terça-feira, 4 de novembro de 2008

Notas sexuais

Nossos professores deveriam estar aí para nos ensinar, não para nos tocar onde não queremos. Eu quero desaparecer do mundo se uma pessoa que deveira me proteger me destrói.”

Professores que tem relações sexuais com suas alunas, cuja consequência é a gravidez precoce e doenças de transmissao sexual, não é assunto novo, talvez não muito frequente ou então pouco divulgado. Talvez não seja frequente e completamente desconhecido que professores há que procuram alunos de sexo masculino para satisfazerem a sua libido. Parece estranho, mas é um assunto real em Africa e quiça em Moçambique.

Em todo o lado, se bem que ultimamente tende a diminuir, devido aos pagamentos por cima do quadro, a figura do professor é de muito respeito. Fazer um favor ao professor, é uma honra para quem o faz. No campo, frequentemente as crianças e adolescentes ajudam os seus professores em suas machambas, na construção da cabana e a carregar os livros de e para a escola que muitas vezes são distantes.

Nas cidades, já nada se faz gratuitamente e com o intuito de honrar o professor: a moeda de troca é o dinheiro, os bens materiais e o sexo. Aliás, honrar um professor pelos seus feitos, como pessoa que contribui para a formação do novo homem, só se faz quando este está a beira da última morada, a 7 palmos da terra, como se diz vulgarmente.

O pretexto usado por professores para justificar a sua atitude pode se encontrar, por exemplo, no seguinte: “as meninas vestem-se de forma provocante. Nem um santo aguenta tanta tentaçao”. Para além da exploração sexual de crianças, que tem como consequencia primeira o abandono escolar, há também os castigos corporais que visam “pôr as crianças na linha”.

Mas os professores, não jogam sozinhos este jogo: os estudantes (rapazes e raparigas) não raras vezes vendem-se ou dão algo em troca de notas para a passagem de classe. Muitas moças tornam-se amantes de professores e não raras vezes garantem a aprovação de muitos da sua turma ou circulo de amizades. Os rapazes, se não dispõe de meios financeiros, põe na berlinda as suas namoradas ou irmãs e a caravana passa.

Como em todos os momentos do exercicio de actividades as atitudes das pessoas não estão isentas de conotações ou apelidos, Notas sexualmente transmissíveis é uma expressão utilizada por crianças, em algumas regiões de Africa, para se referirem a frequente exploração sexual pelos seus próprios professores e resume em si o complexo (sub)mundo que são as relações entre professores e alunos.

29 comentários:

Júlio Mutisse disse...

Xim, este tema é bastante sensível. Não sei se o país tem dados sobre o abandono escolar associado a estas relações entre professores e alunas (principalmente)!

Acho que seria de todo importante catalogarmos isso para termos s dimensão real do problema. Porém, mais do que isso há que tratar de evitar que (quando tal estudo estiver concluido) as consequências sejam por demais catástróficas.

Um abraço

X!mb!t@nE disse...

Extremamente sensivel, eu diria! Lamentavelmente não disponho de dados numericos sobre a questão senao já cá estariam.

No entanto, seja como for, este é um dos temas que nos deve preocupar sobremaneira sob pena de termos as "consequencias catastroficas" de que te referes.

Outro abraço

Chacate Joaquim disse...

Bem, Ximbita e JM, parece que o que existe são as estatísticas dos abandonos por género, regiões e zonas do País, no MEC. Agora, as causas para cada causa é especulada (ida às minas da RSA e casamentos prematuros, pelomenos no sul do País).

Ximbita, é por isso que os professores se insurgem quando se fala de passagens semi-automáticas, até já introduziram o que Frederik Winslow Taylor chama de "preguiça sistemática" para sabotarem a produção em revindicação do poder que as reprovações maciças lhes davam, era a única forma que encontravam não para motivar os alunos mas para penalizar e obriga-los a lhes subornar.

Embora tarde parece que A.B. Aly está decidido a "chegar" com a inracionalidade no ensino público.

O Professor é obrigado a ser Pedagogo, a se preocupar com os maus resultados,a saber que se o aluno chega ao fim do ano sem saber ler, escrever, contar nem artimética a responsabilidade antes é dele depois do sistema.

Obrigado Ximbitane

SHIRANGANO disse...

