quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Estórias em Maputo (6)

Compras! Há quem não goste de fazer, sobretudo se isso implica procurar pela melhor oferta em vários lugares, por melhores preços. Há quem deteste ter que cheirar, pesar, repesar e penchichar mas, de forma geral, no final das compras, todos querem é encher a despensa ou guarda-fatos gastando pouco e não comprar gato por lebre.

Actualmente, fazer compras é um risco. Quer seja em grandes, médias ou pequenas superficies (supermercados, bancas na rua, mercados, mercearias e armazéns de venda à retalho), as trapaças nas compras, dependendo da sorte, subtileza e atenção do comprador, tanto podem levar ao prejuízo... como ao benefício.

Já se sabe que maior parte das balanças dos mercados está viciada. Ao invés de se pagar pela medida solicitada, paga-se o dobro e quase o triplo do produto solicitado. No Mercado do Peixe, por exemplo, os clientes se não querem comprar tripas no lugar de escamas, devem levar suas próprias balanças. No entanto, no Mercado Central não se aceitam balanças de fora: "ou compra ou deixa", como dizem as mamanas.

Outro risco, que a cada dia se amplia, ocorre nas grandes e médias superficies. Se for pagamento via cartão, debitam valores acima do que realmente comprou e no final do expediente, simulando que o cliente pagou a mais e que lhe deve ser restituido o dinheiro, no caso vivo, retiram o dinheiro da caixa para a tal compensação e este "compensa" no bolso do caixa.

Por outro lado, se se escapa da "compensa", há que estar atento aos carregadores no itinerário loja-carro, sobretudo se se tratar de muitas compras. Como defronte de quase todos estabelecimentos comerciais há vendedores ambulantes (?) e guardas de carros (?), nesse vai-e-vem, se o comprador não estiver suficientemente atento, alguns sacos correm o risco de ficar retidos pelas pessoas anteriormente citadas.

Longe de alguns dos perigos descritos, ir às compras algumas vezes é salutar para quem entra em connections bastam os passos à seguir: ir a loja, identificar o produto que lhe interessa, informa-se sobre o preço, fazer cara de escandalizado, informar ao vendedor que tem metade do valor, aceitar a infalível (?) proposta do vendedor, esperar um pouco e... comprar o produto fora da loja.

Engane-se quem pense que o connection só serve para compras pequenas, banais ou fúteis de blusas, capulanas, tecidos, carteiras e sapatos. Leitores de DVD, telemóveis, fogões com 6 bocas, geleiras, arca frigorífica de 1500l, com direito a entrega ao domicilio, fazem parte do leque de bens e produtos que podem ser adquiridos via connection...

10 comentários:

Abdul Karim disse...

interessante.

Ximbitane disse...

Ainda bem, nao é?

Maria Helena disse...

Excelente artigo!
Deveria de haver fiscalização das balanças no Mercado Central. Eu preferiria não comprar. Estou disposta a pagar o preço solicitado/marcado, que até pode ser acima do seu valor, mas ser 'roubada' duas vezes, já é um bocadinho demais.
Estou sempre extremamente atenta se tiver que pagar com cartão, tento sempre pagar a pronto.
Quando menciona os produtos que podem ser adquiridos fora da loja, ou via connection, quer dizer exactamente o quê? Que se pode comprar o produto 'por portas travessas', pagando um preço muito mais baixo, ou seja, o empregado abotoa-se com o dinheiro?
Clarifique-me, se faz favor, estou meio baralhada.

Ximbitane disse...

Cara Maria Helena, o connexion é mesmo "por portas travessas", risos

Júlio Mutisse disse...

Vou pôr a PGR a investigar-te. arece que conheces os ways dos connections.

Ximbitane disse...

Hehheeh, quem anda à chuva, so pode molhar-se. Venha dai com o PGR!!!

Domingos Bihale disse...

''Estorias de Maputo', de Mocambique. Recordaste-me um episodio que passou comigo no Mercado Estrela? Contar,eh, nao. Ainda nao perdi a capacidade de vergonha! Interessante, bem escrito, Claro. Parabens

Ximbitane disse...

Oh, Bihale, é sempre bom partilhar as experiencias (boas ou mas) com os demais. So assim evitamos cair na labia dos oportunistas

Leovigildo Novidades Juliasse disse...

Hum, as armadilhas estão por todo o lado. Isso mesmo. Enquanto uns trabalham e ganham honestamente, os outros obtem dinheiro facilmente sem suor. E temos muitos desses. Nós os conhecemos. Vamos denunciá-los.

Ximbitane disse...

Heheheehe, Leovigildo...