro da garrafa". No caso deveria a mulher deixar de laborar? Estando gravida nao vai ela ao trabalho?

Essa questao é sempre problematica pois mesmo os dois trabalhando se o salario da mulher é maior do que o do homem la vem outro problema. Acredito que cada um, homem e mulher, tem papeis distintos e que acima de tudo se complementam.