O problema de tudo isso é facto de apenas queremos passar de classe a todo custo. Não olhamos para as consequências dos nossos actos.

Temos medo de apontar os que nos assediam.

Os professores se sentem charmosos quando são assediados pelas suas alunas. Quando não são assediados perseguem as estudantes, vão dando 7 valores em todos testes, e daí para elas passarem de classe já sabes..!
Ah.. espero acompanhar a minha filha até à formação.

Está fixe a nova imagem do blog.

Change, we can, we need ( kkkkk kkkkk)
abraço!|

Jácome D`Alva disse...

Xim,

esta é uma realidade cruel e camuflada em demasia pela sociedade moçambicana e sobretudo pelas entidades governamentais. No entanto gostaria de contribuir com mais um item para esta discussão. A responsabilidade familiar. A pressão que exercemos sobre os nossos filhos e filhas para "notas" altas a qualquer custo. O pouco acompanhamento que fazemos das suas actividades diárias. O facto de não investigarmos o mérito ou demérito de algumas "notas" altas ou baixas
e os bens adquiridos cuja proveniencia desconhecemos.
O nosso alheamento da personalidade dos seus educadores na escola.

Sinceramente amiga. Se um dia um "pedagogo" a quem confio a minha filha, lhe tocar com intenções sexuais não sei muito bem se ele tocará em mais alguma criança daí para a frente.

Júlio Mutisse disse...

Jácome D`Alva, boa tirada esta. Estou plenamente de acordo. espelha o que de facto ocorre.

1. pressão para boas notas;
2. fraco acompanhamento;
3. desconhecimento total da pernolalidade dos nossos educandos, dos seus educadores, dos factores externos e outros que podem contribuir para o bom ou mau desempenho; etc
4. ...
5. ...

Por vezes acordo e dou comigo como um pai ausente. Se calhar mais ausente do que o meu que estava ha quilómetros de distância de mim trabalhando para que eu podesse ir à escola (nas Minas da RSA como qualquer bom machangana da sua - do meu pai- geração hehehe). Desculpa para ausência: stress de trabalho swiku yini yini etc.

Quando me dou conta da distância que crio encurto-a! Nesse encurtar inclui-se inteirar me da educação das minhas meninas.

Alguém já disse referindo-se a mim e outros 2 pais: "esse tem muito tempo" porque a professora nos indicou como aqueles que, com alguma regularidade e para além das reuniões de turma, aproximávamos dela para saber do desempenho escolar dos nossos filhos (no meu caso filha hehehe) sem esperar reuniões ou negativas escandalosas.

Já ouvi "se não se chumba" porque a professora se referia ao mau desempenho de alguns alunos e da falta de apoio dos pais nessa empreitada.

Isto exemplifica o nosso alheamento quase total no que tange ao desempenho escolar dos nossos filhos a ponto de não sabermos se quer os nomes do professor dos nossos filhos (na primária)!

Este alheamento assentua-se a medida que os anos passam e só colocamos as mãos na cabeça quando as nossas filhas nos aparecem grávidas e apontam o professor. O tal que não lhe conhecemos a face.

Como pais temos muita responsabilidade sobre este fenómeno de notas sexuais e de abandono escolar aliado a gravidezes precoces ligadas ou não aos professores.

Chacate,

É um facto que "O Professor é obrigado a ser Pedagogo, a se preocupar com os maus resultados,a saber que se o aluno chega ao fim do ano sem saber ler, escrever, contar nem artimética a responsabilidade antes é dele depois do sistema" mas esta responsabilidade não é só dele. É nossa como pais também.

Anónimo disse...

Professores e respectivos pupilos vivem nesta sociedade, somos todos nos. Preocupados so com notas? Quem exigem ate em publico que as pessoas passem ser saber, atentem aos discursos do Ministro da educacao. Professores estao a ser obrigados a passar 80% dos alunos. O que conta e parecer, parecer que temos mais alunos formados, parecer que temos mais doutores, os numeros sao a ferramenta fundamental para parecer. Mocambique virou um video clip, wonderbras e tchuna babies para parecer que esta tudo de pe! A Faculdade de Medicina que forma os medicos que cuidam de muitos de nos que nao tem dinheiro para ir a Nelspruit, esta a fazer uma mexidas no curriculo que nem os promotores percebem, os professores reclamaram o que a sociedade fez? O silencio e cumplice do errado!

