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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Maputo, afinal é possivel?


Maputo está em polvorosa e não é à toa! Representantes de 47 países africanos encontra-se-ão na cidade das acácias para os X Jogos Africanos. Sem margem de dúvida, um evento que figurará merecidamente nos anais da história da cidade, do país, do continente e do mundo ! Afinal é possível ?

Para acolher tão altos dignatários, como sempre fez face à um grande evento, basta puxar pela memória e recordar a mobilização face à Cimeira do Chefes de Estado Africanos, que até mereceu um Centro de Conferências construído de raiz, observa-se que Maputo não só lavou seu rosto como rapou os sovacos. Subtilmente, sem que muitos se dessem conta, sob pretexto de combater a mendicidade, aos comerciantes que ofertavam dinheiro e pão, à sexta-feira, foi proibido fazê-lo. Contudo, a ajuda destes seria canalizada aos locais em que estes necessitados se encontravam evitando assim as romarias de sexta-feira. Afinal é possível ?

Outros que foram literalmente postos a correr, foram os vendedores de rua que montavam seus xidjumbas e barracas nos passeios obrigando os dignos usuários a disputar as faixas de rodagem com os veículos automóveis. Infelizmente, a corrida só atingiu aqueles que se estabeleciam nos corredores por onde passarão as ilustres visitas. Prova disso é o perimetro entre as avenidas Karl Marx, 25 de Setembro, Albert Lithuli e Amed Sekou Touré que só se distingue do campo de jogos, agora transformado em dumba nengue do Xipamanine, pela existência de prédios e de asfalto. Porque o resto, como sói dizer,é o resto. Algumas ruelas e avenidas da cidade, algumas das quais já nem mais eram cruzadas por veiculos, também beneficiaram de reparação. Que bom, afinal é possível!

À saída da cidade, afinal a vila olimpica está no perímetro suburbano da mesma, outras obras dignas de vulto apareceram e não cessam de levar os maputenses a indagar-se sobre as reais capacidades do Municipio de Maputo. O espantado "afinal é possível ?" ouve-se por toda a parte ! A praça da Toyota, como é chamada, viu ser-lhe levantado um passeio e, o mais espantoso, a vala de drenagem com vegetação verdissima, digna de fazer inveja a qualquer idealista da revolução verde, foi retirada ! A Junta também mundou. Afinal é possível ?

Diz-se ainda que ao longo do percurso para o magestoso Zimpeto, passeios que há muito deixaram de se fazer ver, ressurgiram das areias que os cobriam. Engenheirosas obras de limpeza trouxeram-nos de volta. Afinal é possível ? Bem hajam jogos africanos ! Mesmo que não ganhemos medalhas, ficamos felizes por termos ganho uma cidade de cara lavada e de sovaco rapado. Mas, o que queremos mesmo, é tomar um bom banho e limpar todo o tilhavela que não abona em nosso favor porque afinal é possivel. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Volto em breve

Obrigações profissionais e académicas obrigam-me a por de lado o meu hobby preferido. Volto já, ando aqui a volta.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

"Refresco"

O refrigerante, vulgarmente conhecido entre nós como refresco, é uma bebida que serve para refrescar quando a sede aperta… Graúdos e miúdos, sobretudo em tempo de calor intenso, característica do verão nesta pérola do Indico, se deliciam com tão refrescante bebida. Obviamente, a escolha da qualidade e quantidade, do "sedificante", é determinado pela volume da riqueza do bolso de cada um.

Mas, hoje em dia, o refresco já não se toma só em tempo de calor e apenas em locais como esplanadas, bares, barracas, restaurants, take aways, colemans de rua ou no aconchego familiar. Não, não ! O refresco toma-se em toda a extensão do Rovuma ao Maputo e do Indico ao Zumbo em toda a extensão do elo que junta esses pontos cardeais: as estradas nacionais, secundárias e quiça terciárias.

Por tudo e por nada, serve-se um refresco. Esse "toma que te dou", é particularmente servido em bandeja de prata ao tipolicia de trânsito que não perdoa a presença de mais um frango na viatura, mas fecha o olho para um pisca que não pisca... Aliás, muitos dos que conduzem, circulam sempre munidos "com um algum algo" no porta-luvas ou entre os documentos do carro, dependendo da vergonhosa ousadia de cada um !

Mas o refresco não se serve só na estrada ! Galga passeios, entra porta adentro, atravessa pátios e corredores. Nada o détem ! No hospital, no notário, na escola, nos serviços de registo criminal… Onde o individuo sujeita-se a uma morosa e longa espera por uma consulta, pela colheita de análises, por uma assinatura e carimbo, por um certificado, por um parecer… Zás tràs, toma lá um refresco !

