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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

"'Stá" a bater!

O ano lectivo está prestes a terminar. Pelos corredores das escolas constata-se uma azáfama incomum.

Dum lado, encontram-se os professores numa correria contra o tempo; a regularizar testes dos alunos faltosos, elaborar pautas, aprender a trabalhar a todo custo com Excel, participar em conselhos de notas, afixar… e, do outro lado, como formigas atrás do açúcar, os alunos cobrem as salas dos professores e os cercam no estacionamento, nas paragens de chapa, nas portas das casas de banho, nas cantinas, nas barracas mais próximas. Tudo isso a procura de valores para passar de classe ou admitir ao exame.

Nos corredores, o cheiro de urina das toilettes foi substituído por feromonas das alunas, que circulam semi-nuas, com andares suaves, dançantes, sorrisos pálidos, prontas a negociar o seu néctar com os professores pobres em moralidade e de zipes menos seguros.

Paira no ar a luxúria, o negócio, a cumplicidade, o sexo implícito, que por momentos confunde-se com a zona quente. Nos corredores, ouvem-se ecos de risos de hienas. Nos rostos dos professores predadores, brilham olhos cristalinos, feito comerciantes prestes a consumar um negócio.

Bocas com cheiro de fome foram substituídas por arrotos de satisfação, de esperança. Afinal a profissão de professor tem lá alguns benefícios….Há alegria pelo merecido troféu que enfim vai chegar, para terminar a obra que só se move nos finais de semestre, para comprar um carro de segunda mão, um fato sonhado, colorir a mesa da família ou ser o “paga bem” na barraca da zona.

Paira injustiça nos corações dos alunos menos afortunados de corpo e agrados, pois mesmo tendo se esforçado, vão repetir o ano. Paira esperança nos olhos dos alunos afortunados, dos alunos mais queridos, que anseiam ter no ano que vem professores negociantes como os do presente ano…. E assim se faz o ensino….

Texto da autoria de F. E. Changule, in Facebook

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Bassopa*!

Não importa se é simples ou conhecido médico, jurista, jornalista, actor, futebolista, etc. ou se faz, de passagem, parte da emergente socialite moçambicana : nos últimos tempos, qualquer um, desde que seja relativamente conhecido, por via dos mass media, corre o risco de, ao ser apanhado com a mão no coiso ou com o coiso na mão, ver tal situação reportada em altas paragonas de alguns programas televisivos.

Engana-se quem pensam que vai, de hoje em diante, tal como fazem algumas estrelas hollywodianas de ser alvo de perseguição de conhecidos papparazis, antes fosse ! Hoje, qualquer cidadão portador de um telemóvel com capacidade para fotografar ou filmar é potencial papparazi. Que o digam alguns alvos desses neopapparazis em pleno acto de compra de bens no dumba-nengue ou em baladas nocturnas que agitam Maputo.

Incentivados por um programa televisivo que, sob patrocínio duma operadora de renome nacional e internacional, a julgar pelas premiações de que se orgulha, literalmente afirma que "paga por pôr os outros na lama" sem sequer se preocupar com as consequências dessa exposição de figuras públicas e das que com quem são geralmente apanhados nesse enredo.

Alvo de comentários mordazes, do tipo "se a dama não é dele ou se ele não é namorado dela, o bicho vai pegar lá em casa", ao analisar, pelo grau de comentários em aglomerações matinais (na paragem de e em autocarros ou chapas), a desgraça de outrém parece agradar a muitos que não vêem a hora de serem abonados com imagens similares para também lucrarem algum. Quanto é, ninguém sabe, mas lucro fácil, quem não gosta ? Bassopa, andar fora é maningue arriscado!

*Cuidado !

PS : Consta que, em manifestação de repúdio aos comentários depreciativos no referido programa, onde o apresentador reconheceu que também se txuna, apesar de serem compras efectuadas pelo seu puto e pela sua prima, um grupo de artistas da praça, liderados pelo instrospectudo Pedro Muiambo, vão proceder a uma passeata de artistas, no Xipamanine, com o lema «Humildade não é defeito – artista compra no dumba-nengue».

sábado, 3 de abril de 2010

Estórias em Maputo (19)

Txilar ou curtir com a malta é palavra de ordem de muita gente, sobretudo da juventude, à porta dos fins-de-semana e no próprio fim-de-semana. Formas de diversão são inúmeras mas os pontos comuns desse excitante cocktail são o alcool, a música e, algumas vezes, as orgias na traseira dos carros ao olhos de quem está próximo e que até aplaude as performances desse cinema gratuito e bizarro.

Fatalmente, os txilanços dos últimos tempos, obrigam a que os txila’s tenham tako no bolso e viatura (com ou sem o consentimento dos pais ou nem por isso), basta o tanque estar cheio, com o patrocínio dos bradas, evidentemente, para se deslocarem para os locais onde está a bater, de preferência com potentes «sabufas» para dar mais raiva aos outros manos e atrair as dengosas damas que rebolam sensualmente.