Anónimo disse...

(O Professor é obrigado a ser Pedagogo, a se preocupar com os maus resultados,a saber que se o aluno chega ao fim do ano sem saber ler, escrever, contar nem artimética a responsabilidade antes é dele depois do sistema.) Veja em quanto tempo sao formados os nossos professores e o que aprendem e compare com outros cantos do mundo. Quem semeia vento colhe tempestade, professores mal formados vao gerar maus alunos e o problema e do sistema que os formou sim senhor!

Matsinhe disse...

Chacate, é evidente que o professor tem que ser pedagogo. Mas o sistema é fundamental para que ele cumpra esse papel como todos desejamos: com qualidade.

De facto, como diz o anónimo que me precede, em quanto tempo são formados os nossos professores?

Para quantos alunos por turma tem que o professor ser pedagogo e quantas turmas são assistidas pelo tal professor?

Em que condições vivem ou trabalham tais professores? etc etc.

É um monte de problemas, relacionados com o professor, depois vêm ttodos os que os que me precedem já indicaram desde o distanciamento que temos das questões relativas à educação dos nossos filhos até...

Pelo prestígio que a profissão "professor" deve ou devia encerrar, porque não adoptar o sistema que a polícia vem adoptando nos últimos tempos, apresentando os candidatos a professor às comunidades que os avalizariam antes de gastarmos dinheiro com formação e salários de pedófilos e engravidadores de menores?

GM

PS: saibamos render homenagem aos grandes e bons professores que devem orgulhar esta nação. Professores que perante todas as dificuldades se empenham para que sejamos todos os dias melhores alunos.

Lembro me do falecido professor Sidónio (Manyanga) tido por mau porque não permitia mediocridade; Mungoi, a professora Albertina (Francês Manyanga 1994) e muitos outros (Cistac, Justino N'repo, Henriques Henriques, Balate - falecido- Rui Baltazar, etc -UEM-FD) que se batem para que os graduados a todos os níveis não sejam unicamente NÚMEROS.

X!mb!t@nE disse...

Humm, CJ, podes facultar-me essas estatisticas?

X!mb!t@nE disse...

Shirangano, deve-se entender que há duas perspectivas no mesmo problema: os professores que "atacam" os alunos e os alunos que fazem o processo inverso.

Querer passar, é o desejo de todos. A coisa complica-se quando não olhamos os meios para alcançarmos ou fazermos alcançar a almejada aprovação.


Apontar tanto uns quanto outros (professores e alunos), seria mais do que importante para se eliminar este problema sistematico que tem maior enfanse no final do ano lectivo.

Bjocas a Nicole

X!mb!t@nE disse...

Obrigada pela dica, Jácome! Realmente e fundamental, senao mesmo primordial o papel da familia no processo de escolarização das crianças.

Lamentavelmente, pouquissimos pais acompanham a educaçao escolar dos seus filhos algo que contribui, e muito, para que sejam surpreendidos por situações inesperadas como gravidezes precoces, drogas e outros.

O outro aspecto que vincas, mérito e demérito, também deveria causar nos encarregados de educação preocupação. Mas, muitas vezes são os proprios pais que pressionam os filhos a terem boas notas sem se preocuparem na forma como estes as adquirem.

Quanto ao ultimo paragrafo, amigo, nem quero esperar que alguém se atreva a faze-lo: já vou confabulando com a minha filhota de 7 anos sobre o que é certo e errado no comportamento das pessoas, professores incluidos!

X!mb!t@nE disse...

Se todos fossem como você, Muthisse, muito do que se narra não aconteceria! Não desista!

X!mb!t@nE disse...

Anonimo, essa dos 80% é simplismente escandalosa e abstenho de tecer outros comentários tal é a minha revolta.

Eis uma das razoes que me faz distanciar-me de escolas de ensino secundário, local mais propenso a esse tipo de "chantagens" sob pena de não se renovar o contrato no ano a seguir...

X!mb!t@nE disse...

Segundo Anónimo, brevemente debrucar-me-ei nesse tipo de formação de professores. Fique atento!

X!mb!t@nE disse...