O mais engraçado é que o refresco "refresca" tanto para facilitar serviços como para "agradecer" ! Mas, o obrigado, até pouco tempo sinónimo de boa educação, não enche a barriga de ninguém. Um refresco, voluntário "é mais melhor". Mas se assim não é, o tomador não mede palavras para manifestar a sua sede : "Não vai nem um refresco ?"

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Estórias em Maputo (40)

Que não reste mais nenhum espaço para dúvida : o transporte na Grande Town é um dos casos mais bicudos de que se tem memória ! Já não se distingue hora de ponta de hora morta ! Em muitas paragens e a todo o momento, meter o pé num meio de transporte, público ou privado, é um episódio para uma longa metragem cujos capítulos finais ainda não figuram no roteiro de quem de direito !



Como se não bastasse, é absurdamente notório o grau de degradação das viaturas que transportam a grande maioria de cidadãos de suas casas para os postos de trabalho e vice-versa. Ninguém se importa ou manifesta qualquer interesse até que a tragédia, que sempre anda a espreita, ocorra. Aquele ditado que diz "prevenir é remediar" foi substituído por "deixa andar" e a fila assim anda.



Ainda por cima, numa tentativa desesperada de agarrar a primeira tábua que passa(va), optou-se por admitir que os que não têm licença para transporte de passageiros passassem a fazê-lo em períodos pré-determinados. Penso rápido na ferida, se se levar em conta que alguns dos piratas já circulavam na praça, contudo, neste caso também não foram acautelados os critérios de segurança.



Verdade é que alguns desses "piratas" dispõe de viaturas em muito bom estado, tão bom, que até mete dó vê-las a circular só "em certas horas". Mas, por outro lado, há viaturas também em bom estado criadas para o transporte de carga e que hoje transportam pessoas lembrando tempos já idos. Porém, ao contrário de suas ancestrais, as carrinhas de hoje não dispõe de lona nem de ferragem alguma que permita que os transportados se segurem a algo na viatura que não os demais passageiros, companheiros de viagem.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

NUA

A segurança nas escolas é, a par da preocupação com a qualidade e com as condições de ensino-aprendizagem, um dos maiores calcanhares de Aquiles do sistema nacional de educação, com particular enfase para os primeiros anos de escolarização. Como forma de, entre outros, colmatar esse problema, foi instituído o uso do fardamento e, tendo-se este revelado insuficiente procurou-se, e ainda procura-se, por soluções urgentes.

Face a tantas dificuldades e conscientes de que sozinhas não as conseguiriam resolver, as direcções da escola apelaram ao contributo dos pais e encarregados de educação. Dessa relação, resultaram os Conselhos de Escola que, entre outras decisões, apostaram na contratação de guardas de vigilância, meio humano não assegurado por "quem de direito".

Para o pagamento dos salários dos referidos guardas, no acto de matrícula passou-se a pagar uma taxa, muito contestada por não ser gerida com transparência e que, feitas bem as contas, não trouxe a tão almejada segurança dentro e nas imediações dos recintos escolares. Importa referir que para os valores pagos pelos encarregados de educação, durante as aulas poderiam estar de serviço pelo menos 4 guardas e à noite outros 2.

Muito recentemente, com a ajuda dos conselheiros de serviço, "quem de direito" decidiu-se pela adopção do Número Único do Aluno (NUA) que figurará no bolso da camisa do aluno (a comprar) e no seu processo académico. A primeira vista, este sistema visa controlar(?) os movimentos entrada e saída da escola. Poderá também contribuir para uma base de dados, tão urgente quanto necessária, para o cálculo de médias e consequente emissão rápida de certificados.

Mas a grande questão não se cala é: sabendo que moçambicano é, por "naturezização", um desenrasca, a ponto de alugar fardamento e arma de policia para extorquir seus semelhantes, que segurança trará um bolso enumerado a quem os porta?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Bagatela por um talento

O programa Moçambique em Concerto, com novos atractivos, como a presença de uma banda, que mata definitivamente o playback, apresenta um novo quadro designado Parada de sucesso Talento não tem idade. Iniciativa de louvar, pois talentos há que não encontram espaço para se mostrar, a intenção macula-se pelo valor dos prémios, que se oferece aos seus candidatos, cuja soma não chega a modéstia quantia de 1000Mt.