Os locais de concentração são conhecidos de todos os txila’s, com a magia dos telemóveis, em poucos minutos, diante de um coleman recheado de todas as apetecíveis geladinhas (também com um verão como este que nunca mais acaba !), duma simples barraca ou dum contentor de bebidas, se aglomera uma ruidosa multidao e a ela vão se juntado outros grupos e… tá-se a txilar, tá a bater !

Os mais prudentes cedo retomam a casa. Outros, por falta de meios automobilísticos e/ou de condições para pagar um taxi, que no frescor da madrugada supreendentemente duplicam de preço, recorrem aos serviços de taxi oferecidos pelas carrinhas de caixa aberta das empresas de segurança que efectuam «patrulhas» em residências próximas. Esfomeados que são, os securites, pela modéstia quantia de 50 paus, transportam mais do que dois txila's, alguns até com direito a entrega ao domicílio.

No final do txiling, no meio de toda imundície provocada pelos txila’s (garrafas e latas onde são, muitas vezes, acondicionados os liquídos rejeitados pelo organismo) os txila’s ao extremo, em condições deploráveis (nessa hora as mulheres perdem toda a pose e os homens até esquecem-se dos seus próprios nomes), assistem ao nascer do dia sob o olhar crítico de todos lúcidos que por lá passam.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A seta do Azagaia

Azagaia, rapper moçambicano é figura amada por muitos e, seguramente, odiada por outros que feridos pelas farpas, que caracterizam as suas musicas, seguramante com isso se incomodam. Ora, por ser o individuo sem papas na lingua, a integridade fisica de Azagaia é alvo de preocupação, quer por parte dos "contigentes" que o seguem como dos outros tantos que devem torcer para que lhe falte inspiração.


Ora, recentemente Azagaia esteve em concerto na terra dos nossos kambas mangolés e, como se deve prever, a sua prestação teve sucesso retumbante. Na primeira pessoa, em entrevista ao Rei dos biffs, Azagaia esteve no programa do biffeiro para falar da sua carreira e, como não podia deixar de ser, da manchete de um jornal ca da praça segundo o qual o rapper esteve(?) na lista de alvos à abater por agentes da secreta angolana.
Essa situação, como é de prever, se tivesse(?) ocorrido teria aberto um incidente diplomatico entre nos e nossos kambas, tal como quase aconteceu recentemente, com o Togo, devido ao Atentado em Cabinda, que resultou num saldo entre 2 ou 3 mortos (dados não claros), e que culminou com o abandono do Togo ao CAN a ter lugar actualmente nesse pais irmao.
Bom, segundo o proprio, apesar de ter constatado, no seu concerto, que o publico la presente teve um comportamento incaracteristico (ao apelar no refreao de suas musicas que o seu Presidente abandonasse o poder) sente que de forma nenhuma esteve a incentiva-los a faze-lo, como supostamente podera ter entendido à segurança angolana para o querer kilar (hipotese aventada pelo jornal).
Agastado com a manchete e teor da entrevista(?), que nas declarações do musico era "cultural" e que no fim retratou inverdades, o musico, ciente de que o publico do programa é marcadamente infantil (esquecendo-se ou ignorando os adolescentes, jovens, adultos e idosos) mais não fez do que apelar à não aquisição do polémico jornal como também mostrou um punjante manguito, ao vivo e a cores, dirigido ao tal jornal(?).

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Txuna boy

Sendo que o hábito se tornou costume, pois hoje pouco se critica o titio kota que banca a menina quatorzinha, muitos dos titios, com familias formadas, como é evidente, deixam suas esposas “ao Deus dará” e essas kotas, muitas ainda na plenitude da sua feminilidade, precisam de alguém para "segurar as pontas".

Maduras e com o seu encanto, essas mulheres, respeitadas mães de familia, para suprirem as suas necessidades físicas poucas há que recorrem a outros kotas. A proximidade com os amigos dos filhos, vizinhos jovens e colegas de trabalho, alguns um pouco assanhados, trazem à flor da pele destas a necessidade e a vontade de ter um affair com os “meninos”.

No início da relação, os jovens cheios de charme e de alta calibragem, tudo fazem para conquistar e deixar de rastos a kota, geralmente tacuda pois os dividendos não se revertem apenas no acumular de novas experiências, mas também no cash que sempre é facilitado para pôr o menino a "shainar".

Empolgadas, as kotas investem seriamente no boy: pagam cursos, escola e até universidade. Griffes e gymm, afinal é preciso manter a boa forma, também entram no rol de beneses que estes boys ganham das kotas. Para alguns ficarem livres dos olhares acusadores de seus progenitores, alugam-se apartamentos e até são comprados carros.

Mas, como muitas vezes, as kotas, por serem casadas, não podem rodar publicamente com os boys, estes têm namorada, aquela que apresentam à sociedade e que por sua vez são patrocinadas com os dividendos da kota. Algumas kotas, ajudam o boy a estabelecer-se profissionalmente e até a formar familia na condição, claro, de manter o affair acesso!