segunda-feira, 13 de outubro de 2008

(I)morais ou hipócritas?

Somos todos cheios de preconceitos e cobrimos a boca de pudor para falar de certos assuntos, sobretudo no que se refere ao que, de uma ou de outra forma, todos fazemos, muitas vezes por prazer e pouquíssimas outras para aumentar a espécie e manter o nosso clã activo: o sexo. E se for uma mulher a falar, a mandar as favas o tabu, pior fica.

Para muitos de nós, o normal é apenas que se tenha relações com pessoas de sexo oposto ao nosso, mesmo que isso não nos satisfaça. Se aparece alguém com um desvio sexual, como definem os estudiosos, são apelidados de anormais. Se estão dentro da família são doentes, de uma doença indefinida pelo que é preciso exorcizar esse espírito mau que desvia ou acomete o nosso amigo, familiar ou mero desconhecido.

Para outros, se alguém testemunha abertamente uma realidade que viveu é alvo de chacota e de acusação de factos irreais, foi o que aconteceu com o artigo Garotos de programa. Caíram-me à caixa 2 mails terríveis que me obrigam a felicitar os remetentes por não os terem exposto no blog tamanho seria o choque pelo seu conteúdo cabeludo.

Por detrás dessa vossa capa de regrados e morais, decerto vivem pessoas com vida dupla que enganados pela banalização do sexo, estão repletos de amantes. Essas mesmas amantes que mais não fazem do que, em poucos instantes de suspiros e suor, enriquecerem as suas contas bancárias, com os vossos trocados, os seus telemóveis com crédito ou outras futilidades.

Quem recorre às prostitutas? Nunca vi nem ouvi falar de nenhuma mulher da vida que foi bater a porta de alguém para ofertar seus serviços. Esses serviços são procurados! Quem vai aos quartinhos das pensões, casas e hotéis para satisfazer seus instintos primitivos? E, acompanhados por quem? Agora porque jogar pedras contra mim? Que direito tem de me chamar prostituta?

Se são inocentes, como querem fazer parecer, que atirem a segunda pedra aqui e em público, onde tudo começou! E, reafirmo que enganam-se se pensam que a prostituição é apenas feita por mulheres, homens há, e muitos, que sem pudor cobram serviços sexuais, como é o caso em apenso. Aliás, prostituta/o não é só quem vende, também o comprador e eu não sou nem um e nem outro. Tenho dito!

41 comentários:

Júlio S. disse...

Pegou pesado! Os emails devem ter sido mesmo HOTs.

Os assuntos abordados mexem um pouco com o orgulho dos machos desta África, deste Moçambique orgulhosamente machista.

Esconder a cabeça para determinadas realidades não faz sumir os problemas. Não gostarmos de ver exposto que há homens a prostituirem-se não faz desaparecer essa realidade.

Não gosto e tenho MUITA dificuldade a aceitar a homossexualidade mas, infelizmente, esse não gostar não impediu que Labibas e Lasantas invadissem o meu domicílio num dos SHOW DE VOTOS mais recentes. Enfim.

Todos já ouvimos histórias que, pese embora não publicitadas nos chats da TV, não deixam de lembrar a prostituição a que as mentes dos homens chegaram.

Mas, gostaria de ver continuado o post anterior.

X!mb!t@nE disse...

Pois é, Júlio S., pisaram fundo, mas como pode ver não me intimidaram. Pelo contrario, tudo farei para dissecar esse fenomeno que nao é efemero!

Os homens devem é engolir esse orgulho porque os garotos de programa (universitarios, viciados, pés descalços e etc) vêm na prostituição uma forma fácil de ganhar a vida e de lá nao sairão.

Quanto a continuidade do tema, vejo que alguns bloggers estão interessados nos detalhes sordidos enquanto que outros querem varrer a sujeira para debaixo do tapete. É caso para dizer: homens...

Jácome D`Alva disse...

PARABENS!