Numa altura do campeonato, em que o metical está desvalorizado, as somas atribuídas pelo corpo de jurados, de créditos firmados reconheça-se, é de certa forma ofensivo. Decerto que para os participantes, de todas as idades e talentos, também eles diversificados, o que vale mesmo é a participação. Mas a nódoa está ali e destoa qualquer boa intenção.

Com a humildade, que é característica dos moçambicanos, ficaria muito bem se, ao invés de míseros valores monetários, se oferecesse um bouquet de flores, uma medalha ou pontos que contribuiriam, por exemplo, na pontuação para os grandes prémios do dia (no caso um forno à micro-ondas e um fogão à gás !). Talento não tem idade sim, mas tem muita dignidade !

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Golpe das batatas ?

Recentemente, na companhia de uma colega de trabalho, decidimo-nos pelo que habitualmente fazemos questão de manter certa distância : o fast-food.

Decisão tomada, sem nenhum remorso, empolgadas encaminhamo-nos ao espaço defronte da clinica ao Banco de Socorros da maior unidade sanitária do país. Chegadas ao local, pouco concorrido pela hora, 15 e picos, escolhemos o que nos se afigurava a melhor opção. Para o nosso espanto, para além da dose habitual de dois pedaços de frango foi-nos servido conjuntamente, para cada uma, sete (7) tiras de batata frita.

Antigas habituées do espaço, por inerência das funções maternalistas, em que viamos um embutimento de batatas fritas, solicitamos que nos fosse servido uma porção maior de batata, ao menos como se apresenta nos menus colados às paredes do espaço. O servente respondeu-nos que só podia servir essa quantidade (7 finas tiras de batata) por ordem do patrão e/ou gerente.

Prontamente, mas a jeito de brincadeira, manifestamos o nosso desacordo e reivindicamos uma refeição digna de pessoas adultas e famintas. O servente recusou alegando que mensalmente lhes era cortado o ordenado por servirem grandes porções de batata. De seguida, aproximou-se uma outra servente e prôpos que comprassemos uma dose extra de batata frita.

Imediatamente questionamos se essa porção extra também era composta por 7 magras tiras de batata frita… Nem esperamos pela resposta, alvitradas, batemos em retirada por acharmos injusto que se cobre por um serviço que não é condignamente honesto e nos questionamos se de facto essa directriz é válida ou se os serventes armaram o golpe das batatas para sairem a lucrar mais algum.

Na nossa perspectiva, o golpe seria simples : coloca-se pouca batata nas refeições acompanhadas com batata e, com o remanescente, criam-se pacotes extras cujo valor, seguramente, não dá entrada na caixa…

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Hurreh !

Para gaúdio de muitos (trabalhadores e apreciadores), o emblemático Café Continental, fechado por ordem judicial, há tempo considerável, reabriu as portas depois de ter escapado, sublinhe-se, graças ao bom senso de "quem de direito", a uma metamorfose visando transformá-lo em instituição bancária.

Verdade é que a reabertura do Continental ocorre num autêntico braço de ferro às portas do Tribunal, mas, o mais importante, é que se fez justiça aos trabalhadores, que depois de 10 meses finalmente auferiram o salario de Setembro de 2009 e ficou a promessa, do actual proprietário, de ressarcir os outros meses subsequentes.

Também, para os trabalhadores, funcionários da casa de longa data e, portanto, à beira da reforma, manteve-se a garantia de que emprego é o que não lhes faltará cabendo-lhes assim a responsabilidade de trabalhar com profissionalismo, zelo e correcção.

Quanto a nós, clientes e admiradores, ressurge assim uma oportunidade única de voltar a degustar de pastéis de nata polvilhados com canela e outras delícias mais, acompanhados de um longo galão ou de um quentíssimo café. Yuuuupiiiiiiii !

terça-feira, 20 de abril de 2010

Último desejo

Júlia é uma compatriota moçambicana, quis o destino, averso como só ele sabe ser, violada, há tempos idos, por 8 homens, no bairro do Zimpeto. Sim, 8 homens tarados, com mente maquiavélica, perversa e diabólica, que decerto vivem na maior paz e tranquilidade com a sua própria consciência quanto a esse feito.

Quis o destino, sempre ele, que desse acto impiedoso, sem desculpa, sem tamanho, breve, com uma infinidade de adjectivos revoltantes, Júlia contrai-se o vírus do HIV. Apesar de ser do conhecimento de “quem de direito”, de nenhuma forma Júlia foi ressarcida por acto tão barbaro moral, psicológico ou mesmo financeiramente.

