quinta-feira, 7 de maio de 2009

Putizacao da juventude maputense*

Prostitutas sempre houve na nossa cidade. Era uma grupo relativamente pequeno, de moças e mulheres de parcos rendimentos, de familias pobres, que usavam o que Deus lhes deu e a ganância dos homens, para sobreviver economicamente. Ocupavam certos passeios, zonas de certos bairros e bares de certas ruas.
Mais recentemente, o grupo vem alargando-se, em número, em motivações, em métodos e em extractos sociais. E em género. As moças já não se prostituem só para não passarem fome. Prostituem-se para pagar a universidade. Para poderem comprar na Loja das Damas. Para poderem ir ao Coco´s. Já não trabalham só nas ruas, nos bairros da periferia ou nos bares da Rua de Bagamoyo. Passaram a ocupar mesas no Sheikh, no Mundo´s, no Lounge. Já não são pobres moças do subúrbio, são filhas da “classe média” que vivem em apartamentos pagos pelos Srs. Directores, conduzem carros pelos Srs. Directores, viajam à custa dos Srs. Directores.
Director aqui representa toda essa classe de homens bem-posicionados, para quem a prova de masculinidade passa pelo número de moças que vivem à sua custa. O facto de serem um bando de otários que acaba por sustentar não só a moça, a família da moça, mas também o namorado da moça, escapa-lhes, de tanto estarem deslumbrados pela sua recém-adquirida nova-macheza, irmã gémea da sua nova-riqueza.
Ao grupo das moças, juntou-se o grupo dos moços. São os que “servem” as kotas. As mulheres dos tais Directores. Abandonadas no lar familiar - os maridos estão sempre nas sextas-feiras do homens, bebem tanto que já são impotentes, e gastam o Viagra e o Enzoy apenas para provar às suas mocinhas que ainda são homens, e com extra cash com que os maridos compram a sua permanência no lar, saiem em busca dos moçoilos jovens, altos, fortes e sempre sedentos de cash para sustentar os vícios, as namoradas, os fins-de-semana, as roupas, os celulares da moda, etc. A kota paga cash, mas também paga o ginásio, os cursinhos, etc. Em troca, recebe a ilusão de satisfação e prazer. Uma minoria, mas crescente, desses moços já recebe carros, apartamentos e viagens ao estrangeiro.
Um fenómeno mais recente são os jovens que se vendem a sectores da comunidade gay. Este é o grupo mais prostituto. Pode argumentar-se que os outros fazem por dinheiro e benefícios materiais o que regularmente fariam na sua vida do dia-a-dia: sexo com o sexo oposto. A maioria dos jovens que se vende a membros da comunidade gay não tem apetências sexuais por homens.. Mas, hoje em dia, por dinheiro, pela quantia certa de dinheiro, vale tudo. If the price is right...
Alguns tentam manter uma risível aparência de dignidade masculina, dizendo: “eh, pá, eu só dou, não levo!”. Outros, pela quantia certa, entregam a boca e o c... e tudo o mais que o master quiser comprar. If the price is right... E até trazem outros bradas para a jaula do leão, se for preciso. Viram recrutadores. A troco de comissão. Viram os cafetinos de estimação. Têm direito a whisky, onde os outros só bebem cerveja. Têm direito a emprego, onde os os outros só recebem envelopes de dinheiro. Têm direito a cursinho, onde os outros só levam dinheiro para o fim-de-semana no Coco´s.
Infelizmente, esta minoria da comunidade gay que usa o poder do livro de cheques para adquirir a satisfação que é incapaz de conquistar por mérito próprio, essa busca interminável e inatingível do garanhão perfeito, está a criar não só um ambiente insustentável para o resto da comunidade, como emporca-lha a reputação da comunidade. Hoje em dia já é comum para qualquer caça-centavos desgraçado, qualquer aspirante a menino bem, chegar perto de alguém que ouviu dizer ser gay e perguntar: “ouve lá, pá, quanto é que me pagas para eu te f...?”! “És gay? Quanto pagas?”! Pagar o quê, para quê? Como se fosse a coisa mais óbvia que (1) todo o gay está tão desesperado por homem que f.. com qualquer um que lhe apareça à frente e (2) todo o gay paga dinheiro por sexo e só consegue sexo por dinheiro.
A situação está de tal modo, que até gays de condição económica inferior já começaram a fazer por dinheiro aquilo que sempre fizeram só por prazer. Basta que o outro gay tenha aparência de melhor posição sócio-económica. É a reprodução do modelo prostituto hetero dentro da comunidade gay. E assim vai a putização da nossa juventude!
*Autor desconhecido (artigo propagado por email)

6 comentários:

Júlio Mutisse disse...

Há um bar chamado Bagdad em Nampula, um amigo segredou-me que, se calhar, 60% das moças que frequentam aquele espaço são universitárias... e não vão lá para beber um copo como eu fui, vão lá "oferecer" a sua companhia por uns trocados para pagar a renda de casa, cópias, comida, roupas (evidentemente, a aparência empurra muita gente para isto) etc.

Anónimo disse...

Ximbi,
apenas uma "adenda" a esta informação factual e veridica. O fenomeno não é recente. Tem muitos anos e não se deve incluir apenas jovens (moços e moças). Muita gente adulta de ambos os sexos alinha nestes esquemas. Alguns de idades bem avançadas.
Falta no entanto aqui retratar uma outra "casta". As meninas e meninos que convidam amigas e amigos para sessões bem pagas de sexo a três ou muitos mais. Fala com eles e elas, frequentadores da nigth maputense e pergunta. Raros são aqueles que não conhecem.

Nyikiwa disse...

Mana! Mais uma vez surpreendes-me com um assunto bem abordado, pertinente e actual! De facto, isso que relatas no teu post acontece! Quantas mocas conhecemos e sabemos que sao de familias humildes e estao a andar em carros de ultimo grito?! A cidade esta repleta delas! A industria do sexo esta na mo de cima! Sao pessoas a fazer sexo ate com caes em Ressano Garcia em troca de miseros trocados! As pessoas vendem o que acham que de melhor tem sem olhar para principios ou normas desde que seja para maximizar seus ganhos. Acho que temos que procurar perceber porque e que as pessoas enveredam por esta via, como sugere o anonimo.

X!mb!t@nE disse...

Hehehehe, o que se poderia esperar de um bar chamado "Bagdad"? Brincadeira, Mutisse! Isso me faz recordar o que se falou ha tempos sobre as "damas da Beira"

X!mb!t@nE disse...

Anonimo, aceito a adenda por ter trazido a questao ao lume. Mas como refiro no fim da postagem, nao sou eu o autor da mesma.

Outro aspecto a salientar é que nao sou muito de noitadas pelo que, se o ilustre anonimo se predispor a fazer a pesquisa, de bom grado farei o artigo.

X!mb!t@nE disse...

Pois, Nyikiwa, quantas moças conhecemos? Ainda ontem vi uma mocita com menos de 19 anos dentro de "um possante", e nao era do pai dela que esse ainda anda de chapa.

a mocita nem sequer tem actividade que gera rendimento... Bom, quem sou eu para julgar o que parece e que talvez nao é?