Afinal tú és mulher e africana. E se em quase todo o mundo a luta das mulheres pelo direito a ter opinião é uma batalha vencida na guerra pela emancipação completa, em Africa essa luta faz ainda mais sentido, pelo longo caminho que falta ainda percorrer. O que pode parecer estranho num continente onde inquestionavelmente o pilar mais forte da sociedade se chama mulher.

E podes ter a certeza absoluta que todos aqueles que te enviaram emais a acusar, têm escondido no armário da memória traumas e complexos bem mais graves que ser gay ou lésbica. Eles sabem porque esse assunto tanto os incomoda e a razão porque tanto lhes desagrada que outros sejam felizes.

Por estas e muitas outra razões que não te doam as palavras.

Jonathan McCharty disse...

Realmente as pessoas sao mesmo diferentes! Achei a tua postagem anterior bastante reveladora do que ja' sabia estar a ocorrer noutras nacoes, mas nao tinha ideia que essa "profissao" ja' estivesse enraizada na nossa sociedade. Agora, dai a conotar a Ximbi com isto ou aquilo, nao lembra o diabo. Ou essas pessoas sao tambem "garotos/garotas de programa"? Elem tem medo de que, quando estas tematicas sao abordadas?
Porque nao vem "aqui" expor o que os aflige?
Ximbi, percebe-se por esta postagem que "te tiraram do juizo", mas fique calma e continue a ser a mulher que es! Nao sao 2 emails que vao arrancar a tua personalidade e censurar o teu bloguismo. Aborde temas que te "baterem na cachola", porque ha' muita gente que ve pertinencia neles!
Puxa vida, nunca tinha visto a Ximbi tao nervosa e tao pessoal, hehe!

Júlio Mutisse disse...

Ximbi, eu sou o primeiro bloger que comentou esta postagem.

Há temas difíceis que tem que ser abordados. Essa abordagem pode nos permitir radiografar a nossa sociedade indagando sobre a robustez (ou falta dela) dos valores que a estruturam.

A abordagem que fazes pode nos permitir reflectir sobre o que é que está a falhar na nossa sociedade a ponto de começarem a proliferar garotos de programa, verdadeiros prostitutos.

Podemos cruzar isso com o que ouvíamos e faziamos piadinhas de conhecidos nossos que se envolviam com outros homens em troca de "mola", carros ou motos bonitos etc, passando por aqueles que se envolvem com mulheres com idade para serem suas mães, não por amor, mas porque tem capacidade para lhes bancar as contas (até uma musiqueta sobre esse fenómeno já foi feita) até desembocarmos nesses garotos de programa.

Será que nos satisfaz a explicação simplista das dificuldades financeiras? Quantos outros não as tem neste país? Não estaremos em face de outros fenómenos que não simplesmente "dificuldades" financeiras?

E a actuação da TV que põe esses anúncios? Epa, Ximbitana, são muitos assuntos que podemos discutir a partir deste assunto que levantas.

Assumes essa empreitada?

Nyikiwa disse...

Irmã! Gostei do teu posicionamento porque levantaste um assunto que julgo pertinente: hipocrisia e moralismo. Tua exposição remeteu-me ao famoso adágio popular: "faça o que eu digo e não faça o que eu faço"! O ser humano quase sempre tem a tendência a fingir que não faz certas coisas quando estas são recriminadas, mas no seu íntimo sabe que faz.

Quase ninguém olha para as prostitutas como seres humanos, mas como a escória que perverte a moral e os bons costumes da sociedade.

Antes de julgar, devemos procurar compreender as motivações das pessoas: as prostitutas e os seus clientes porque quando um não quer dois não brigam.

Existem muitos garotos de programa e gigolos...mas quase ninguém fala deles. Porque há toda uma propaganda em torno da mulher? Será que em nome da pretensa africanidade devemos continuar a ignorar coisas que são transparentes?

Força mana apesar de nos chamarem de feministas. Um amigo leu meu perfil no meu blog. Por eu ter escrito lá que adoro o livro sétimo juramento da Paulina Chiziane me chamou de feminista. Ao ler teu post sobre bancos e casas 2 disse o seguinte: "Tu e a tua irmã são feministas".