Vivendo da boa vontade da irmã, sem energia para qualquer outra luta, Júlia vive o dilema de não ter uma casa onde deixar seus filhos menores pois bate-se com sua própria progenitora por um espaço que em principio crê ser seu. Este cenário é realmente sui generis numa das relações mais sólidas da Humanidade que é entre mãe e filho.

Consciente de que os seus dias nesta terra estão em número finito, devido ao seu debilitado estado de saúde, na última volta da corrida que está a perder, como último desejo, Júlia implora que alguma alma caridosa ou instituição ofereça um tecto para albergar os seus petizes quando ela não mais os poder guardar debaixo do seu olhar...

terça-feira, 30 de março de 2010

Quem de direito?!

Entope a fossa do prédio, à porta da casa do senhor Venâncio. Intranquilo com o aspecto que isso dá e, sobretudo com a sua integridade fisica e de sua familia, o senhor Venâncio solicita a colaboração de todos os vizinhos do prédo, afinal a fossa é geral, apenas a tampa saltou em frente de sua casa. Porém, todos fazem ouvidos de mercador e aconselham o azarado vizinho a procurar quem de direito.

Noutro cenário, os guardas das casas da zona, varrem os quintais, os passeios em frente às casas para as quais prestam serviço. O lixo resultante dessa limpeza é jogado na sarjeta bem a berma da estrada. Passado algum tempo, chove que se farta. A pressão das aguas sobre as sarjetas entupidas obrigam a que estas façam um desvio e se espalhem quintal adentro, e, no máximo dos azares, dentro da própria casa. O que fazer ? Que venham daí quem de direito !

Os vasculha-lixo, na sua incursão aos contentores, espalham o lixo todo. Os homens da recolha de lixo, com a função de recolher lixo acondicionado nos recepientes apropriados, muitas vezes sem intrumentos para varrer e recolher o lixo, espalhado fora do contentor, apenas recolhem o existente dentro dos recepientes apropriados. Indignados, todos reclamam o mau serviço prestado pelos outros. Que venha quem de direito recolher esse lixo !

Mas afinal, quem é quem de direito ? Quando é que nós mesmos vamos fazer alguma coisa para o nosso próprio benefício ou para o benefício da colectividade ou grupo sem esperar que venha esse tal de quem de direito ? Esse quem de direito dele só nos pode ser útil quando passamos por aflições ? No final de contas, de que direitos quem de direito deve velar e salvaguardar?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Estórias em Maputo (12)

Que no Mercado informal se vende de tudo um pouco a preços acessíveis a todos bolsos, isso é do conhecimento geral. Nesse capítulo, o Mercado do Estrela Vermelha, por exemplo, pode-se considerar Hiper Mercado Informal. Ali vende-se realmente de tudo : produtos na boxi (novos), geralmente madin China, produtos second hand e os produtos quentes (provenientes do furto). E diz-se por aí que até a morte é lá vendida!

Entre tantas possibilidades oferecidas pelos mercados informais, em locais específicos, como o existente diante do Mercado Janete, na Vladimir Lénine, estão os serviços de venda de peixe e de outros mariscos, de frango (vivo ou congelado) e de seus derivados e também de carne de carcaça variada, incluindo as de caça. Hummm, é essa estória que vamos mandjar !

Os vendedores informais já deram provas bastante de serem conhecedores do negócio que exercem : se, por exemplo, vendem frango congelado e seus derivados (moelas, patinhas, pescoços, coxas, assas) estão munidos de "colemanes" (de Coleman’s) onde conservam os produtos. Para o caso dos produtos do mar, a venda é efectuada no final da tarde, período em que faz menos calor, o mesmo acontecendo com a carne.

Curiosamente, é no mercado informal que se verifica à venda de carnes ditas de caça e/ou de carnes habitualmente ausentes dos mostruários dos talhos que não em épocas festivas. É o caso do coelho, do carneiro, da gazela e outros. Disso se pode deduzir, entre outros, que os informais efectuam ou promovem a caça furtiva, o que leva a questionar a actividade dos inspectores da veterinária para não falar dos faltosos da vigilância sanitária…

Ora, como consequência da falta de vigilância sanitária, muito gato por lebre se tem vendido nesses locais. Especial cuidado se chama para os amantes da carne de cabrito e de caça de pequeno porte pois, hábitos conhecidos como pertença de alguns povos asiáticos têm sido levados à panela dos moçambicanos. Tudo isso porque no mundo dos negócio, até a carne de cão dá lucro !

