terça-feira, 8 de julho de 2008

Urgência adiada

Ter acesso aos cuidados básicos de saúde, a qualquer momento, é uma necessidade que deve ser respondida pelo Governo, mas ir a uma unidade sanitária e ser atendido por um médico, que seja de clínica geral, é um verdadeiro luxo!

No Hospital Central, sem a famosa guia de transferência, até é possível ser-se atendido sem stress, basta pagar a tal taxa moderadora. Lá dentro, muita coisa mudou, parabenize-se: é limpo, o cheiro é neutro e até os lavabos dispõe de papel higiénico, sabão para as mãos e, o mais importante, água.

Mas nas Urgências de Pediatria, que também tem um aspecto impecável, a porca torce o rabo: só mesmo com a guia de transferência duma outra unidade sanitária e mesmo com febres altas, vómitos e diarreia (algo que no papel colado na vitrine da recepção é indicado como prioritário) há o risco de o mandarem dar uma curva.

O procedimento é simples: uma vez no guichet da recepção [não sei porque dão esse nome, devia ser guichet de reenvio] tem de se deslocar, sob indicação aos berros da recepcionista que está lá num canto da recepção [que possui, a olho nu, 2m quadrados] à um corredor logo a esquerda. Nos bancos desse corredor, aguarda-se que uma enfermeira venha saber o que o leva a procurar tais serviços.
Se você diz que a criança está com vómitos, ela deve fazer uma demonstração (?) comprovativa in loco disso, entenda-se, vomitar diante da enfermeira.


Se você diz que a criança está com febres altas, o termómetro que à criança é colocado, deve logo indicar 40ºC! Isto sabendo-se que quando uma criança está com febres tudo se deve fazer para baixar a temperatura, sob o risco de provocar convulsões, como deixá-la mais fresca ou mesmo enfiando um supositório para tal goela acima.

E se a alegação é de que a criança está com diarreia, no momento, deve apresentar a papa fecal!!! Portanto, ai de si se a criança não o faz in pressentia ou se antecipadamente mudou a fralda! E agora com as descartáveis...

O veredicto é ir ao hospital geral ou procurar o posto de saúde no dia seguinte e, nesse entretanto, a criança desidrata-se e stressa-se, agravando o seu estado, e a você, que paga imperativamente os impostos, também. Se bobear, como dizem os brasileiros, depois da sua ida a outra unidade sanitária, na escala inferior às Urgências de Pediatria, corre o risco de lá ser insultado por negligencia maternal/paternal e “chimbam-lhe” com uma guia de transferência que lhe garante outro lote de palavras insultuosas nas Urgências de Pediatria.

Se você cai nas graças da enfermeira, em serviço na triagem, volta a recepção, passa pelos trâmites habituais, põe o petiz a pesar, é (re) medida a temperatura e vai à fila esperar pela sua vez de ser atendido. Uf!!!

8 comentários:

Jorge Saiete disse...

Xim,
Se todos nós tivessemos recursos não mais pisavamos o hospital público, sobretudo pela humilhação a que somos sujeitos pelo pessoal hospitalar. Afinal uma criança em estado grave é a que vomita constantemente?

A dias fiquei sabendo que há senhoras que dão parto em hospitais mas sem a devida assistencia médica e me perguntei o porque, então, de apelos a partes institucionais?

Cheiro, diminuiu nos hospitais mas trabalho sério ainda falta.

Agora, o que mais me irrita é o ilimitado poder das serventes (há serventes masculinos mas estes são relativamente moderados) que até parece que elas é que são efermeiras ou médicas pela forma como dficultam a vida dos doentes, lançando aqueles palavrões que só alguem descrupulado pode as emitir.

ximbitane disse...

Pois é Saiete, é uma verdadeira odisseia ir ao hospital.

Essa das senhoras que parem sozinhas é verdade sim, sobretudo se tiverem feito o pré-natal com um médico.

Quanto as serventes, nem me fales! Acordam-te as 4h, na maternidade, para tomares banho e arrumarem as camas. Vê se pode?! E isso fazem até na ala das cesarianas!!!

Dede Moquivalaka disse...

Nao me falem disto. Fiquei a chorar de lagrimas a cair quando levo de urgencia a minha esposa ao HCM.
Quem vem a me safar no meu de todo aquela tao traumatizante 'odisseia' foi uma me'dica sao-tomense que por acaso esta' a passar pelo corredor.

Estamos mal!

ximbitane disse...

Vê se pode, Dede!? Ser safo num hospital? E por um médico? Afinal qual é a funcção primaria do hospital?

Dede Moquivalaka disse...

Pois foi mesmo. Mas pa mim, o que esta' omisso sao politicas e estrategias exiquiveis neste sector. Hoje, salvo estaja eu enganado, quando se olha no MISAU, e' o Ministro e nada mais. Dai que mesmo as intervencoes que ele faz nao chegam a ter a profundidade que merecem.

Se for necessario, volto a este tema que a mim me interessa bastante.

Jonathan McCharty disse...

Realmente a Urgencia de Pediatria e' um stress terrivel! O pior e' que nao cobram pouco.
Eles (elas) agem como se alguem fosse ao hospital por divertimento! Se o miudo nao esta' bem, deve-se esperar pelo "dia normal de trabalho" para um posto de saude??

ximbitane disse...

Oh Dede, volte sempre, não tenha preguiça. Acima de tudo, é uma questão real

ximbitane disse...

Pois é Jonathan, engraçado é que mesmo assim não deixo de lá ir. Os asmáticos são pessoas que nem sequer fila devem fazer nas unidades sanitárias.

O meu filhote é um campeão de visitas lá ao lugar, foi assim que vi a olho nu o que se passa nas Urgencias de Pediatria!