sexta-feira, 4 de abril de 2008

Órfãs da OMM

Em Março passado, foram celebrados os 35 anos da OMM e, pelo que se pode entender, tanto pela forma de ser como pelos discursos, a OMM é uma organização de mulheres camaradas.

O 7 de Abril, dia consagrado a Mulher Moçambicana, é amplamente festejado sendo até um feriado o que permite que a sua celebração seja condigna. É de conhecimento geral, pelo menos no seio do Povo moçambicano, que a celebração desta data é devida a morte de Josina Machel, heroína da luta de Libertação Nacional.

No entanto, apesar de a OMM brandir aos ventos que é pela emancipação da Mulher moçambicana, nós, mulheres moçambicanas, não filiadas ao Partido Frelimo ou a qualquer outro Partido, sentimo-nos excluídas dessa organização que se diz ser de toda mulher moçambicana. Consciente de que em algum momento da jovem história do país foram de grande valia para um punhado de mulheres, no campo da alfabetização, por exemplo, não pomos em causa a vossa anterior causa.

Nós, mulheres moçambicanas, queremos ser livres de expor o que pensamos, de dar a mão onde ela se mostra útil, de unir forças com outras mulheres (porque não com todas as mulheres, se é pela mesma causa?), para que a nossa voz se faça ouvir. No entanto, no seio da OMM, não temos esse espaço, aliás as mentes “veteranas” que orientam essa organização tudo fazem para manter os galões a brilhar.

Basta! Rebaptizem a vossa Organização de impulsionadoras de submissão politica no feminino. Deixem essa designação para mulheres que tem como objectivo único responder aos anseios da Mulher moçambicana sem olhar para a cor da bandeira politica, vosso critério principal para designar mulher moçambicana à Mulher tão moçambicana quanto vocês.

Tal como quando compramos uma capulana, queremos ter a opção de escolha e não a obrigação de ter um cartão de Camarada, que ainda nos subjuga, limitando a nossa forma de pensar à aquilo que vocês acham ser justo. Não nos roubem o orgulho de sermos verdadeiras Mulheres moçambicanas, verdadeiras guerreiras na luta pela melhoria de condições de vida, essa pobreza absoluta que tanto brandem e nada fazem.

Não será este um momento impar para reflectirem sobre a designação da vossa organização? E que tal acrescentarem um "F" a vossa designação (Organização de Mulheres Moçambicanas da Frelimo)?

3 comentários:

OFICINA PONTO E VIRGULA disse...

Hi, Ximbitane. Permita-me chamar-te da Ximbitamulher.

Esse seu hino agradável, que se assemelha com o da Pátria amada

Esse seu ver da mulher moçambicana

Esse seu olhar da mulher como mulher, como uma viagem que deve ser concretizada

Um olhar de quem tem sonhos como a de Martin Luther dos EUAs, 1968

Um olhar com esperança, com bravura

A mensagem que endereçaste à mulher moçambicana, é extensiva à toda mulher do mundo

A tua mensagem, é uma carta para a mulher que quer um espaço para desvendar o seu reportório de conhecimento

Lutar não precisa do barulho de armas, mas a melhor luta é aquela que usamos o nosso conhecimento científico para determinar as direcções dos nossos interesses, determinar as posições da batalha.

A erradicação ao analfabetismo, a queda da assimetria na educação da rapariga, a consciência da doença do século SIDA, a consciência do valor da mulher na sociedade africana, são meios para o despertar e a seguir são outros patamares da vida.

As vezes nós homens ou seja alguns, pensam que a mulher é incapaz, porque em Moçambique temos acentuado número de mulheres (idosas, raparigas...) que não tem acesso à escola, por várias razões, não sómente por falta da escola, mas pela questão cultural.

Também, alguns homens estão formatados, que a mulher luta para o poder político. Essa consciência é partilhada nalgumas mulheres, usando o feminísmo exacerbado, abarcam os seus nervos, criam temperos, criam ruptura, criam caminhos e mais, para não percepção do que realmente a mulher quer.

Penso que a mulher assim como Homem, não é sómente, para o poder político, precisamos de ver a nossa atmosfera recheado de estruturas (Sociais, económicas, profissionais, e mais..), precisamos de ver a mulher ou mulheres empresárias, grandes cientístas, ....daquí não há nada do tal homem que confunde fazer barulho. Mas, não é isso, que quero dizer, a final a forma de tratamento da mulher começa de casa onde os amores cruzam-se. Onde o homem entrega-se à mulher, vice-versa. As vezes é uma confusão perceber. O homem transforma na sua parceira numa empregada, num objecto, é aqui onde a luta toma lucidez.

Então, as mulheres deixarem de casar com homens, virarem lésbicas? não sei, porque estou confuso na confusão. Não casar de vez, é outro problema. Mas, então, fazer o quê?

Mencionar um ponto, que a mulher moçambicana deve pôr a mão no tecto da intenções, Moçambique é um dos países mais simples do mundo, um país onde, a luta pela equidade de género não é sómente a mulher, o Estado em sí, reconhce, é a razão da concessão do feriado, a razão do programa Quinquenal ser estruturado sobre a equidade de género, membros do governo e mais. Isso, é a parte do governo que ainda está em processo. Mas, precisamos de mudar a consciência de alguns. Mas como? não sei.

Termino dizendo, a luta tem dois males: 1. Vencer os desafios e transformá-los num sarrilhos
2. Lutar inconsciente e ganhar injustamente
Isto quero dizer, a mulher tanto moçambicana assim como doutro canto ou espaço precisa de ter objectivos claros para o processo da equidade de género, segundo precisa-se tomar a consciência, tomar o conhecimento, intelecto para a luta.


Aquele abraco, e festas felizes, seu dia oh mulher.

Reflectindo disse...

1. A OMM não representa todas as mulheres mocambicanas. Ela é apenas um braco dum partido político como de outros. Então, as mulheres precisam de algo neste dia de hoje que vai para além das fronteiras partidárias.

2. A história da OMM é deturpada como é da Frelimo e de todo Mocambique. É pena que muitos dos seus conhecedores nunca querem dizer a verdade. Não estou a despreza o papel da Josina, mas ela própria, se estivesse viva, era capaz de negar certos atributos, talvez a razão pela qual os atributos não vão agora para a Deolinda Guizimane.

3. A fundadora do Destacamento feminino não é afinal a Celina Simango?

4. Pergunte-se a João Craveirinha, veterano da luta armada de libertacão nacional, mas que consegue confrontar com a história.

5. Mas tarde trago as referências que a nossa mulher merece conhecê-las.

ximbitane disse...

Muito obrigada pelas vossas colaboraçoes, Ponto e Virgula e Reflectindo.

Segui atentamente as festividades do dia da Mulher Moçambicana e isso so me faz reiteirar o que ja havia dito: o 7 de Abril é o dia da Mulher da Frelimo!