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Licenciados

Há alguns anos, ingressar no ensino superior era privilégio para poucos e alguns. A concurrência era muito forte e as vagas para o acesso a esse nível insuficientes para todos. Os felizes contemplados, apesar de todas as vicissitudes (bolsa insignificante, escassez de material, distância familiar, etc.), empenhavam-se para obter, no final de sua formação o diploma de Licenciatura, garante de um futuro risonho, o presente que muitos vivem actualmente.

Alimentados pela perspectiva do mesmo sonho de sucesso, de cariz pessoal ou institucional, muitos afluem às diferentes e contabilizadas 38 academias em Moçambique. O objectivo primeiro e final é licenciar-se na área à escolha, exercer a profissão e, evidentemente, ser sempre bem sucedido profissional e financeiramente, afinal ninguém planta para não colher.

Nesse contexto, em diversas áreas, no país, anualmente avoluma-se o contigente de licenciados saturando, de certa maneira, o possível espaço laboral a oferecer a estes. Por exemplo, no professorado, ao invés de se dar primazia a professores com formação psico-pedagógica completa, o espaço é ocupado por pessoal despreparado para essa tarefa por falta de cabimento orçamental.

Noutras áreas, os licenciados de tanto vaguearem à procura de emprego à altura de sua formação acabam até "fugindo" da sua própria especialização para poderem ter um emprego que ao menos os satisfaça financeiramente. Face a isto que futuro terá o exército de licenciados que anualmente é engrossado (vem mais "chumbo" esta semana) por batalhões com licença para...?

E ainda ha pouco entrou a moda da pos-graduação...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Estórias em Maputo (9)

Antigamente, as pseudo-bábás vinham lá da terra. Eram jovens vindas de familias humildes, geralmente vizinhas de algum familiar, cheias de respeito e com profunda gratidão pelos patrões por as terem tirado duma casa em que as vezes faltava um pedaço de mandioca para acompanhar o chá sem açucar. No contrato verbal, com os pais dessas moças, ficava sempre patente que as meninas deveriam continuar os estudos já que lá na vila estavam condenadas a um casamento com o pastor de cabritos...

Muitas dessas jovens, chegadas a grande town, emocionadas pelos feitos novelísticos, vistos durante as ausências da patroa, cedo perdiam a humildade e com a ponta dos empinados e virgens seios, partiam para o ataque ao patrão, ao irmão jovem da patroa, ao empregado do vizinho ou ao guarda do prédio. Breve, trazê-las de lá, tornou-se um investimento de risco para o "estatuto de patroa "de muita mulher. Contudo, a necessidade de ter uma bábá nunca deixou de existir, sobretudo com este corre-corre que é a vida na grande town.

Actualmente, as bábás, de lá ou de cá, têm uma vivência dura: trabalham dia e noite, fins de semana, feriados e folgam 48h por mês, distribuidos por dois domingos. Se labutam para uma mamã madame, dessas que não podem perder nenhum evento, nem faltar a um fútil encontro com as amigas, por conta de um puto chorão, das duas uma: ou as bábás ficam em casa com estes, resumindo a preocupação maternal com um "O patrãozinho está a dormir? Já comeu? ", ou são arrastadas ao evento para que toda a familia possa ver como o rebento cresceu.

Nesses eventos, as bábás devem exercer as suas habituais funções que se resumem ao cuidar do menino, folgando no exercício de outras actividades que só desenvolvem quando estão em casa (lavar a roupa, ser moça de recado, etc.). Como é evidente, nesse dia, por ver por perto a mamã madame e o papá todo enfatado e não me sujes, o menino fica muito fiteiro e dá um valente baile a bábá e, para motiva-la ainda mais, ouve um "leva o Junhinho lá para longe!". Salário que é bom? Não pode ser excepção: é aquela base!

Ah, outra coisa! Para não pôr em causa o "estatuto de patroa" as bábás e outras profissionais que labutam no espaço doméstico não podem ser jovens bonitas, elegantes, vaidosas, inteligentes, empreendedoras... sob o risco de nem sequer serem bábás!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Estórias em Maputo (7)

A título póstumo, dedico este post ao zeloso e fiel empregado Luís, que dedicou, por mais de 10 anos, todas as suas forças e energias ao serviço do meu padrinho, em particular, e de minha familia, em geral, e que foi covarde e brutalmente assassinado e enterrado no seu local de trabalho. Paz a tua alma, Lulu!

Mal o sol despontou, um cortejo de mulheres, das zonas suburbanas, se dirige apressada à paragem de chapa ou machimbombo mais próxima: o objectivo é "apanhar" os primeiros carros. Se for o autocarro, melhor, assim terão direito ao bilhete de ir e vir, que se compra imperativamente antes das 7 horas. Este exército, de jovens e mulheres maduras, tem como destino a zona de cimento e betão. São as nossas empregadas domésticas.