A questão para mim não é ser feminsita, mas procurar ler a realidade considerando os diversos factores e intervenientes.

Abraço,

Yndongah disse...

Primosa,

Parabéns por levantares este assunto, principalmente pela incidência nos estudantes universitários.Isto remete-nos a discussão sobre os critérios que determinam o que é moral ou não na nossa sociedade.

Tendo em conta o prestígio que é ser universitário na nossa sociedade, como catalogar quem “presta serviços sexuais” para custear os seus estudos?

Outra discussão que também acho importante são os factores que tornam possível a “prostituição” nas suas diferentes categorias, e neste aspecto concordo plenamente com o Muthisse, não são apenas as dificuldades financeiras, há muito mais do que isso, porém, não deixo a “empreitada” só para a tí como ele sugere.

Bjnhs

Anónimo disse...

Hodi, e a primeira vez que visito o seu blog e virei mais vezes. Gostava de perceber melhor a ideia num dos comentarios segundo a qual (E se em quase todo o mundo a luta das mulheres pelo direito a ter opinião é uma batalha vencida na guerra pela emancipação completa, em Africa essa luta faz ainda mais sentido, pelo longo caminho que falta ainda percorrer.).

Júlio Mutisse disse...

Cá estou eu de novo,

A Yndongah levanta uma questão, que julgo importante, relativa aos "critérios que determinam o que é moral ou não na nossa sociedade."

Todos nós saimos de famílias que, de uma maneira geral, nos passaram um conjunto de valores que determinam a nossa conduta enquanto pessoas integrantes deste conjunto "opressor" que é a sociedade.

Esses valores nos acompanham na nossa vida! São os parámetros que nos guiam na tentativa de nos realizarmos como pessoas, como filhos etc...

Mas serão esses valores imutáveis? Qual é o efeito do tempo, desenvolvimento, educação, formação e informação nesses valores?

Fui a um dicionário web e encontrei que "A moralidade pode ser definida como a aquisição do modo de ser conseguido pela apropriação ou por níveis de apropriação, onde se encontram o caráter, os sentimentos e os costumes." Encontrei que alguns dicionários definem moral como "conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, éticas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupos ou pessoa determinada."

Pois então como é que avaliamos o que é válido, ético, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupos ou pessoa determinada em Moçambique?

O que é que torna a acção dos "garotos de programa" descrita pela Ximbi certa ou errada nos juízos de valor que possamos fazer dela?

É mais errada por estarem envolvidos estudantes universitários? É justificável pelas dificuldades financeiras que esses estudantes enfrentam para continuarem a estudar?

Cada sociedade tem um conjunto de valores que a estruturam. A nossa não fica atrás.

O desenvolvimento, a educação e a informação tem nos permitido ultrapassar certos tabus e abordar determinados temas com mais propriedade e sem preconceitos mas, no geral, a nossa consciência ainda repugna determinados factos.

Repugna aqueles factos que, seja qual for a justificação, nos foram inculcados como condenáveis do ponto de vista da sociedade (não é por acaso que, se calhar, os garotos de programa não ficam na Keneth Kaúnda e preferem formas de actuação mais subtís do que as prostitutas com as quais a sociedade aparentemente começa a aprender a conviver - embora sem abertamente aceitar).

Essa repugnância de onde vem? O torcer o nariz aos garotos de programa surge da apropriação que temos desse conjunto de formas de ser e de estar que nos fazem africanos, moçambicanos, muthisses, massangos e por ai além; dos valores que nos foram transmitidos.

Esse é um dos critérios. Outros podem ser encontradas em diversas abordagens que não cabem aqui mas que posso voltar a elas.

Até já.

Chacate Joaquim disse...

Bom! essa coisa de bloger dá nisso Ximbita. há vezes que os Católicos (que usam o batismo) e os protestantes que acham que não são descíplos de João mas sim de Jesus que nunca batizou ninguém com agua salgada se encontram a circularem em mesmos carris.

