sexta-feira, 12 de junho de 2009

Bofetada de amor

Este mês é dedicado a criança, primeiro pelo Dia internacional da Criança, celebrado a 1 de Junho e pelo dia da Criança Africana celebrado a 16 de Junho. Este mês, tal como todos os outros, deve(ria) ser especialmente dedicado a demostração de afecto por todos que nutrem simpatias pelas "flores que nunca murcham".

Infelizmente, ao invés de se celebrar o mês com pompa e circunstância, so se ouvem relatos de pais que presentearam, os seus filhos com sopapos aplicados vilolentamente por razões diversas. A gestão de problemas pais-filhos é questionavel quando se aplica violência contra as crianças.

Ha quem diga que uma palmadinha não faz mal a ninguém, mas quando essas palmadinhas fazem com que as crianças tenham que ir ao hospital para ser tratadas das mazelas causadas e os seus pais a Esquadra para justificar seus actos, a coisa é muito feia.

Um miudo, sob pretexto banal, ficou na rua durante 15 dias porque seus familiares (tio e mãe) acharam que essa era a melhor solução para castigar o pretenso "pequeno gatuno". O bom do miudo é que nesse entretanto continuou a ir para a escola. Pena é que os vizinhos apesar de o alimentarem, deram uma esteira para que ele continuasse a dormir na rua...

Outro pai, com barba de impor respeito a qualquer um, espancou o seu filho porque supostamente "roubou" em uma loja. Outro pai ainda, fazendo uso da brutalidade de sua força fisica, maltratou a sua filha ao ponto de ser engessada porque "roubou" comida...

12 comentários:

Nyikiwa disse...

Infelizmente mana, temos assistido a uma profnda agressao contra os direitos humanos, especialmente contra os direitos das criancas!

Por vezes sou de opiniao que para esses casos deve tirar-se a guarda das criancas dos pais, porque se eles sao os primeiros a fazer isso qem protegera os petizes deste mundo tao cruel?!

ADENDA:
No meu blog Pensamentos de Uma Preta Africana (www.nyikiwa.blogspot.com) tambem ja abordei esta problematica.

Chacate Joaquim disse...

Tirar seria a maior festa na selva em que vivemos! então aprocriação iria crescer demasiadamente porque não representaria nenhum custo aos pais!... que coisa esses sim devem ser responsabilizados e a prenderem a saber dar todos os direitos e deveres que os petises tem. Bjs

X!mb!t@nE disse...

Essa de se tirar a guarda das crianças a este tipo de pais, nao é de se deitar fora, mas estara o Estado preparado para isso, Nyikiwa?

X!mb!t@nE disse...

Concordo contigo, Chacate

Nyikiwa disse...

De facto para a conjutura socio-economica do nosso pais tirar a guarda das criancas nao seria a solucao. Precisamos de algo mais contundente e que mexa com esses pais desnaturados!

Julio Mutisse disse...

Há excessos, muitos excessos nestas coisas de "educar" as crianças. Tirar a guarda aos "educadores excessivos", quanto a mim, não se afigura viável tendo em conta o país que somos e as condições que temos. Bastará ver as dificuldades porque passam as crianças no lar primeiro de Maio.

Mas não podemos ver o "tirar a guarda" como a solução mais contundente. A lei pune ofensas corporais e, destas, não se excluem aquelas que os pais infligem aos seus filhos. Mesmo sendo "filhos" são pessoas com direito a preservar a sua integridade física.

Portanto existem algumas medidas contundentes já previstas na lei que punem com penas de prisão e outras.

Reflectindo disse...

Tudo é preocupante e uma solucão adequada não é fácil encontrar. Tirar a crianca dos pais pode ser castigo para alguns, dependendo das condicões económicas e sociais, o meio ambiente em que vivem e linhagem familiar.

Acho que tirar a filha a Chacate ou Júlio é castigo aos país, mas não a uma família desempregada que até envia filhos para pedirem esmolas nas ruas.

Tirar filhos à forca duma família das zonas rurais é castigo, pois toda a comunidade lá lhe julga.

Tirar uma crianca a uma família de linhagem matrilinear é castigo para os país, pois isso pode levar à expulsão do homem ou condenacão da mulher pelos familiares e pela comunidade em geral.

Portanto, retirar a crianca pode não ser uma solucão contundente para todos, mas adequável para alguns. Difícil seria distinguir.

A lei pune castigos/ofensas corporais mas infelizmente, meus amigos, ninguém dá nem deu conta dela que pelo me lembro vem desde a primeira CR. O administrador bate ou manda bater, o professor bate, o polícia bate, o juíz bate ou manda bater, o pai ou a mãe bate - ofensas corporais. Enfim, muitos e muitos batem e não menos nas criancas. A prisionar todos estes talvez não tivessemos espaco nas cadeias e daí morrer-se por asfixia.

Porém, não há outra saída que sermos sérios e não menos pondo em prática a lei que pune castigos corporais. Mas antes de punir um por um, a lei que pune ofensas corporais devia ser discutida e divulgada amplamente e dar-se um início ao seu cumprimento. Neste sentido, mesmo a quem se lhe retira "filho" devia ser penalizado.

Chacate Joaquim disse...

Muito bem Reflectindo, defacto faz uma reflexão neutra, antes vamos atacar alguns aspectos culturais educando as pessoas a saberem que isso não é normal. porque de facto em Moçambique o bater parece uma cultura! então se é há que mudar. como? educando a sociedade. obrigado mano.

PS// veja que ha dias quando começou aquela confusão de magude vi me obrigado a sair da sala com as crianças (o linchamento não é um valor)!

X!mb!t@nE disse...

Ainda bem que reconheces que nao ha condiçoes para medidas tao drasticas, Nyikiwa. Mas ha casos, sinceramente, em que o Estado deveria tutelar crianças maltratadas pelos proprios progenitores.

X!mb!t@nE disse...

Mutisse, espero sinceramente que as tais leis punam esses pais e que acima de tudo os façam ver como agiram errado para com os seus filhos.

Espero também que depois de terem "penado" por agressoes fisicas ou psicologicas aos seus filhos esses mesmo pais não agridam "estomacalmente" os petizes posto que sao os primeiros quem garantem o pao de cada dia...

X!mb!t@nE disse...

Uma reflexao profunda a sua, Reflectindo. De facto nao ha bela sem senao, tudo requer um estudo profundo, afinal cada caso é um caso!

X!mb!t@nE disse...

Chacate, bater parece uma cultura porque quem bate não é batido, hehhehehe. Se seguissemos o exemplo de outros pais onde os proprios filhos é que se vao queixar das agressoes dos pais, o cenario começaria a mudar