Conforme o contrato, fatalmente verbal, excepto raríssimas excepções por parte de estrangeiros e de alguns nacionais, os horários de entrada variam entre 6h e 7h30, de modo a que estas possam preparar o pequeno-almoço e endireitar a roupa dos patrões, preparar e acompanhar os petizes à escola ou creche ou então ficar com eles em casa visto que os pápás vão trabalhar.

Logo, logo, estas mulheres entram na roda viva que é o seu trabalho laboral: lavar, varrer, escovar, limpar, comprar, arranjar, organizar, pagar, cozinhar, engomar, coser, levar, buscar, levantar, sacudir, ... initerruptamente até, no minímo, 17h, sem pausa, sem sequer uma folga tranquila até para comer algo! Sim, senhor, não restam dúvidas, estas mulheres trabalham que se farta.

Em algumas casas, para que os patrões não se chateiem com os atrasos "por causa dos chapas ou do tráfego que era grande, sinhora", as empregadas tanto das rendodezas como lá da terra dormem no local de trabalho, não vá o Diabo tecê-las. Para esse grupo, o dia começa mais cedo ainda e só termina quando todo o mundo vai dormir. Imagine-se se a "sinhora" estuda à noite ou se o patrão, professor algures, em biscatos e tricatos, exige comida quente ao jantar!

As empregadas domésticas, por força de sua actividade, são melhor conhecedoras do lar do que as próprias donas de casa. Frases como "Dona manhane*, onde está a minha blusa bege?". Bege? Se deve questionar a empregada doméstica, é prova disso. Há também empregadas que pelo seu ganha-pão acabam chocando com as suas tradições culturais pois são literalmente obrigadas a lavar as roupas intímas da senhora, mesmo as que dona madame suja com as regras mensais, sublinhe-se, numa total falta de respeito para com estas.

Noutras casas, de uma certa casta da sociedade, os empregados, para além de lá dormirem, só labutam entre a hora de levantar dos patrões (supomos 6h) e a hora de abrir a loja (imagine-se que abram às 8h30, então até às 8h). O segundo período de trabalho ocorre entre o fechar da loja (para a ida à mesquita e a pausa do almoço) e o regresso para a reabertura, no período da tarde. O terceiro e último período ocorre a partir do fecho da loja (entre 18h e 20h) até a hora em que os patrões se vão deitar (sabe-se lá a que horas!!!).

Durante esse entretanto, de ciclos de trabalho diário, os empregados por serem considerados, sem motivo comprovado, ladrões, ficam confinados à espaços limitados, geralmente varandas traseiras, vão de escadas ou na parte traseira das carrinhas dos patrões, muitas vezes sem condições para satisfazer as suas necessidades fisiológicas básicas, quer sejam as necessidades menores ou maiores como beber um copo de água. Já agora, em que dimensão fica esta última necessidade vital?

Como se não bastasse actos poucos desabonatórios para com os hábitos culturais desta gente e para além de labutar mais do que o tempo que é humanamente possível e aceitável, esta classe de trabalhadores (nem vale a pena aludir aos salários, que são uma vergonha), quando adoence, mesmo que justifique convenientemente (ainda que seja verdade que um atestado médico se compra nos hospitais), lhe é cortado o magrérrimo salário e não usufrui dos direitos morais de uma licença de parto e de férias com vencimento e de um subsídio de nojo, em caso de falecimento de familiar directo.

*fulana

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Estórias de Maputo (1)

6ª feira, 15h em grande parte das instituições públicas, espera-se impaciente pela hora H: 15h30, a hora de fechar as portas e partir para a gandaia, a famosa 6ª do homem. A estes junta-se um cortejo de outros tantos companheiros, bizneiros, trabalhadores de instituições privadas e estudantes nocturnos, que são "conectados" sobre o local da batida e aos poucos a turba se junta em malta.

Muitos, conforme o poder de pagamento do seu bolso, o período do mês ou do rendimento do xitique que a malta faz para o txiling, desembocam nos senta-baixo do bairro, nas barracas famosas por algum tipo de serviço qualquer que convém a malta (petisco, paga 1 leva 2, sistema de vale, etc.), nos bares, nas casas de pasto, nos bottle store e nas bombas de combustível.