Será que essa coisa de homossexualismo terá uma explicação metafisicamente cabível? Porqué e paraqué homossexualismo? a resposta não pode terminar na satisfação corporal! Concordo que a Ximbita tal como a Rosa Langa dispem o fenómeno atravez de assunção do próprio praticantes. E Daí? há desenhar problema se é existe no sentido de se:

Haverá algum ganho mensurável do ponto de vista axiológico até antropológico nessa coisa de opção sexual (homossexual)?

O que seria da especie Humana se a Humanidade optar absolutamente por esta via matrimonial?

Orá, vamos pensar assim! Quantos alimentos que digerimos que até possuem um sabor e paladar tentacional mas que essênciamente não tem nenhum valor nutricional que os feijões por exemplo! aqui pretendemos mostrar que o gosto e os prazeres que sentimos quando nos vimos numa relação sexual não é a essência do acto! a razão é outra que se calhar passa pela dor!

II Parte!

Ha muitos séculos atraz a mulher era vista como "Objecto" de satisfação corporal atravez do sexo pelo homem. Esquecendo que nesta obrigação, ela acabava sendo "sujeito" com orgásmos involuntários o que tornava o homem totalmente parvo e egoísta nas relações sexuais e um conformismo obrigatório por parte da mulher, é nesta razão histórica que a mulher julgou que não tinha nenhum ganho se não material e procriativo.

Quando a mulher ganha espaço, os postos que seriam do homem (no mercado) o homem vé se obrigado a se vender tal como obrigava a mulher a fazer quando o poder era absolutamente seu (hipótese. Quantas vezes Ximbita os seus prentendentes não te prometeram uma vida de rainha a troca de aceita-los como parceiros sexuais?

Hoje acontece isso também do lado feminino.

Mas devo confeçar que esses gajos que lhe mandaram emails estam como o rabo prezo ahahahahah só Bateram na Rocha porque Ximbita vai nos servindo no seu Blogg

Abraços e muita força.

X!mb!t@nE disse...

Jacome, obrigada pela força!

X!mb!t@nE disse...

Calma e serena, Jonathan, mas desaforo nao levo para casa. So nao baixo de nivel porque tenho educaçao suficiente.

O que me irrita é que nao me referi em ninguém em particular para merecer tamanha barbaridade.

Quanto a censura, amigo, estarao a parar o vento com as maos!!!

X!mb!t@nE disse...

Julio Mutisse = Julio S.? Tudo bem!

Levantas questoes interessantes e como nao recuo perante desafios... Conte comigo! Do jeito que me vejo arrojada posso até questionar algumas pessoas que vivem algumas das coisas que narras.

Obrigada!

X!mb!t@nE disse...

Ai sim? Somos irmas e ainda por cima feministas? Entao somos mulheres felizes porque lutamos pelo que achamos justo.

Nao somos extremistas e nem pretendemos ocupar o lugar de ninguem: queremos apenas o que merecemos.

Os hipocritas que assim continuem, como diz outro adagio: os caes ladram e a caravana passa!

X!mb!t@nE disse...

Obrigada, primosa! Continuo depois, o dever me chama aos gritos

Reflectindo disse...

Lembro-me que em 1994, uma amiga minha foi convidada sexo por um homem no Zimbabwe. Ele disse-lhe que estava nas ruas de Harare para vender o sexo. Então, ele não era puto/prostituto?

A história contada sobre os universitários na minha terra, em Nampula, não é confirmacão de que os homens são tão prostitutos quanto as mulheres?

O problema é único: dominacão e controle à mulher talvez devido factores históricos, como o meu irmao Chacate disse. Até hoje a mulher, sobretudo, em Mocambique é negada a sexualidade sendo possível de ser chamada de puta, se no seu cio ela pedir claramente sexo ao seu marido.