Opa, parece que bebemos das mesmas "fontes", Matsinhe! Prof. Sidónio (que não sabia que faleceu), Mme Albertina e Mungoi, grandes referencias, sim senhor!

Essa de fazer com que os candidatos a professor passem pela "supervisão da população" seria um dos itens para evitar grandes celeumas pois são eles os primeiros a falsificar certificados que farão deles professores. Para onde vamos?

Chacate Joaquim disse...

Ximbita, não sei se a sua vontade é receber de mim esses dados mas antes contacte o MEC.

Digo isso porque este anualmente faz o balanço das suas actividades e as taxas de retenções são um indicador da eficiência ou não do SNE, Existe sim só preciso de agendar a vasculha para deixar de ser hipótese ou ao menos certificada.

Hé Matsinhee!

O sistema tem os seus problemas porque os seus elementos introduzem os. veja por exmplo o que o EGFE insentiva (planificação da formação de quadros) daí o Director Provincial da Educação em Inhambane proibir a formação superior do professor em exercício sem sua autorização porque depois não haverá cabimento Orçamental. de onde virá a qualidade?

porque a eficácia é proporcional aos recursos de facto. mas muita das vezes há disperdicio.

As referências que dão quantas vezes não foram criticadas na imprensa por usarem maus métodos? é o caso do falecido Balate do Direito criminal na UEM.

Companheiros temos que ver este assunto no sentido de que quem investe quer resultados. O professor às vezes sabota o Sistema porque as decisões partiram de cima...

Eu tive professores como Valente Muchave na 1ª, 2ª e 3ª classe, os outros foram Pedro Soto, e Macucule mais tarde Orlando de Fenias Cossa. isto na Escola Primária depois secundária respectivamente. estes Professores tinham amor do que faziam mas também não eram formados Samora havia lhes tirado da 9ª classe para virem servir a pátria e hoje "cadé" esse espirito no docente?

Eu acho que o Capitalismo é responsável pelo individualismo que vivemos hoje irmãos. não que não seja positivo em outros pontos. Porque é que o professor não se envolvia com alunas nessa altura? Ximbita você não punha saia curta? Não saltava a corda se ver calcinha em frente do teu professor! é envidente que isso acontecia mas este olhava para si como filha que quer educação dele só.

Isso também é do Sistema? veja que a rede escolar as condições educativas em termos materiais houve muita melhoria de 1980 para ca, mas pioraram os resultados!

Matsinhe disse...

Chacate, por vezes é perigoso comparar épocas por causa das especificidades, contextos e vivências de cada época.

Só como exemplo, o nível de preparação dos estudantes da 9ª classe que "Samora havia lhes tirado para virem servir a pátria" é completamente diferente dos da 9ª ou 10ª de hoje em todos os aspectos. (se começou a estudar - como eu - a partir do antigo sistema de educação, sabe de que falo)!

O contexto político, social e económico mudou radicalmente em Moçambique e no mundo.

Se há 30 anos Samora tebe que tirar gente da 9ª classe para vir servir a pátria com o brilhantismo que ses lhe reconhece, hoje é necessário planificar a educação a médio/longo prazo e não anualmente como parece acontecer entre nós.

A qualidade não surgirá por acaso; é necessário que muitos dos pressupostos abordados no meu comentário anterior, incluindo a intervenção da família referida por outros, se verifiquem. O sistema tem que estar calibrado.

Ainda bem que reconhece que a mudança desde 1990 até aos nossos dias subverteu algumas coisas. O espírito dos professores que mencionas no seu comentário é distinto dos de hoje. Aqueles estavam a cumprir um dever patriotico, estes estão NUM EMPREGO e, como todos os empregados, anseiam melhores condições de trabalho, de vida etc.

Não podemos dissociar o professor desta conjuntura. Para termos qualidade o professor tem que ser formado, ter boas condições de trabalho, de remuneração, de habitação, haver um ratio adequado de alunos por turma etc.

Quem me dera os meus filhos tivessem o conjunto de professores que tive até aos primeiros anos da secundária e um pouco na pré universitária Josina Machel: Os falecidos Benoit, de biologia, Gildo, Ambrósio, Manheira, Cassamo etc.

X!mb!t@nE disse...

Obrigada pela dica, Chacate, mas é a si que eu pedia os dados. Não me vou abalar ao MEC por tao pouco, enoja-me a burocracia.

