sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Dia-a-dia na escola

Em nossas escolas, acontecem muitas coisas. Algumas delas testemunhamos quando o facto é narrado nos media ou então por alguém ou um familiar que vivenciou uma situação, geralmente triste. Verdade seja dita, dentro dos limites da escola vive-se muita coisa boa... má.

É de conhecimento geral que as escolas existentes, em particular na zona de pedra, foram construídas no tempo colonial. Também se sabe que essas escolas foram construídas para albergar determinado número de pessoas (estudantes, alunos e outros autores)... pois, aí a porca torce o rabo!

O superpovoamento da cidade de Maputo e consequentemente das escolas obriga a que sejam estabelecidos vários turnos para que todo mundo possa beber da fonte da sabedoria. Acrescenta-se a isso o facto de vários alunos não conseguirem lugar no período diurno o que cria condições para que existam 4 turnos.

A título de exemplo, uma escola pode englobar aproximadamente 3000 alunos, distribuídos em diferentes turnos. Entretanto, essa escola dispõe de 3 espaços sanitários: 1 para os professores (homens e mulheres), 1 para as meninas e outro para os meninos, havendo em cada um 4 cabines.

Fazendo as contas, por cada turno há uma média de 750 meninos e imaginemos que metade disso seja dividido igualmente pelos sexos. Dividindo esses meninos pelas 8 cabines, teremos uma média de 93.75 indivíduos a fazer uso das casas-de-banho em 4 horas (um turno).

Puxando de novo pela calculadora, num único dia, uma cabine sanitária recebe em média 375 alunos! Ah, sublinhe-se também que a distribuição da água, da rede geral, ocorre das 4h às 9h da manhã. Em que estado ficam os sanitários algumas horas depois? Evidentemente, por maiores e melhores que sejam as intenções, o factor higiene entra em crise.

6 comentários:

Chacate Joaquim disse...

Qual é a sugestão Ximbi? porque o ideial todos sabemos. é difícil pensar nisto num País onde ainda há Salas de aulas do tipo improvisos bancos alinhados de baixo de uma árvor.

Anónimo disse...

O ideal seria as escolas serem maiores ou o número de alunos ser mais reduzido, também ter-se funcionários cujo exclusivo trabalho fosse a limpeza e manutenção das casas de banho.
A prioridade do governo deveria de ser na construção de mais escolas públicas.
A aposta de qualquer país deve ser na educação e saúde do seu povo, que o resto vem por acréscimo.
Maria Helena

Shirangano disse...

Só o facto de se ter uma escola, já é muito. Não importa se “herdamos” ou se construímos, o que interessa é que o mal maior está resolvido. Quanto ao mal menor, deve-se aprender a viver de “cinto apertado” (hehehe). Também não vamos ocupar espaços a construir casas de banhos – uma para cada sala de aula (pese embora a sua suma importância), mas sim mais salas de aulas.
Esta é a realidade!

Ximbitane disse...

O ideal, Chacate, é logico que conheces. Ainda assim, longe desse ideal, creio que é tempo de arregaçarmos as mangas e dar a nossa mão, afinal o Estado/Governo nao pode fazer tudo sozinho.

E se, por exemplo, contribuissemos para comprar um tanque e uma bomba de agua. Nao estariamos a minimizar um problema (colera) que pode provocar uma verdadeira calamidade?

Ximbitane disse...

Sem duvida, Maria Helena. Mas quem nao tem cana... pesca com plastico!

Ximbitane disse...

Concordo, Shir! Também a intenção nao é criar casas de banho por sala!!! Uma das soluçoes é a que proponho ao Chacate.

Nao vale so atirarmos pedras, temos é que ajudar a erguer as pedras