Agora essa coisa de homosexualidade, hehehehehe. Bem, eu morro pelo feminino, mas não estou contra os seus praticantes, embora tenha as minhas reservas. Creio que ainda há muito tradicionalismo, mesmo em países liberais. Por outro, lado desconfio que alguns pensam que defendem a sua orientacão sexual expandindo-a como aquela de que mais 50 % (?) dos maputenses seriam homosexuais ou bisexuais.

X!mb!t@nE disse...

Hodi, anonimo e volte sempre!

Pelo que entendi da frase em questão as mulheres africanas, mais do que todas as mulheres do mundo, devem lutar muito mais pelo direito a opiniao sabido que geralmente as mulheres não têm espaço nesse ambito.

X!mb!t@nE disse...

Chacate, vou pela Parte II onde te referes ao "espaço que a mulher ocupa do homem obrigando-o a vender-se tal como obrigava a mulher a fazer".

Primeiro a mulher não ocupa o espaço de ninguém, nem de homem e nem de outra mulher, ocupa o seu espaço. Homens e mulheres podem conviver no mesmo espaço, agora se o machismo faz o homem nao se subordinar, no ambito de trabalho, as ordens de uma mulher nada mais lhe resta do que enveredar por caminhos onde é usado sexualmente?

Segundo, o facto de a mulher procurar alternativas, pela escolaridade, auto-emprego, etc, para a sua sobrevivencia que nao pelo sexo em nada significa que ela atira o homem para esse caminho. O homem vai sozinho pelas beneses que dai obtem, as mesmas que as mulheres adquiriam/adquirem

X!mb!t@nE disse...

Primosa, sobre o que é moral e imoral tenho algo na forja!

X!mb!t@nE disse...

Mutisse, nenhum valor é imutavel, veja só o dolar zimbabweano? Brincadeira!

O desenvolvimento do país, ainda que continue estagnado no mais importante, a globalizaçao, o modo de vida que levamos, todos esses factores mudam. Como não vai mudar a nossa forma de ser e de estar?

Se tivemos toda uma infancia sem nunca termos visto os orgaos genitais dos nossos progenitores e hoje vemos o sexo escancardo pelos media, como teremos aquele "medo" que nos foi incutido quando crianças?

Quando de animo leve aplaudimos shows com transexuais e ainda gastamos os nossos parcos recursos a apoia-los o que estamos a fazer? Queiramos ou não, todos somos diferentes e tudo passa pelo respeito do outro para que também sejamos respeitados.

X!mb!t@nE disse...

Mestre, chamando os bois pelos nomes? Concordo plenamente com o que diz relativo "à dominação e controle da mulher" por parte do homem. O exemplo que narra é muito real por cá.

Ultimamente, com a possibilidade que as zonas rurais estão a ter acesso às televisoes, imagino o escandalo que vai ser daqui a um tempinho quando as mulheres quiserem pôr em prática no leito conjugal o que vêm na TV!

Decerto que muitos conselhos de anciãos, de familia, de distrito, regulos e outros serão chamados para olhar para a depravada que vem com inovações na cama e isso tudo porque o homem limita-se ao seu papel de agir como um animal que apenas quer procriar, tendo prazer, ignorando que a mulher também o tem!

Chacate Joaquim disse...

"Primeiro a mulher não ocupa o espaço de ninguém, nem de homem e nem de outra mulher, ocupa o seu espaço. Homens e mulheres podem conviver no mesmo espaço, agora se o machismo faz o homem nao se subordinar, no ambito de trabalho, as ordens de uma mulher nada mais lhe resta do que enveredar por caminhos onde é usado sexualmente?"

Pelo comentário que faz deu para perceber que não fui feliz como esperava.

Mas o comentário que faço aqui está relacionado com os novos ingressos no mercado de trabalho sexual (homens neste caso)

O que é que acha que deve ser a razão? a escassez! o que provoca essa escassez nos homens? em relação aos homens, porque é que não praticavam esta actividade no pretérito? considerando que, se é que praticavam, pelomenos era no lugar de consumidor não fornecedor!