Nos bottle store e nas bombas, poucos, para não dizer mesmo raros, são os que lá vão para abastecer as suas garrafeiras ou as suas viaturas, razão da existência desses lugares. E já lá vai o tempo em que se "abastecia" para uma batida na marginal! Hoje, bombas e bottles stores, tornaram-se pontos de encontro de uma malta específica e facilmente caracterizável: jovens proprietários de viaturas e seus acompanhantes.

Para além de garrafas e latas, maioritariamente de alcool, que nunca faltam nesses meetings, os beats dos "sabufas", que tocados em simultâneo, provocam mixes de fazer inveja a muitos Dj’s da praça e arredores, em alto e bom som animam a malta que globalmente não respeita as tabuletas "Não consumir bebidas neste local" ou "Alcool proibido a menores de 18 anos".

Aliado a isso, desrespeita-se completamente a postura camarária que postula que 21h é o tempo limite para excessos sonoros em espaços públicos, sob pena de se ser punido (?) nos termos dessa mesma lei. Junta-se a isso o facto de, ao perfilarem-se tantos carros, as viaturas que realmente pretendem abastecer quase que se devem "ajoelhar" aos primeiros para usufruirem desse direito.

Como se não bastasse, dizem alguns moradores das proximidades desses locais, sobretudo das bombas, que casais há que no pico da noite, refugiando-se na desculpa esfarrapada do alto(?) teor de alcool consumido, não se coibem em "comer e repartir o fruto proibido" sob o olhar impávido e sereno dos outros que aplaudem e comentam as performances do bacanal bombiano.

Por outro lado, nos bottle store, o cenário não se diferencia muito do primeiro pois até ao raiar do dia, extremamente alcoolizados, grupos de jovens se bamboleiam ao sabor do som dos carros. Aqui a coisa fede um pouco mais pois este tipo de estabelecimento a priori não oferece sequer uma das habituais e imundas toillettes nas quais seus clientes se possam aliviar dos litros de alcool consumido.

Como consequência disso, inconsciencializados pelas saborosas geladinhas, muitos perdem o pudor e a classe que tinham no início do meeting e aos olhos de qualquer um puxam da ferramenta para se aliviarem. O pior acontece quando as ladys baixam os txuna baby e mostram o inominável perdendo toda a posse de mademoiselle extensões e unhas de gel!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Pernas da mentira

As autoridades nacionais de saude, no caso o MISAU, insistem e persistem em dizer que tudo(?) esta a ser feito para que a informação sobre o virus H1N1 seja difundida no seio de todos os cidadãos nacionais. Segundo estas, a sua preocupação é com as possiveis portas de entrada, entenda-se fronteiras.

Segundo o wikipedia, em seres humanos, os sintomas de gripe A (H1N1) são semelhantes aos da gripe e síndroma gripal em geral, nomeadamente calafrios, febre, garganta dolorida, dores musculares, dor de cabeça forte, tosse, fraqueza, desconforto geral, e em alguns casos, náusea, vômito e diarreia.

Reportagens efectuadas, sobretudo apos a confirmação de um infectado, aquando dos Jogos da Lusofonia, que tiveram lugar em Lisboa em Julho passado, demonstraram, apesar da tranquilização por parte da Organização do evento, que deveriamos estar mais atentos a este facto.

Um pouco depois, as reportagens efectuadas à porta do Aeroporto Internacional de Mavalane, deitaram por terra as "pernas" do MISAU pois todos os passageiros vindos de Lisboa afirmavam nem sequer ter sido abordados ou informados pelos entidades de saude no local.

Na fronteira de Ressano Garcia, local de intenso movimento de e para a Africa do Sul, local onde ja se apresentaram alguns casos, o mesmo cenario foi mostrado: ninguém foi indagado sobre o seu estado de saude ou informado sobre o virus H1N1.

Dentro da cidade, reportagens posteriores, visando o mesmo objectivo, demonstraram que o MISAU pouco ou nada tem feito para mudar este cenario, deitando por terra, uma vez mais, a tese emitida pelo Director-Adjunto da Saude, Leonardo Chavane, segundo a qual " a informação esta a ser dissiminada a nivel das unidades sanitarias". E como fica o slogan "prevenir é melhor do que remediar?"

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ai de ti!

Tão polémico como tem sido o debate sobre a ponte da Unidade Nacional (?), so se pode falar da Lei contra a violência doméstica. apesar das feridas que levantou, a lei contra a violência foi aprovada pela Assembleia da Republica. Esta foi uma ocasião para ver as mulheres vangloriarem-se de não mais poder sofrer mazelas por parte de seus companheiros. Por seu turno, para os homens, um artiguito para não beliscar a masculinidade destes, face a violencia de suas companheiras foi anexado.