Quando era pequena, usava aquele fardamento azul dum tecido muito pesado, nem se levantavam as saias. Alias, naquela altura, CJ, as brincadeiras eram cantos revolucionarios, marchas, etc, etc.

E, se se viam as minhas roupas intimas, isso era pretexto para ir ao gabinete do director acompanhada pela professora e pelo denunciante que tinha um nome estranho relacionado com moral e boas maneiras.

Você nao imagina, CJ, o quanto me enerva ver txuna babys e outras formas de expor o que cresci a conhecer como sagrado!

Nessa altura, havia professores que se envolviam com alunas sim, mas eram alunas crescidas e dessas relaçoes resultavam casamentos, nao havia a malicia que há agora

X!mb!t@nE disse...

Assino embaixo, Matsinhe! Não se pode comparar a nova leva de professores com os da leva 8 de Março. E, engraçado é que alguns ficaram revoltados com a imposição, mas esses foram e são os melhores professores que o país já teve.

PS: Ops, Benoit também já é falecido?

Júlio Mutisse disse...

Xim, o Benoit foi se desta para a melhor numa época em que se sucederam mortes estranhas na Josina Machel. Foi meu professor também, na 10ª classe. Excelente professor.

Matsinhe (gonçalvane lá em casa), tens toda a razão meu irmão. Deves estar lembrado dos nossos professores em Manjacaze. Ya, aqueles mesmo que tiveram a dura missão de nos ensinar em português uma lingua que só falávamos na escola. Aqueles, destacados para aquelas bandas sem saber uma palavra de changana, mas que deram o melhor deles por nós lá do sítio. Olhando para a nossa geração ninguém duvida que eles cumpriram o seu dever patriótico. E era mesmo um dever.

Muitas vezes escangalhamos o "tempo que passou" que coincide com a era samoriana e nos esquecemos de coisas tão positivas que tivemos, como esta que debatemos aqui. Como diz o Chacate, muitos dos que foram nossos professores nessa época foram obrigados a sê-lo; não era esse o seu projecto de vida. Mas assumiram o dever e prepararam homens e mulheres com a qualidade possível dentro dos limites que eles também tinham.

Os tempos mudaram. E com eles os interesses. Se antes todos se envolviam activamente na resolução dos problemas da comunidade (incluindo o acolhimento dos professores, construção das suas casas e atribuição de terra para ser cultivada - muitas vezes pelos alunos e seus pais, não para pagar favores, mas como dever de ajudar o MESTRE) hoje cada um está preocupado com os seus.

Hoje os que são mandados para as nossas comunidades, saídos de cidades como Maputo, já vão lá contrariados. Estão lá com o coração cá. Estão lá porque, impreparados que estão, não aranjaram outra coisa para fazer.

Mais, distantes das famílias e sem uma inserção plena na comunidade, o único convívio é com os alunos, ou alunas e zás... gravidezes.

Infelizmente estamos a bordar este assunto na perspectiva de professor/alunas mas, quem me garante que os nossos rapazes não sodomizados numa relação professor/aluno? Quem me garante que os nossos rapazes não são usados como vibradores numa relação professora/aluno?

Hoje temos milhares de jovens que descobriram uma forma de combater a pobreza absoluta no professorado. Não admira que o crédito do professor na sociedade tenha decaído. Tal como o tempo, o espírito da profissão mudou radicalmente. A nobreza da profissão vem sendo desgastada a cada escândalo protagonizado por pessoas que enquanto esperam a oportunidade da vida, vão dando aulas.

De facto, referências como o Sidónio e mesmo o falecido Dr. Balate foram severamente criticados pelos seus métodos. Porquê? Porque os métodos daqueles não se adequavam à lógica facilitadora de muitos, onde se confunde o rigor com chatice e onde o que importa é passar não importa a qualidade do conhecimento que se adquire.

Não foi por serem maus professores. Foi o sinal da mudança dos tempos. Não é por acaso que temos DRS que escrevem mal e porcamente. São os mesmos que enxovalhavam o SIdónio na Manyanga e o achavam chato.