Convido a Ximbita a pensar comigo, no que se refere à causa e efeito porque "... beneses que dai obtem" sempre existiram mas só a mulher é que os via!

Agora, a questão é porque é que o homem infelizmente também já os vé? é aqui onde acho que deviamos nos concetrar, uma vez o problema identificado. Não assumirmos hipóteses como produto final!

Mas o assunto é mesmo quente pelo numero dos interessados força Diva.

Júlio Mutisse disse...

Ximbi,

É um facto que a maioria de nós cresceu sem ouvir da boca de papá e mamã a referência a vaginas ou pénis.

É um facto que famílias inteiras (crianças incluidas) se juntam para ver novelas, filmes etc, com cenas de sexo explícito (mesmo a hora de chá como diz 2 Caras na música geração TV) sem nenhum tabu (eu devo ser antiquado mas, pelo menos na minha presença, minhas filhas - de 9 e 5 - não assistem novela).

É claro que isso vai subverter muito do que nos foi inculcado ao longo dos muitos anos de vida que já levamos.

É evidente que a geração TV não vai ter ou crescer dentro dos parámetros e valores que nos orientaram na nossa meninice (falo dos que nasceram de 75/84 no mínimo).

Crescemos a saber que a rua araújo é frequentada pelas meninas da má vida; se calhar, por isso, tenhamos "normalizado" meninas da má vida tanto que seja difícl interiorizar meninos da má vida a ponto de alguns repugnarem a simples referência à sua existência como se isso eliminasse a sua existência.

A esmagadora maioria dos pais, educaram/orientaram seus filhos dentro do parámetro homem para mulher ou vversa, a tal ponto que para a maioria das pessoas que conheço da minha geração o homossexualismo é uma aberração. As tais reservas de que o Reflectindo fala.

Quando começamos a aplaudir Labibas e Lasantas que invadem os nossos lares nos shows de votos, estamos, embora implicitamente, a assumir e talvez "normalizar" este modo de vida. É provável que a geração das minhas filhas não ache repugnante o labibismo e o lasantismo mas, eu...

Portanto, a mudança de valores não é abrupta; leva seu tempo. Hoje somos estimulados a falar de sexualidade com os nossos filhos, coisa, se calhar, impensável há 15/20 anos quando eu tinha 10 (há até um ditado que diz que o homem não é "layado" - educado - nestas coisas) mas há um outro conjunto de valores que tenderão a permanecer e serão esses que, através de nós, pais ou mais velhos ditarão o que nesse momento a sociedade considerará como moral.

A geração dos nossos pais em comparação com a dos nossos avôs teve os seus filtros. Nós temos os nossos que expurgam tudo o que julgamos não útil, mas permanecerá sempre um conjunto de coisas que apreendemos dos nossos pais que transmitiremos aos que nos seguem.

Mal de nós se nenhum valor ficasse. São esses que ficam que determinam o que é ou não é moral em cada tempo.

O dever berra por mim. Voltarei.

Chacate Joaquim disse...

Muito bem Júlio Mutusse.

"Show de votos" ahahahahahahahahahah gramei dessa porque os talentos é que tem vindo a perderem dando lugar os votados! defacto a nomenclatura é absurda! mas como não há censura no lucro o mercado dita tudo...

ocha lá que reste alguma coisa mesmo! parece que estamos a caminho
abraços

X!mb!t@nE disse...

Chacate, infeliz não foi, talvez estejamos agora ambos esclarecidos no que eram as nossas percepções, não é assim? Assim espero!

"O que é que acha que deve ser a razão? a escassez! o que provoca essa escassez nos homens? em relação aos homens, porque é que não praticavam esta actividade no pretérito? considerando que, se é que praticavam, pelo menos era no lugar de consumidor não fornecedor!"

Escassez? Consta-me que o censo populacional diz que há mais mulheres do que homens! Quanto as beneses, alguns homens não gostam de dar no duro, com medo de partir as unhas.

X!mb!t@nE disse...

