quarta-feira, 19 de maio de 2010

Estórias em Maputo (22)

As empregadas domésticas decididamente são um mal que vêm por bem. Com ou sem elas as dores de cabeça são uma constante para os patrões. Quando se revoltam ou se acham exploradas, fazem coisas impressionantes : lavam a casa-banho com escovas de dente em uso, ligam desnecessariamente electrodomésticos ou deixam torneiras abertas só para aumentar os gastos.

Apesar de passarem grande parte das refeições no local de trabalho, as empregadas domésticas não se ralam nem um pouco em fazer o seu próprio rancho no rancho da familia à que servem. Se se trata duma patroa tida como chata, maior azo ganham as empregadas para "so dar mais raiva". Aí, tal como os bandidos, as donas do lar, têm ideias ardilosas para contornarem qualquer "esquema de segurança patronal".

Umas fanam os produtos alimentares ainda não confeccionados, outras confeccionam-nos e levam-nos como take aways para suas próprias. residencias. Os esquemas de retirada desses produtos são tão surpreendentes quanto inimagináveis : batata, tomate, cebola, alho, cenoura e outras hortículas "deitam-se" na lata de lixo. Proibir a retirada dos dejectos na hora de saída pode ser a solução.


Pode sim, mas logo logo outra estratégia será posta em marcha! Pode-se, por exemplo, esconder os produtos em algum canto do prédio ou quintal. Ou ainda entregar a alguma outra empregada que despega mais cedo, ou chamar algum familiar para ir buscá-los e como até os guardas da casa entram no esquema, estes podem guardar os produtos para os entregarem na hora de saida. Vale tudo mesmo!

4 comentários:

Anónimo disse...

Compreendo muito bem a tua postagem e as razões que apontas nela.
Eu, felizmente, acho que nunca tive problemas com as empregadas que passaram lá por casa.
Faço tudo o que posso para criar boas condições de trabalho, pago acima da média, pago-lhes a segurança social, assistencia médica, se quiserem, pago-lhes para que possam estudar, digo-lhes que podem contar comigo para tudo, mas que também espero o mesmo da parte delas, quando confeccionam as refeições, podem comer à vontade e, se quiserem, à mesa connosco, ofereço-lhes um rancho mensal, dou-lhes roupas da minha inúmera prole, etc.
Mais do que tudo, faço-lhes sentir que me interesso por elas e pela sua vida pessoal, tenho um relacionamento tipo familiar, e, nunca mas nunca, lhes digo algo ou repreendo de forma humilhante e desrespeitadora.
Acho que, como em tudo, tem de haver um certo equilibrio e harmonia para as coisas funcionarem.
No final, acho que só através do diálogo e respeito se pode conseguir um bom relacionamento de trabalho entre patrão e empregado.
Ser-me-ia dificil funcionar sem o auxilio destas 'fadas do lar'.
Tenho uma vida super ocupada, um trabalho exigente, marido, 6 filhos e muitos animais para cuidar.
Maria Helena

Ximbitane disse...

Maria Helena, minha amiga, realmente o que pode estar a faltar neste tipo de prestação de serviços são alguns dos aspectos que narras e, sobretudo, a questao salarial.

Mas acredita, minha amiga, por mais grandioso que seja o salario, as empregadas domesticas teimam em tomar atitudes que prejudicam o patronato.

Ainda a proposito desta postagem, um amigo dizia que mesmo o patrao/patroa dessa mesma empregada leva papel, laptop e outras coisas mais do seu emprego para usufruto pessoal. Breve, cabrito come onde esta amarrado!

Chacate Joaquim disse...

Maria Helena e Ximbi. os vossos comentários levam me a questão dos sectores para negociação do salário mínimo.

Em toda a função Pública os funcionários reclamam melhores condições. o que não acontece aos funcionários do Banco Mundial e de outras ONGs que dão melhores condições a pessoa ném precisa de ser controlado as condições é que determinam o seu Behavior.

O que estamos a dizer é que no Geral elas se comportam de maneira indesejada e assumida, eu estou na OTM tenho acompanhado a forma como elas se comportam. sem querer dizer que são inúteis.

Apropósito, tenho acompanhado empresas a dizerem que "pagam acima da média" (qual é o conceito disto?).

É como diz José Saramago, "nunca houve greve na indústria de armamento"

Ximbitane disse...

Chacate, creio que a associação desta classe deveria discutir taco a taco, tal como as demais, a questoes salariais das empregadas domesticas. Quanto as outras questoes, infelizmente nao tenho resposta.