Não é por acaso que até à 6ª classe há crianças que mal escrevem e mal lêm! É porque o sistema, como um todo, privilegia o contrário do que os nossos professores há 10 ou 15 anos valorizavam. Nós não éramos números. O boletim de passagem era indicador de que algo tinha sido feito num ano.

Reflectindo disse...

Estou tentando encontrar a brochura sobre o Código de Conduta do Professor, mas ainda nao o encontro. O que posso ler do CIP está claro que o professor nao deve dar notas sexuais. Entretanto, eu acho ser importante que o MEC seja muito claro para quem viola a conduta, sobretudo, para quem usa alunas (pedófilos) sexualmente. DEVE SER EXPULSO IMEDIATAMENTE uma vez descoberto e nunca mais ser deixado a trabalhar com criancas. Isto não tem nada que ser negociado.

Na minha opinião, os problemas salariais e outras condicões profissionais do professor devem ser discutidos e resolvidos com o MEC e o Governo e não com as criancas.

Chacate Joaquim disse...

ahahahahah, risrisrisris, gramei dessa Ximbita! aquilo na minha terra Mandlakaze-Matchekahomo, os meus irmão mais velho chamavam Xiguèguè (pano que era também usado para produção de sacos para farinhas). ahahah, mas depois apareceu Xibèhè ou Tchakaxi (essa já era um pouco leve da côr castanha de "bagaço"). E outra coisa que limitava era o tipo de calcinhas que se punha na quela altura, ahahahah, quando adquirisse tecidos tinha que contar com uma parte para fazer um Xirhanguisso (calcinha). obrigado pelas recordações! Opsí! Lembrei me de alguns rapazes que andavam com espelhos e caçavam as meninas para colocarem o espelho e verem o interior da saia da menina porque de facto não havia txuna babys, era mesmo difícil ver o corpo de uma menina ou mulher porque agora mesmo adultos há que se vestem mal.

"Chacate, por vezes é perigoso comparar épocas por causa das especificidades, contextos e vivências de cada época".

Concordo e agradeço Matsinhe, só queria chamar atenção em relação à proporcionalidade do tempo, uma vez que o presente depende do passado. porém, será que a geração 8 de Março não passou esses valores ao presente professor?

"Não é por acaso que até à 6ª classe há crianças que mal escrevem e mal lêm"!

JM, veja que, a responsabilidade disso para alguns analistas são os plenos de educação como os novos Curricula, será que mesmo é possível avaliar a eficácia de um plano de tamanha magnitude apenas por um aspecto como passagem semi-automética? e nos primeiros 2 ou 3 ano de implementação?

É aqui onde pretendo chamar avossa precaução.

Mais uma vez estas de parabens Ximbita pela postagem é disto que temos que debater.

abraços

Bayano Valy disse...

eish... esta coisa de um tipo andar aterrefado. perdi muito deste debate e já não há muito a acrescentar. talvez fazer um reparo ao título. não concordo com "notas sexuais". eu sempre disse que são "notas de transmissão sexual". notas sexuais pode denotar notas apanhadas numa aula de educação sexual, espero estar certo.

Nelson disse...

Que grande debate mana! Tenha um bom fim de semana.

X!mb!t@nE disse...

Valeu a dica, Bayano. Pena, realmente, que a tenhas vindo a propor tardiamente. Obrigada

X!mb!t@nE disse...

Bigada pela visita mano Nel! Bom fds

Esmaldina disse...

Este é realmente um problema grave e dificel de parar..
conheço professores que alem de seduzirem suas alunas chegam a convece-las a abandonarem a casa de seus pais para se tormarem suas esposas.. + como por + que se de a volta sempre voltamos ao mesmo ponto.. passados 2 ou 3 anos estas mesmas alunas sao devolvidas a casa de seus pais pois ja existe outra aluna + bonita para ocupar o tal lugar de esposa do professor.
Isto é um ciclo vicioso dificel de estancar pois as alunas dificilmente apercebem-se que o lugar que tiram a uma colega + cedo ou + tarde lhes sera tbm tirado. E ninguem pergunta sobre a responsabilidade, sore a dignidade,... deste professor, todos assistem e vao aplaudindo e crinças vao ficando desgraçadas e na pior das hipoteses infectadas por vàrias doenças.

X!mb!t@nE disse...

Wahou! Esmaldina? Lamentavelmente, isso é bem real nesta profissao