Mutisse, pelo seu ultimo comentario, vejo que vamos pelo mesmo diapasao

Júlio Mutisse disse...

Chacate,

Não fui nada original nessa de "Show de votos" ouvi ou li algures. É que de Show de talentos aquele programa e outros similares têm pouco. Alicerces em gente com capacidade para votar em massa conta mais do que os alicerces no talento... infelizmente.

Voltando ao assunto, queira mesmo Deus que ainda reste algum valor na maioria dos meus conterrâneos/concidadãos... acabo de ver uma senhora bem vestida a levantar a saia e atentar contra a vida de uma acácia num acto que só via nos homens (eram quase 12h)...

Fiquei escandalizado cadê o pudor, estamos mesmo mal de (alguns) valores...

Bayano Valy disse...

cara ximbitane,
bela reflexão. cheguei tarde para poder acompanhar os comentários e ver como é que posso posicionar o meu.
hipocrisia: eu não acho a nossa sociedade hipócrita - já vou dizer porquê. o que acho que existe é uma parte que detém e controla os meios de comunicação social que de alguma forma define as regras do debate. tu e eu sabemos que o zé povão tem posições claras quanto à certas coisas que acontecem na nossa sociedade. se dizem que não gostam é porque não gostam,e o contrário é verdade. a tal hipocrisia reside no seio dos tais ditos liberais (que pelos visto são uma minoria) que não querendo dar a cara, fingem que estão contra ou a favor. recordo-me do debate à volta bailado dos cinco (era assim que se chamava?). houve quem dissesse que era arte (já agora, o que é arte?) e ou que disse que era pornografia (o quê é isso?). apenas fiz uma pergunta: se a tua mãe (não interessa a idade), esposa ou filha fosse nua ao palco havias de gostar? dá para imaginar a resposta. a tua prole não pode mas as outras mulheres podem. estás a ver a questão? é aqui onde reside a hipocrisia. não esqueçamos quão forte é a tradição religiosa na nossa sociedade - o censo de 97 colocava em cerca de 95% da população como sendo religiosa. penso que isso é importante para entendermos os nossos posicionamentos; e não é votando ao lixo a componente religiosa nas nossas análises que a religião vai desaparecer do nosso quotidiano.
bjinhos

X!mb!t@nE disse...

Bayano, é bom vê-lo voltar a casa. Vejo que faz uma abordagem do "Solo para 5". Para mim, aquele espectaculo é arte e assim o considero porque tive essa lição de uma das minhas irmãs que é bailarina da Companhia.

É doloroso, senão mesmo inconcebivel, que as mulheres dos outros ou outras mulheres se dispam em nome da arte não importa que seja em espaço restrito e com publico avisado: é uma pouca vergonha!

Agora na rua, no chapa, no txiling, etc., uma mulher de saia mini-saia, que esconde o fruto proibido e que aguça apetites, ou outra de txuna-baby, que deixa as roupas intimas e o risco do rabo exposto, são/estão umas a bater! O que estamos a ser (i)morais ou hipocritas?

X!mb!t@nE disse...

Mutisse, essa de mulheres que se aliviam em arvores expondo swilxamalisso, num momento em que se fala da arvore amiga, é cruel.

As urgencias biologicas ditam que homens e mulheres em algum momento e local se devam libertar e, longe de mim, tal deveria ser feito no que se plasmou chamar casa-de-banho.

Nas cidades, sobretudo em locais aglomerados que nao dispoe da magica WC, a libertaçao dos presos é em qualquer esquina e momento.

Atraves da educaçao familiar/regional, designada ritos, aprendi que mulher que se preza deve, mesmo txunada e no alto do seu tacão, ter consigo uma capulana.

Ao contrario do que muitos pensam, sobre a capulana cobrir infidelidades, esta serve para que a mulher, num momento de aperto se cubra e se liberte sem espantar ninguém! E quando se trata de um grupo de mulheres fazem uma tenda de capulanas com esse fim. Mas até a capulana anda escondida nos baus...

Anónimo disse...