Portanto, aquele que violentar fisicamente a mulher, causando-lhe doença ou lesão que ponha em risco a vida será punido com a pena de dois a oito anos de prisão maior. A lei estabelece ainda que todo aquele que ofender voluntária e psiquicamente, por meio de ameaças, violência verbal, injúria, difamação ou calúnia a mulher com quem tem ou teve relação amorosa duradoura, laços de parentesco ou consanguinidade ou mulher com quem habite no mesmo tecto será condenado na pena de seis meses a um ano de prisão e multa correspondente.

Se a ameaça tiver sido com uso de instrumentos perigosos, a pena será de um a dois anos de prisão e multa correspondente. No que diz respeito à cópula (relações sexuais) não consentida fixa que quem a mantiver com a cônjuge, namorada, mulher com quem tem uma relação amorosa duradoura, laços de parentesco ou consanguinidade ou mulher com quem habite no mesmo espaço será punido com pena de seis meses a dois anos de prisão e multa correspondente
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Ainda restam duvidas? é caso para dizer: ai de ti, homem! Ai de ti!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Acorrentados

A demência e outros males, muitas vezes genéticos, leva a que familias tomem medidas extremas para, segundo elas, salvaguardar a integridade fisica(?) dos doentes. Casos de crianças e adultos que são acorrentados por seus proprios progenitores/familiares so chocam pelas imagens deploraveis que são mostradas nos jornais televisivos mas são uma crua realidade na nossa sociedade.

Algumas vezes, pretendo acautelar-se de maus espiritos que se apossessam dessas pessoas, para além de acorrentados, alguns portadores de deficiência mental ou congénita são enclausurados em locais de dimensões reduzidas, como se de animais se tratassem, onde não raras vezes fazem as necessidades fisiologicas e são alimentados.

Mas de quem é a culpa? Desses pais/familiares que acreditam no sobrenatural ou do Estado que não oferece condições para que pessoas com tais problemas possam ter uma vida aceitavel? Continuarão estas pessoas a ser acorrentadas e os acorrentadores presos temporariamente pelo seu acto "cheio de boas intenções"?

terça-feira, 30 de junho de 2009

Pecados da lei

Quem cuida das crianças
é a mulher
Quem lava, passa e arruma
é a mulher
Quem faz as coisas todas
é a mulher
Pois é, pois é
Pois é, pois é
E o homem sem-vergonha é quem bate na mulher
Pois é, pois é
Pois é, pois é
E o homem sem-vergonha é quem bate na mulher*


Esta recordação adaptada (mal me lembro do autor, da letra integral e do titulo da musica, as minhas sinceras desculpas por tal) surge no contexto da aprovação, pela Assembleia da Republica, do Projecto de Lei contra a violência doméstica. Tendo se reconhecido a Mulher como principal vitima, esta lei peca por se ter esquecido que, actualmente, o Homem também é "batido".

* Tera sido o tio Turutão?

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Bofetada de amor

Este mês é dedicado a criança, primeiro pelo Dia internacional da Criança, celebrado a 1 de Junho e pelo dia da Criança Africana celebrado a 16 de Junho. Este mês, tal como todos os outros, deve(ria) ser especialmente dedicado a demostração de afecto por todos que nutrem simpatias pelas "flores que nunca murcham".

Infelizmente, ao invés de se celebrar o mês com pompa e circunstância, so se ouvem relatos de pais que presentearam, os seus filhos com sopapos aplicados vilolentamente por razões diversas. A gestão de problemas pais-filhos é questionavel quando se aplica violência contra as crianças.

Ha quem diga que uma palmadinha não faz mal a ninguém, mas quando essas palmadinhas fazem com que as crianças tenham que ir ao hospital para ser tratadas das mazelas causadas e os seus pais a Esquadra para justificar seus actos, a coisa é muito feia.

Um miudo, sob pretexto banal, ficou na rua durante 15 dias porque seus familiares (tio e mãe) acharam que essa era a melhor solução para castigar o pretenso "pequeno gatuno". O bom do miudo é que nesse entretanto continuou a ir para a escola. Pena é que os vizinhos apesar de o alimentarem, deram uma esteira para que ele continuasse a dormir na rua...

Outro pai, com barba de impor respeito a qualquer um, espancou o seu filho porque supostamente "roubou" em uma loja. Outro pai ainda, fazendo uso da brutalidade de sua força fisica, maltratou a sua filha ao ponto de ser engessada porque "roubou" comida...