segunda-feira, 18 de maio de 2009

Sô guarda!

A estória dos agentes de segurança pública é muito conhecida por razões evidentes pois tem um sindicato que os acolhe(?) e por consequência disso a sua triste estória é conhecida e amplamente divulgada nos órgãos de comunicação social: salários baixos, atrasos no pagamento dos mesmos, inexistência de subsidios pelas horas extras e pela precaridade do exercicio de suas tarefas entre outras.

Nos seus postos de trabalho, residências, empresas e escritórios, espaços de venda e de prestação de serviços, estes homens desempenham muitas outras funções que não a que para a qual foram contratados: organizador de bichas, estafeta, servente, etc., e passam praticamente todo o dia em pé sendo “mimados”, por algumas empresas, com um pão simples para um exercicio laboral de 24 horas.

A estória menos conhecida é certamente a dos guardas de prédios e residências que não estão filiados a nenhum sindicato ou entidade que salvaguarde seus direitos. Verdadeiramente escravizados, os guardas ultrapassam as suas normais incumbências mas, ainda assim, raramente lhes é dado, pelo patrão, uma refeição quente ou uma manta ou sobretudo para se cobrirem das noites frescas.

Sempre à disposição, os guardas tudo fazem para não perder o seu magro e sacrificado pão: lavam os carros, passeiam o cão, compram o pão, vão a casa do irmão do patrão deixar ou levar alguma encomenda, sobem e descem andares com as compras da madame... Infelizmente não podem faltar porque estão doentes ou tem um familiar a deles precisar.

Sô guardaaaaaaaaaa!

4 comentários:

Júlio Mutisse disse...

Esta questão dos guardas é preocupante meus caros. Mais do que subir e descer escadas vezes sem conta, há os que só trabalham de noite, TODOS OS DIAS e, para piorar os patrões, normalmente condomínios desorganizados, mal lhes pagam ou, sistematicamente, atrasam-lhes os salários apesar de reconhecerem toda a sua utilidade.

Até nas escolas a necessidade de um guarda é secundarizada apesar de sabermos que esse profissional vai zelar pela segurança do que temos de mais importante: os nossos filhos. A sua sorte, quando contratado, é negligenciada. Recusamo-nos a contribuir com 100 meticais, mas, diariamente, damos aos nossos filhos 5 ou 10 meticais isso, quando nós mesmos, não entulhamos os nossos filhos de pipocas, ships de qualidade duvidosa e de valor nutritivo inexistente.

Estamos mal... quando não conseguimos dar o exemplo para com outro ser humano.

X!mb!t@nE disse...

Secundo o que dizes, Mutisse, dai a minha preocupacao para com esta classe que para alem de servir de `cao de guarda` nao nos ralamos em fazer deles `burro de carga` com o agravante de nos os remuneramos convenientemente e, claro, com o devido momento de lazer ou recuperacao em caso de alguma maleita no estado de saude.

SHIRANGANO disse...

Os guardos sao marginalizados pelos moradores dos predios. Muitas vezes, nao nos damos o trabalho de saber os nomes deles, apenas atemo-nos achama-los de ` guarda' ou as vezes um pouco mais educados 'senhor guarda'.

X!mb!t@nE disse...

Lamentavelmente estas coberto de razao, Shir!