Esse filme das mulheres africanas terem mais necessidade de libertacao precisa ser questionada. Em relacao a mulheres de onde? As mulheres sao todas iguais? Sao todas oprimidas e sem espaco?

X!mb!t@nE disse...

Anónimo, filme? Não creio é vida real! E não é em relação a mulher de nenhum outro lugar, mas na sociedade em que cada uma das mulheres vive.

Se eu tenho as mesmas capacidades e/ou até mais do que um homem porque não posso ser eu a chefiar uma equipa de trabalho? Porque os meus filhos podem ficar doentes? Porque eu tenho todos os meses TPM? É neste sentido que queremos o nosso espaço, pelo menos no que me tange!

Anónimo disse...

Entao de acordo, filme sim, esse de as 'mulheres'. A Ximbitane tem suas necessidades, anseios, desejos, gostos, etc, nao so por ser mulher, mas acima de tudo por ser uma pessoa. Em cada lugar as pessoas pensam e agem diferentemente, no mesmo lugar idem aspas e a mesma pessoa em momentos diferentes pode tambem pensar e agir diferentemente, e isso vai muito para alem do tipo de genital que a pessoa tem. E acho que o debate sobre a homossexualidade ilustra isso. O que acha?

Anónimo disse...

Voltando ao comentario sobre esse ser problema das mulheres africanas, as mulheres europeias ja e permitido fazerem aborto quando o desejarem? Ja podem ser padres sem serem banidas pelo vaticano? Essa e outra parte do filme.

X!mb!t@nE disse...

Se o Anonimo vê as coisas como um filme e eu as sinto na pele, o caso muda de figura não é?

Quanto as diferenças em local, tempo e pessoas concordo consigo, mas as liberdades ainda continuam circuscritas aos homens!

Anónimo disse...

Nao muda nao, estamos empatados. Eu tenho um genital que me atribui o lugar de homem, mas cara liberdade e utopia. Nunca dizem que a minha liberdade e limitada por ser homem, mas desde que seja mulher diz-se que e so por ser mulher ja tem menos liberdade. Acho que essas coisas de poder e liberdades sao bem mais complicadas do que o tipo de genitais que possuimos. Entao e o que eu dizia as pessoas sao diferentes, vivem problemas diferentes em lugares e momentos diferente, e por isso que digo que essa de 'mulher' sobretudo essa de mulher africana e que tem mais necessidade de liberdade e filme.

X!mb!t@nE disse...

Ops, ideias pré-concebidas, ideias enraizadas! Respeito o que diz, Anonimo!

Anónimo disse...

Interessante, as ideias preconcevidas sao sempre a dos outros, o que acha? Eu acho que todos temos ideias preconcebidas, mas mesmo assim podemos aprender as preconcepcoes dos outros, mesmo que discordemos.

X!mb!t@nE disse...

Nada disso, não me refiro as ideias dos outros: refiro-me as nossas (minhas e suas)! E acredite que estou a ter grandes lições ainda que, como bem diz, discordemos em alguns aspectos, o que também é saudavel.

Zefanias disse...

Ximbitane,

Parabéns por ter coragem de colocar este tipo de assunto para debate. De facto, existem prostitutos ou garotos de programa. Escrevo isto porque conheço alguém que o pratica há muitos anos. Na conversa que tive com ele, confessou que faz não por prazer mas para melhorar as condições de vida. Revelou que a maior parte das clientes que possui, são mulheres mais velhas, casadas e com posses. Em alguns casos são viúvas. Infelizmente, não revelou donde provém tais clientes (sigilo profissional)mas revelou que sempre usou quartos de hotéis e de algumas residências para encontro com as mesmas.

Cá para nós, ainda é difícil acreditar nisto mas é verdade.

Um abraço

Afroscout

X!mb!t@nE disse...

Afro, muito obrigada pelo testemunho que prova que o que disse sobre a existencia de prostitutos.

Espero que os que despoletaram esta polemica tenham a oportunidade de o ver e de colocar os gemeos no lugar.